domingo, 26 de fevereiro de 2017

Restos de lágrimas...




Restos de lágrimas...


Dias de céu  ainda triste,
videiras com uns restos de lágrimas...
Logo lá vem a Primavera...


José Rodrigues Dias, 2017-02-24

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Flores de amendoeira




Flores de amendoeira


São de uma amendoeira estas flores,
olha, nós aqui a sul em terra nossa a plantámos,
de um nordeste em nós as trouxemos...


José Rodrigues Dias, 2017-02-24

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Pombas, gostam da liberdade...




Pombas, gostam da liberdade...


Pombas que gostam da cidade,
ei-las por todo o lado, água, pão, equidade...
Como eu, gostam da liberdade!


José Rodrigues Dias, 2017-02-24

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Alegre a terra...





Alegre a terra...


Vejo que a terra toda se alegra
como se fosse pessoa abandonada
quando se olha e se trata dela...

E não é uma pessoa qualquer,
é mãe, raiz, a terra, mãe de verdade,
triste se o amor filial não tiver...


José Rodrigues Dias, 2017-02-22

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Tristes as feições de senhora...




Tristes as feições de senhora...


Secos caem os seus braços,
em osso a árvore de adornos despida,
tristes as feições de senhora...


José Rodrigues Dias, 2017-02-17

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Multiplicação do pão





Multiplicação do pão


Repito-me hoje
nos actos,
repito os passos:

Mando as ervas daninhas 
aos gambozinos e às urtigas 
remexendo fundo a terra,

na terra ponho uma mão de estrume
e repito, repito,
repito o acto de remexer bem a terra,

abro bem alinhados os sulcos,
como eu gosto, com um segmento de recta,
abrindo certos os meus versos.

Pego na semente de batata
como ela própria olhando me diz
seja ora inteira ora cortada,

e alinho-a nos sulcos direitos
deitada de costas e, então, tapo-a, quente a mão,
nos lençóis de terra passada...

Depois, em silêncio,
como se ofício em templo sagrado,
como que sentencio:

Sossegai, dormi um pouco agora
e tranquila vos seja a noite, leve e macia a terra...
Agora deixo-vos, vou-me embora...

Mas ao abrirdes os olhinhos
em pequenos assomos de rebentos
eu cá estarei, logo eu voltarei...

A fome e a sede,
não as temais, deixai lá,
delas vos livrarei...

Das maleitas,
eu, eu próprio, eu
vos limparei...

E, por fim, o sorriso nos olhos,
por fim voltarei e juntos nos iremos,
sacos de nós cheios aos molhos...


José Rodrigues Dias, 2017-01-24

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Cais das Colunas




Cais das Colunas


Rio ali quase feito mar,
augusta, de saída a porta e de entrada,
ruas de ouro e de prata...

E do Sol
a Luz
e da Lua...


José Rodrigues Dias, 2017-02-20

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Mestre Joaquim Soares - R.I.P.


Mestre Joaquim Soares
(Foto da sua página de FB)
R.I.P.


Joaquim Soares, Mestre do Cante, partiu. 
R.I.P.


Em jeito de homenagem singela,
um poema:


Cante
(hoje, património da humanidade)


Mesmo triste
que o cante te liberte
abraçando-te ao outro
que contigo cante
o que lá vem
em madrugada,

o que de longe vem
ecoando em passos badalados
em horas de tempo lento
de noite fria
ou do dia
quando o sol alto lá vai
escorrendo suor
no céu baixo
apertando cada palavra
que se vai libertando,
libertando, 
enfim,
em cante,

e os pássaros
amantes da liberdade
escondidos numa azinheira 
perdida aparecida
no campo campo campo largo
contigo logo cantarão
de braço dado
em fraternidade!

2014-11-27

José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar, Forinfor, 2016.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Tempos




Tempos


Tempo de Inverno
feito pelo tempo de Primavera.
Tempo de tratar do cultivo da terra.
Tempo do Sol agora em queda.
A casa eu regresso...


José Rodrigues Dias, 2017-02-18

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Querendo eu voar...




Querendo eu voar...


Observei, sem querer, fotografias
que fui tirando pelos dias andando
quando o momento me ia ditando

e é curioso como elas são,
são momentos meus a olhar
pedaços do céu e do chão...

Meus pés no chão
e o secreto desejo a andar
querendo eu voar...


José Rodrigues Dias, 2017-02-03

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Poema triste





Poema triste


Passava e deixou de passar,
nem de automóvel nem de cajado...
Perguntei, foi parar a um lar...

Chorava
quando de lares
se falava...


José Rodrigues Dias, 2017-02-10

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O instante...




O instante...


Paredes de um branco branco
encimando um chão em recanto
sarapintado de flores brancas...


José Rodrigues Dias, 2017-02-13

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

De pão e de vinho...




De pão e de vinho...


Macia, bendigo a chuva
que agora na terra sedenta cai,
levanta-se em rebentos

de pão e de vinho
para a ceia de cada dia
e para o caminho...


José Rodrigues Dias, 2017-02-04

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Évora e os arcos




Évora e os arcos


Lá pelos arcos da cidade
habitam dias e noites quentes de Verão
não cabendo pela planície...

Com aragens passam os dias frios 
libertando-se ainda assim das noites de Inverno
que se vão amenizando nos olhares...

Porém, gente de fora e de dentro
detém-se nos arcos de encantos entranhados
a cada momento de todo o tempo...


José Rodrigues Dias, 2017-02-13

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Película de água




Película de água


Sob fina película de água
medram teias de raízes e delas brotam flores 
como em aridez de fraga...


José Rodrigues Dias, 2017-02-10

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O templo





O templo


Descera uns degraus, 
velho era aquele granito,
e segui-o, não me via.

A porta estava quase fechada, 
enorme, daquelas antigas que o tempo não come,
por pequena frincha se abrira.

Entrara. 
Ali, uns pequenos passos perdidos.
Segui-o.

Fechado o templo,
uma porta leve abrira e nele entrara,
de silêncio o ruído.

Desligo 
o telemóvel.
Segui-o. 

O templo,
vazio, enorme, ali vazio
o templo!

Vi-o de pé a olhar.
Senta-se, então, à entrada,
era ali o ocidente.

Não havia um concreto Sol
nem uma discreta Lua,
não era noite e nem era dia,

não havia árvores nem pássaros
nem frutos proibidos,
chamas também nenhuma se via.

Nenhum rio a correr ali se sentia,
nenhum mar ondulava,
nem pinga de chuva nem aragem,

havia apenas uma luz coada,
não sei que coisa a coaria
mas não era coar de nuvens

nem eram folhas de árvores
nem qualquer tipo de poluição
e também não eram sombras,

era apenas aquela luz coada,
íntima, nem quente nem fria,
era apenas aquela luz tépida

como água de banho limpa
de interioridade
em momento de reiniciação.


José Rodrigues Dias, 2017-02-09

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

No fundo do olhar...




No fundo do olhar...


O belo das coisas à tona da água
no manto reflectido, sereno, límpido, 
como a virtude no fundo do olhar...


José Rodrigues Dias, 2017-02-10

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O ser e o mistério, ad aeternum...





O ser e o mistério, ad aeternum...


Sinto que os olhinhos
das batatas
sob a pele da terra
se vão mexendo,

uns pezinhos
(talvez)
de meninos
em barriga de mãe,

preparando-se lentamente
para o nascer do dia
trazendo alegria
e alimento
a este mundo...

E assim,
nascimento e alimento,
a luz em contínuo chamamento,
alimento e nascimento,
sem fim...


José Rodrigues Dias, 2017-02-08

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Manhã leve, clara...




Manhã leve, clara...


De uma noite pesada
flores de luz emolduradas
em manhã leve, clara...


José Rodrigues Dias, 2017-02-08

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Das flores os frutos...




Das flores os frutos...


Observo do cima da idade
o que por aí, rugindo, vai passando,
bagatelas já não, obrigado...

Sinto as sementes
e semeio, pronto o chão,
olho cada rebento...

E de cada rebento
as flores enchem-me de Primaveras
ao Sol em ternura...

Das flores os frutos
cheirando a campo que colho à mão
para toda a estação...


José Rodrigues Dias, 2017-02-03

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Futebol



Editora Temas Originais, 2016.


Futebol

Poema incluído nesta Colectânea de Poemas.


José Rodrigues Dias, 2017-02-06

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Palavra puxa palavra...




Palavra puxa palavra...


Crianças lançadas pela borda fora...
Pela boca palavras bicudas...
Palavra puxa palavra mundo fora...


José Rodrigues Dias, 2017-02-05

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Interstícios breves de claridade




Interstícios breves de claridade


Entre ervas daninhas,
bombas,
palavras mesquinhas,

uns interstícios breves
de claridade
rompendo a escuridão...


José Rodrigues Dias, 2017-02-04

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Calor em ondas de afectos...




Calor em ondas de afectos...


Dia feito longo,
pequena a noite, apressada,
larga a passada...

Beijos e abraços,
sorrisos, uma castanha assada, 
outra fotografia...

Em dias de Inverno
um calor em ondas de afectos
nas ruas distribuído...


José Rodrigues Dias, 2017-02-02

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Fazer pontes...




Fazer pontes...


Ligar pontos
no espaço e no tempo,

entre eles ser o caminho
no traço
que se cria e que se faz
e que nos refaz
e nos recria
até a um destino
ainda que vago
e mesmo que perdido
algures num silvedo
desconhecido
ou num mar
do outro lado, longe,
escarpado,

no espaço e no tempo
fazer pontes...


José Rodrigues Dias, 2017-02-01

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O mundo e a alavanca...





O mundo e a alavanca...


Caminho longo de nós
como alavanca feito,
grande quanto preciso,

direita, rija
a gente
e colorida,

e um rolar de bola se pára
e para um outro lado
a alavanca o mundo move,

tal como se move
uma pedra no chão abrutalhada,
uma barra na mão...

Assim
a gente, movendo-se,
queira...


José Rodrigues Dias, 2017-02-01