sábado, 11 de fevereiro de 2017

O templo





O templo


Descera uns degraus, 
velho era aquele granito,
e segui-o, não me via.

A porta estava quase fechada, 
enorme, daquelas antigas que o tempo não come,
por pequena frincha se abrira.

Entrara. 
Ali, uns pequenos passos perdidos.
Segui-o.

Fechado o templo,
uma porta leve abrira e nele entrara,
de silêncio o ruído.

Desligo 
o telemóvel.
Segui-o. 

O templo,
vazio, enorme, ali vazio
o templo!

Vi-o de pé a olhar.
Senta-se, então, à entrada,
era ali o ocidente.

Não havia um concreto Sol
nem uma discreta Lua,
não era noite e nem era dia,

não havia árvores nem pássaros
nem frutos proibidos,
chamas também nenhuma se via.

Nenhum rio a correr ali se sentia,
nenhum mar ondulava,
nem pinga de chuva nem aragem,

havia apenas uma luz coada,
não sei que coisa a coaria
mas não era coar de nuvens

nem eram folhas de árvores
nem qualquer tipo de poluição
e também não eram sombras,

era apenas aquela luz coada,
íntima, nem quente nem fria,
era apenas aquela luz tépida

como água de banho limpa
de interioridade
em momento de reiniciação.


José Rodrigues Dias, 2017-02-09

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