sábado, 22 de abril de 2017

Nesta paz esta flor branca...




Nesta paz esta flor branca...


Enquanto por aí jogais à bola, cânticos de morte,
verde o relvado, regado, verde de verde, bem aparado,
eu sou nesta paz esta flor branca e cheia de sorte...

A aragem sabendo a sal
docemente me afaga e me embala,
macia, sem sinal de mal...

Aqui vivo sem amargura
com seres na areia puros e sóbrios como eu
mesmo que nesta secura...


José Rodrigues Dias, 2017-04-22

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Colar de flores




Colar de flores


Sobre a praia ao sabor do vento
um colar de flores 
sem palavra atinada para o dizer...


José Rodrigues Dias, 2017-04-21

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Dias de atritos...




Dias de atritos...


Dias de atritos,
de riscos, de gases malditos, de tiros,
de mil conflitos...

Mesmo um caracol se esconde
agachado em sua concha dentro de um túnel cavado
entre os espinhos de um cacto...

Que razão
abre / fecha
o coração?...


José Rodrigues Dias, 2017-04-19

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Começar, a terminar...




Começar, a terminar...

(Começar, obra de Almada Negreiros
no átrio da Gulbenkian)


Começar,
o número e a Geometria
a terminar…

Tudo aqui
na razão divina,
símbolo f...

Partenon na Acrópole, Phídias, harmonia...
Pentagrama, delta, Olho, Oriente, Arquitecto...
Gioconda, da Vinci, Pitágoras, Geometria...

Coelhos, natureza,
sequência de Fibonacci, limite,
seres, vida, beleza...

f,
número de ouro,
F...

E tudo aqui
no número irracional phi, 
f ou F, phi...

Harmonia,
fF, logotipos de livros meus 
de Poesia...


José Rodrigues Dias, 2017-03-25

terça-feira, 18 de abril de 2017

Cantam as rolas...




Cantam as rolas...


Olho as flores e o mar
do cimo da minha falésia.
Fico-me a contemplar...

Não há bombas...
Entre os cheiros da natureza
cantam as rolas...


José Rodrigues Dias, 2017-04-18

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Carreiro de luz




Carreiro de luz


Carreiro de luz
vindo lá de poente,
o Sol já se indo...

Do mar a luz em ondas,
tons dourados, inebriantes,
a falésia por ali subindo...

Eu ali assim mais pequenino,
o olhar no mar se me afundando
lembrando-me de ser menino...

Longe, então menino
sem nenhum mar de água perto
ainda mais pequenino...

Foi pela luz
que cada mar de breu
se fez de luz...


José Rodrigues Dias, 2017-04-17

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Quinta-Feira Santa



Quinta-Feira Santa


Chegou a noite, cansado,
grande já o dia, Sol alto e grande,
trabalho variado, queimado,
meados de Abril…

Morreu Gabriel García Márquez,
dia de solidão,
Cem Anos de Solidão

Jorge Amado, do mesmo lado do mar,
já tinha morrido…

Cristo morre amanhã
traído,
ceia hoje com os discípulos
em partilha:

 tomai e comei…,
bebei…,

o meu corpo…,
o meu sangue…,

em memória de mim…

 Entretanto, longe, lá muito longe,
é descoberto talvez um gémeo,
ou talvez um vago primo,
desta Terra que dura pisamos,
pó e barro,
água e pedras,
quase do mesmo tamanho,
chamaram-lhe Kepler,
Kepler qualquer coisa,
pode ter nascido planeta vivo…

(Da vida, quem sabe o quê?)

Morreu hoje Gabriel García Márquez…

Cristo morre amanhã, Sexta-Feira Santa.
Ressuscita ao terceiro dia,
no dia de Páscoa,
Primavera…

2014-04-17


José Rodrigues Dias, Tons e Sons de Primavera(s), Edição Forinfor, 2016

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Irmanados...





Irmanados...


Encontrei um passarinho,
tinha uma perna presa, piava, piava,
libertei-o mui devagarinho...

Devagarinho com cuidado
libertei o passarinho, devagarinho,
não fosse ele ficar aleijado...

Libertado
voou, livre eu voo,
irmanado...


José Rodrigues Dias, 2017-04-11

terça-feira, 11 de abril de 2017

Pelo mar...




Pelo mar...


Nasci sem mar,
só de terra os caminhos
e apenas trilhos...

Por passos de sonho 
caminhei, horas da noite iluminei,
cheguei junto ao mar...

Fundo, olho daqui esse mar 
e sinto que ao início um dia voltarei,
o mundo redondo, pelo mar...


José Rodrigues Dias, 2017-04-10

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O pato




O pato


Todos foram saindo
do anfiteatro,
só o pato resistindo...

O pobre do pato
na esparrela do espectáculo
até ao fim caindo...


José Rodrigues Dias, 2017-03-23

domingo, 9 de abril de 2017

Alegria, Almada Negreiros?


Almada Negreiros, Gulbenkian.


Alegria, Almada Negreiros?


Alegria agora não, Almada, tempos de filmes negros, não...
Olham tristes os olhos, em explosão a loucura pelo mundo...
Os teus agora de alegria cheios só se uma tua provocação...


José Rodrigues Dias, 2017-03-23

sábado, 8 de abril de 2017

Da terra o pão...





Da terra o pão...


Eram curtos os dias
e que longos, azuis, agora são,
dias de sol e cultivo...

São dias de Primavera
e das sementes lançadas à terra
frutos que a terra gera...

Sim, é a terra mas é a mão
que tudo faz, até o tractor encaminha,
para da terra nascer o pão...


José Rodrigues Dias, 2017-04-08

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Paz




Paz


Gostaria eu de ter palavras
que silenciassem as armas, de dor e de morte,
ou saber onde as encontrar...

Mas não, talvez que nem existam tais palavras...
Eu até as compraria pelo que fosse, se pudesse...
Mas não, são as armas que abafam as palavras...

Não sei, tenho medo, talvez um dia
as armas calem todas as armas, de dor e de morte,
e da noite brote pura a palavra paz...


José Rodrigues Dias, 2017-04-07

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Rosto de quase morta...




Rosto de quase morta...
(Art street)


Senhorita triste no postigo da porta
esperando quem não passa, olhando o chão,
desesperando, rosto de quase morta...


José Rodrigues Dias, 2017-04-06

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Depois da recreação...





Depois da recreação...


Olho o meu campo,
tudo neste tempo de sol crescente
olhando me chama...

É a relva crescida,
as alfaces, eu sei lá..., as favas,
a boca ressequida...

É a água que nas condutas se perde,
ainda que gota a gota,
cada gota faz que cada coisa medre...

Depois da recreação
o tempo dos instrumentos
do trabalho na mão...


José Rodrigues Dias, 2017-04-05

terça-feira, 4 de abril de 2017

Até o mar...




Até o mar...


Até o mar em fúria
se desfaz em paz, 
límpida sua espuma...

Até o mar em fúria
num recanto se resguarda 
para poder sossegar...

Abraço,
um chá de ervas,
um colo...


José Rodrigues Dias, 2017-04-04

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Madeira, tornar e retornar...






Madeira, tornar e retornar...


Tornar a esse outro tempo neste lugar
quase quatro décadas depois
e nascida depois nesse tempo uma flor...

E retornar a este meu quotidiano
deste tempo que foi agora de dádiva,
de flor nascida, fruto amadurecido...

Da mulher a flor,
do fruto maduro flores
com odor a amor...


José Rodrigues Dias, 2017-04-03

domingo, 2 de abril de 2017

Colunas na entrada do templo...




Colunas na entrada do templo...


Colunas na entrada do templo,
sagrado, sóbrio, passado, presente,
e dentro o ser em recolhimento...


José Rodrigues Dias, 2017-04-02

sábado, 1 de abril de 2017

Oliveiras




Oliveiras


Oliveiras nascidas, longe, aqui, antigas,
Cristo, Jerusalém, Alqueva, Madeira, jardins,
de Alqueva levadas para terras amigas...


José Rodrigues Dias, 2017-04-01

sexta-feira, 31 de março de 2017

Os rostos...




Os rostos...


Rugas em rostos,
perto, longe,
gostos, desgostos...


José Rodrigues Dias, 2017-03-31

quinta-feira, 30 de março de 2017

quarta-feira, 29 de março de 2017

Cores e tons...



Cores e tons...


Incolor a água...
Lindas 
as cores e os tons...


José Rodrigues Dias, 2017-03-29




terça-feira, 28 de março de 2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

domingo, 26 de março de 2017

Pescar




Pescar


Vamos, vamos todos para o mar,
a malta toda, toda a ninhada, a passarada, 
para aprender juntos a caminhar...


José Rodrigues Dias, 2017-03-23

sábado, 25 de março de 2017

Radiografia




Radiografia


Uma teia no tronco se acolheu,
corroído o tronco pelo ser do tempo,
uma radiografia tudo recolheu...


José Rodrigues Dias, 2017-03-25

sexta-feira, 24 de março de 2017

Évora, o profano e o sagrado


Évora, Catedral e Palácio do Vimioso


Évora, o profano e o sagrado


Uma rua e um altar,
o profano e o sagrado
em um mesmo olhar...


José Rodrigues Dias, 2017-03-21

quinta-feira, 23 de março de 2017

Luz e trevas




Luz e trevas


Caminha, tu, ser de bem, vai andando
mesmo contra a escuridão, pelas trevas,
uma claridade pelas águas vai ficando...


José Rodrigues Dias, 2017-03-23

quarta-feira, 22 de março de 2017

Ninhada de patinhos




Ninhada de patinhos


Sem palavras 
agora minhas, enternecido,
de hoje a foto...

O meu leitor
quer deixar em comentário
palavras suas?


José Rodrigues Dias, 2017-03-22

terça-feira, 21 de março de 2017

Figueiras improváveis




Figueiras improváveis


Torre de Moncorvo, de alicerces...
Antiga, uma figueira nascida sobranceira
na torre da igreja, entre as pedras...

Hoje, Primavera, Évora, minha outra terra...
Jovem, já rebentada, esta figueira que me surge saída
de um tronco doutra árvore onde já medra...

Que bico as semeou
(ainda me espanto de tão estranho o chão!),
que mão as plantou?!...

No meu chão,
as minhas
foi minha mão...

Um chão,
a Vida,
um sopro!


José Rodrigues Dias, 2017-03-20

Sobreiros




Sobreiros


Hoje, Dia da Árvore...
O sobreiro, árvore nacional...
Publicado no livro Traçados Sobre Nós (2011),
gravado no Youtube (2016)...


José Rodrigues Dias, 2017-03-21

segunda-feira, 20 de março de 2017

Luz de Primavera




Luz de Primavera


A luz de Primavera tudo aquece:
mesmo subaquática, sob a pele,
a vida liberta-se, cresce, floresce... 


José Rodrigues Dias, 2017-03-20

domingo, 19 de março de 2017

Dia de sol




Dia de sol


Dia de sol, pai profano,
cuidando da flor,
mãe de fruto todo o ano...


José Rodrigues Dias, 2017-03-19

sábado, 18 de março de 2017

Flores de mães daninhas...





Flores de mães daninhas...


Ainda que pequeninas e aqui tão rasteirinhas,
somos, passe a imodéstia, estas lindas flores
mesmo que a nossas mães chamem daninhas...


José Rodrigues Dias, 2017-03-18

sexta-feira, 17 de março de 2017

Flores de pessegueiro




Flores de pessegueiro


Entre as nuvens do dia
abre caminho às flores de pessegueiro
a luz que do Sol irradia...


José Rodrigues Dias, 2017-03-17

quinta-feira, 16 de março de 2017

Janelas


Peça em madeira de Carlos Figueira, Évora.
Projecto "Janelas do Alentejo".


Janelas


Abrem-se nas brancas paredes,
finos cortes, cores, recortes mais de ocres...
Escondem-se olhares, segredos...


José Rodrigues Dias, 2017-02-15

quarta-feira, 15 de março de 2017

Veste a roupa nova, veste-te...




Veste a roupa nova, veste-te...


Anda, os ninhos esperam-te,
são horas, já vem além a Primavera,
veste a roupa nova, veste-te...

A luz, o fundo azul, do dia coada
em leves cortinas de nuvens diáfanas
acorda a árvore, de pé, ainda nua...


José Rodrigues Dias, 2017-03-10

terça-feira, 14 de março de 2017

Sinais


Catedral de Évora


Sinais


Marcas nas escadas e paredes, os símbolos,
sinais de mestres construtores do templo,
crença no ser supremo sem profanos ídolos...


José Rodrigues Dias, 2017-02-25

segunda-feira, 13 de março de 2017

O tempo lento e o mar




O tempo lento e o mar


Coisas que lento o tempo lento cria,
artífice-mor o mar da vida
em relações violentas e de harmonia...

Moldados os corpos 
livres sem moldes,
lisas peles e buracos...


José Rodrigues Dias, 2017-03-13

domingo, 12 de março de 2017

Vento, ventos...




Vento, ventos...


Agita a tranquilidade da água
o vento, com os ventos
se agita a serenidade da vida...


José Rodrigues Dias, 2017-03-12

sábado, 11 de março de 2017

Semeio




Semeio


Orlas de ervas
em estradas e caminhos,
orlas de flores...

O sol veio quente,
deixei o boné do frio,
não chove, semeio...

Ninguém sabe deste tempo,
não chove, a terra quase seca, semeio,
quem sabe de fomes e sede...


José Rodrigues Dias, 2017-03-09

sexta-feira, 10 de março de 2017

Cinza e ocre


Évora

Cinza e ocre


No céu paira agora uma sombra de cinza,
mágoas abafadas, talvez, pela cidade não choradas,
mas na fachada das casas o vigor do ocre...

Talvez no  ocre
em estado permanente
o sorriso da face...


José Rodrigues Dias, 2017-03-10

quinta-feira, 9 de março de 2017

Rabiscos




Rabiscos


Na rua estreita, parada, limpa,
bordadas as paredes com janelas amarelas,
uns traços rabiscados de preto...


José Rodrigues Dias, 2017-03-09

quarta-feira, 8 de março de 2017

Puras as flores como crianças...




Puras as flores como crianças...


De terra e luz se entretecem
puras as flores como crianças,
sujas as mãos as enegrecem...


José Rodrigues Dias, 2017-03-07

terça-feira, 7 de março de 2017

A harmonia...




A harmonia...


De presidentes,
governadores, finos directores
e doutas gentes,

de lobos (de Plauto), 
de mentiras, de certos cães,  
deles falei, me cansei...

Observo então o simples,
os chilreios, os brotinhos nos ramos
e registo mais os simples...

E encanto-me naquela magia
do arco-íris abrindo-se nas sete cores,
na síntese a luz da harmonia...


José Rodrigues Dias, 2017-03-05

segunda-feira, 6 de março de 2017

Renascer...





Renascer...


A morrer,
aberto o túnel da morte,
e reviver...

E bendizer
a medicina, os homens, tudo, até a sorte
e agradecer...

Sim, o reviver
e, de todos e de tudo bem-dizendo,
sim, agradecer...


José Rodrigues Dias, 2017-03-05

domingo, 5 de março de 2017

A luz está acesa...



Catedral, Évora.


A luz está acesa...


Se à porta bater
deixa entrar o poema sem formalidades,
a luz está acesa...


José Rodrigues Dias, 2017-03-05

sábado, 4 de março de 2017

Brotinhos




Brotinhos


De novo andorinhas
alegres a poisar
nos fios às tardinhas...

Afloram nas árvores
cheios de viço
uns novos brotinhos...

Que seres brutinhos
os que dizem
que nada se renova...


José Rodrigues Dias, 2017-03-04

sexta-feira, 3 de março de 2017

Os jangadeiros


Os jangadeiros

Troncos rijos encaixados,
jangada
de artesão lançada sobre o mar
em movimentos de braços sábios
a favor e contra os ventos,

de engenho a sua vela triangular
em andamentos mesmo contra os ventos
com suas concavidades
e convexidades
como asa de aeronave
e uma velha melodia sussurrada
em seus lábios
salgados…

Jangada
bela
navegando
sobre madeiros,
redes levando na caminhada
para as trazer cheias na chegada,
braços tostados orientando a vela
do sol e sal esbranquiçada,

nós, bolinando,
os jangadeiros
da vida com traços vagos nela,
rasgos fundos dela…

2014-01-03


José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar, 178 pp, Ed. Forinfor, 2016.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Flor só...




Flor só...


Nasci flor
mas sou aqui flor só
sem amor...

Sem amor
morrerei aqui flor só
sendo flor?...


José Rodrigues Dias, 2017-03-02