quarta-feira, 24 de maio de 2017

Palavras tenras em botão...




Palavras tenras em botão...


Fresquinhos, logo pela manhã, de uma flor,
beijos puros orvalhados, palavras tenras em botão,
sim, são dádivas na mão, partilhas de amor...


José Rodrigues Dias, 2017-05-24

terça-feira, 23 de maio de 2017

Crianças, irmãs...





Crianças, irmãs...


Crianças, irmãs,
em que mundo e quando
flores de romãs?...


José Rodrigues Dias, 2017-05-23

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Mãos abraçadas à enxada...




Mãos abraçadas à enxada...


Mãos abraçadas à enxada
e dos abraços bem apertados, arrochados,
no chão a enxada cansada...


José Rodrigues Dias, 2017-05-22

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Tercetos




Tercetos


Em três versos tudo dito,
névoas ou não, como em três colunas
Templo de Diana escrito...


José Rodrigues Dias, 2017-05-18

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sentindo o afecto da terra...




Sentindo o afecto da terra...


Sentindo o afecto da terra,
olhando azuis, verdes, água fresca,
cada fruto que dela medra...

Fruto maduro...
Sabor, apesar das ervas,
fresco e puro...

Um voltar às origens,
à terra vivendo lá quase só,
mas outras as aragens...

Ritmado, o passo ponderado em cima de tractor
olhando entre oliveiras e pássaros, e um coelho,
o tempo que de lá vem e para lá já vai, sonhador...


José Rodrigues Dias, 2017-05-18

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Mar, que mar grande é o céu...





Mar, que mar grande é o céu...


Mar, que mar grande é o céu,
nuvens, ondas gigantes, olhar pequeno perdido,
ilhas, barcos, flores, pássaros...

Vai, vai e olha tu a uma janela,
não precisa de ser alta, basta ser ao rés-do-chão,
e olha como a paisagem é bela...

Abre cada janela, põe-te a olhar,
fica assim, aqui e lá longe, nos azuis, nos verdes,
sonha na aragem e fica a sonhar...

Se uma tempestade te vier,
sossega, saboreia o calor de um beijo,
será efémero o fel que vier...


José Rodrigues Dias, 2017-05-17

terça-feira, 16 de maio de 2017

(A)Braço




(A)Braço 


Cresce o braço 
que do céu enrolado
desce tão lasso...

Num azul azul
um ramo em verde fluido
neste sul a sul...

Nesta imensidão do espaço,
ao sabor de nós, de ventos, talvez da fé,
cada ser indo no seu passo...

Talvez de uma fé, de uma convicção,
em solidão ou talvez em fraterna caminhada, abraçados,
tu e eu, sós, ou juntos em comunhão...


José Rodrigues Dias, 2017-05-16

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A concha e a vela




A concha e a vela


Água que da noite lava,
pura, em concha; em vela, cristalina,
a Luz que o dia ilumina...


José Rodrigues Dias, 2017-05-15

sábado, 13 de maio de 2017

Dentro do silêncio...




Dentro do silêncio...


Mais no campo, entre silêncios,
sente-se vida a nascer, a crescer, se movendo,
fala e canto dentro dos silêncios...

O canto límpido dos grilos, noite quente,
infinitesimal, uma curgete crescendo se vendo,
a finitude de uma estrela, caindo, cadente...

Entre, dentro do silêncio, mais no campo,
sente-se um outro lado, borbulhando, cheio, vivendo,
ainda que envolto por um espesso manto...

Tocando uma ponta, ao de leve,
vai-se desdobrando em divino humano presente
ainda que sendo o instante breve...


José Rodrigues Dias, 2017-05-12

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Peregrino





Peregrino


Ergue os seus olhos, perdido,
pedindo, tremido aquele seu caminho,
em fé, a Maria, mãe, dirigido...

Ergue seus olhos, peregrino,
cumprindo, agradecido, seu caminho,
na fé, Maria, mãe, o destino...

Escorrem lágrimas
de comoção,
olhos semicerrados...


José Rodrigues Dias, 2017-05-12

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A chuva...




A chuva...


A chuva, mansamente,
desperta a manhã, pássaros em silêncio,
acorda-me lentamente...

A semente ainda adormecida
sente o tempo, chegado o seu momento,
sob a pele da terra amolecida...

A espiga já grada
debruça-se sobre o chão
dos grãos pesada...

Abre o seu regaço,
serão rosas, senhor?; não!, é pão nascido
de um seu abraço...


José Rodrigues Dias, 2017-05-11

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Praça do Giraldo




Praça do Giraldo


Depressa ou lentamente, subindo ou descendo,
eis a Praça do Giraldo..., giralmente ponto de encontro,
tempo se entretendo, uma palavra entretecendo...


José Rodrigues Dias, 2017-05-10

terça-feira, 9 de maio de 2017

Pintura de rua






Pintura de rua


No jardim uma ruína fingida,
fora, em pintura de rua, artista sem pavor,
caixa de electricidade tingida...


José Rodrigues Dias, 2017-05-09

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Frescura...




Frescura...


Se o homem ajuda
a própria luz do Sol realça
na face a frescura...


José Rodrigues Dias, 2017-05-08

domingo, 7 de maio de 2017

Ternura


Almada Negreiros, exposto na Gulbenkian.


Ternura


Olhar debruçado 
da mãe, do menino
o olhar elevado!


José Rodrigues Dias, 2017-05-07

sábado, 6 de maio de 2017

In illo tempore...





In illo tempore...


Quando era de montagem e reparação,
era de computadores, e eram mais de mil e um,
e daquela sua codificada programação,

e quando era longe o ponto de um erro,
e que longe era por vezes do que parecia,
e esse dia então ali se fazendo pequeno,

e quando o núcleo de um problema de investigação
se deitava e levantava connosco, e se sorria nas aulas...,
e em sonho uma solução se mostrava em explosão,

quando era então o tempo
das fórmulas, dos números, dos teoremas,
dos bytes a cada momento,

in illo tempore
tudo era relativamente simples
e era pequeno...

Perante um pequenino cacho de uvas em formação,
com o tempo do mundo olhando o fundo de cada mar,
hoje, quanto deleite mas sem solução a interrogação...
        

José Rodrigues Dias, 2017-05-05

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Humedecer os lábios...




Humedecer os lábios...


Choveu e não choveu,
molhou-se a terra e não se molhou,
que estranho o tempo...

Mesmo assim,
tal a secura, a falta de pão,
melhor assim...

Sempre o fruto 
humedece os lábios
para ser futuro...


José Rodrigues Dias, 2017-05-05

Apresentação de livro - Margarida Morgado




Apresentação de livro

Margarida Morgado

Enquanto (Antologia)
Editora Licorne

5 de Maio, 21 h 30 m
Bruxa Teatro
Évora.


José Rodrigues Dias, 2017-05-05

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Sorrisos de moçoila...




Sorrisos de moçoila...


Que bonita
a oliveira menina,
tão florida!

Olhinhos se abrindo no ar,
mão cheia de sorrisos de moçoila,
um encanto de Primavera...

Como papoilas no chão
balançando pela aragem da manhã
abrindo-se pela vastidão...


José Rodrigues Dias, 2017-05-04

quarta-feira, 3 de maio de 2017

O gérmen da vida...




O gérmen da vida...


De um seu ponto, o mais recôndito,
na semente ao tempo atenta, o gérmen da vida
lança-se, imparável, ao seu caminho...

Nenhum rochedo, nenhum adamastor,
detém a sua passada, impede o seu destino,
nada, ainda que com muito suor e dor...

O outro, cada um de nós,
poderá então dar, ou não, uma pinga de água
quando a cruz for pesada...


Post scriptum:

A força de um rebento
sempre me entusiasma a palavra
por forte o sentimento...

Sim, haverá inultrapassáveis adamastores,
muitos caminhos por nascer e por se cumprir,
muitos seres morrendo antes de dar flores...


José Rodrigues Dias, 2017-05-03

terça-feira, 2 de maio de 2017

Rosas de Maio




Rosas de Maio


Senhora, rosas,
rosas sem palavras a manchá-las,
rosas de  Maio...


José Rodrigues Dias, 2017-05-02

domingo, 30 de abril de 2017

Ajardinando...




Ajardinando...


Ajardinando verdes
cachos personalizados de flores
em deleite de azuis...

Em mutação eterna
azuis dos céus e coloridos da terra,
comunhão fraterna...

Porque, apesar de tudo
e de mares cheirando a chumbo,
o todo é de todos e uno...


José Rodrigues Dias, 2017-04-30

sábado, 29 de abril de 2017

As amêndoas...





As amêndoas...


As doces e as amargas,
as amêndoas, como mel e fel,
como a luz e as trevas...

Como o azul azul
do céu seguindo os ventos
e um negro negro...

Provada a amarga
que bem, que bem que sabe
uma doce docinha...

Como o homem caído
revirando-se do tombo, dos tombos,
do chão a levantar-se...


José Rodrigues Dias, 2017-04-29

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Meditar...





Meditar...


Até o Facebook à noite mo disse, que hoje choveria...
Porque em algo tenho que acreditar, não reguei a hortaliça...
Já não entendia o mundo, agora nem a meteorologia...

Sim, sinto e vejo as folhas e as ramagens, está vento...
As ideias certas, sim, não choveu, hoje ainda não choveu...,
as certezas para um longe as leva nas nuvens o vento...

Mas, assim, em que poderei confiar?
Vejo e creio, penso e existo, sinto, creio eu...
Crendo nisso, fico comigo a meditar...


José Rodrigues Dias, 2017-04-28

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Luz de Primavera





Luz de Primavera


Luz de Primavera, que força a sua!...
Acalenta raízes frias entre mãos quentes,
fluidifica seivas, corre como sangue...

Folhas e flores,
das flores os frutos,
filhos e amores...

A sebe cheia de flores
cresce, cresce cheia de luz de Primavera
e a mão cheia de dores...

Espinhos 
da rosa como da luz
sombras...


José Rodrigues Dias, 2017-04-27

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Olho nos pássaros a harmonia...




Olho nos pássaros a harmonia...


Acorda-me cedo a passarada, bem cedo,
por entre a folhagem fresca ao abrolhar do dia...
E tão feliz que a sinto, livre e sem medo...

Talvez esteja já de peito feito afinando o bico
para os primeiros figos lampos, oh, que saudade!...,
que ali sente, ainda que verdes, sabendo a mel...

E eu, acordado, sentindo o dia,
vislumbrando mares bravos, incendiados,
olho nos pássaros a harmonia...


José Rodrigues Dias, 2017-04-26

terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril...




25 de Abril...


Esvoaçando de oliveira em oliveira
uma ninhada de passarinhos chilreando
com sua mãe abraçando a liberdade...


José Rodrigues Dias, 2017-04-25

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Liberdade, Abril...




Liberdade, Abril...


Foi por aqui noite e que longa...
Fez-se a madrugada e bom dia se fazia...
Olho, sinto vir de lá a tardinha...


José Rodrigues Dias, 2017-04-24

domingo, 23 de abril de 2017

Olhos claros...




Olhos claros...
(e vão quatro...)


Hoje me digo, olhos claros,
que por ti existe e persiste o verde 
como existe a luz nos azuis...

E que, livres, nos azuis do céu
os pássaros voam e sempre voarão 
levando sementes de liberdade...


José Rodrigues Dias, 2017-04-23

sábado, 22 de abril de 2017

Nesta paz esta flor branca...




Nesta paz esta flor branca...


Enquanto por aí jogais à bola, cânticos de morte,
verde o relvado, regado, verde de verde, bem aparado,
eu sou nesta paz esta flor branca e cheia de sorte...

A aragem sabendo a sal
docemente me afaga e me embala,
macia, sem sinal de mal...

Aqui vivo sem amargura
com seres na areia puros e sóbrios como eu
mesmo que nesta secura...


José Rodrigues Dias, 2017-04-22

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Colar de flores




Colar de flores


Sobre a praia ao sabor do vento
um colar de flores 
sem palavra atinada para o dizer...


José Rodrigues Dias, 2017-04-21

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Dias de atritos...




Dias de atritos...


Dias de atritos,
de riscos, de gases malditos, de tiros,
de mil conflitos...

Mesmo um caracol se esconde
agachado em sua concha dentro de um túnel cavado
entre os espinhos de um cacto...

Que razão
abre / fecha
o coração?...


José Rodrigues Dias, 2017-04-19

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Começar, a terminar...




Começar, a terminar...

(Começar, obra de Almada Negreiros
no átrio da Gulbenkian)


Começar,
o número e a Geometria
a terminar…

Tudo aqui
na razão divina,
símbolo f...

Partenon na Acrópole, Phídias, harmonia...
Pentagrama, delta, Olho, Oriente, Arquitecto...
Gioconda, da Vinci, Pitágoras, Geometria...

Coelhos, natureza,
sequência de Fibonacci, limite,
seres, vida, beleza...

f,
número de ouro,
F...

E tudo aqui
no número irracional phi, 
f ou F, phi...

Harmonia,
fF, logotipos de livros meus 
de Poesia...


José Rodrigues Dias, 2017-03-25

terça-feira, 18 de abril de 2017

Cantam as rolas...




Cantam as rolas...


Olho as flores e o mar
do cimo da minha falésia.
Fico-me a contemplar...

Não há bombas...
Entre os cheiros da natureza
cantam as rolas...


José Rodrigues Dias, 2017-04-18

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Carreiro de luz




Carreiro de luz


Carreiro de luz
vindo lá de poente,
o Sol já se indo...

Do mar a luz em ondas,
tons dourados, inebriantes,
a falésia por ali subindo...

Eu ali assim mais pequenino,
o olhar no mar se me afundando
lembrando-me de ser menino...

Longe, então menino
sem nenhum mar de água perto
ainda mais pequenino...

Foi pela luz
que cada mar de breu
se fez de luz...


José Rodrigues Dias, 2017-04-17

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Quinta-Feira Santa



Quinta-Feira Santa


Chegou a noite, cansado,
grande já o dia, Sol alto e grande,
trabalho variado, queimado,
meados de Abril…

Morreu Gabriel García Márquez,
dia de solidão,
Cem Anos de Solidão

Jorge Amado, do mesmo lado do mar,
já tinha morrido…

Cristo morre amanhã
traído,
ceia hoje com os discípulos
em partilha:

 tomai e comei…,
bebei…,

o meu corpo…,
o meu sangue…,

em memória de mim…

 Entretanto, longe, lá muito longe,
é descoberto talvez um gémeo,
ou talvez um vago primo,
desta Terra que dura pisamos,
pó e barro,
água e pedras,
quase do mesmo tamanho,
chamaram-lhe Kepler,
Kepler qualquer coisa,
pode ter nascido planeta vivo…

(Da vida, quem sabe o quê?)

Morreu hoje Gabriel García Márquez…

Cristo morre amanhã, Sexta-Feira Santa.
Ressuscita ao terceiro dia,
no dia de Páscoa,
Primavera…

2014-04-17


José Rodrigues Dias, Tons e Sons de Primavera(s), Edição Forinfor, 2016

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Irmanados...





Irmanados...


Encontrei um passarinho,
tinha uma perna presa, piava, piava,
libertei-o mui devagarinho...

Devagarinho com cuidado
libertei o passarinho, devagarinho,
não fosse ele ficar aleijado...

Libertado
voou, livre eu voo,
irmanado...


José Rodrigues Dias, 2017-04-11

terça-feira, 11 de abril de 2017

Pelo mar...




Pelo mar...


Nasci sem mar,
só de terra os caminhos
e apenas trilhos...

Por passos de sonho 
caminhei, horas da noite iluminei,
cheguei junto ao mar...

Fundo, olho daqui esse mar 
e sinto que ao início um dia voltarei,
o mundo redondo, pelo mar...


José Rodrigues Dias, 2017-04-10