sábado, 13 de maio de 2017

Dentro do silêncio...




Dentro do silêncio...


Mais no campo, entre silêncios,
sente-se vida a nascer, a crescer, se movendo,
fala e canto dentro dos silêncios...

O canto límpido dos grilos, noite quente,
infinitesimal, uma curgete crescendo se vendo,
a finitude de uma estrela, caindo, cadente...

Entre, dentro do silêncio, mais no campo,
sente-se um outro lado, borbulhando, cheio, vivendo,
ainda que envolto por um espesso manto...

Tocando uma ponta, ao de leve,
vai-se desdobrando em divino humano presente
ainda que sendo o instante breve...


José Rodrigues Dias, 2017-05-12

4 comentários:

  1. Estes tercetos são deliciosos. Lendo-o, sinto tudo palavra a palavra.

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    1. Muito obrigado, Manuel da Mata, pela simpatia das suas palavras.

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  2. Lendo este poema "dentro do silêncio", sinto que o imaginário humano se revela com uma sensibilidade extraordinária...

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    1. Quando se vai andando pelos caminhos, Amiga Alice Capela, ouvindo e vendo, a sensibilidade creio que se vai apurando cada vez mais, em particular porque o acessório se vai marginalizando... Então, o canto do grilo ganha outra dimensão... Obrigado.

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