sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Niebro, zimbro



(Do próximo livro, o primeiro poema)


Niebro, zimbro


Homem, rijo que nem zimbro antigo
em solo ardente ou em gelo ao vento,

origem de tanto caminho
de tanto e diverso destino,

inteiro
é
de pé,

mesmo se de lágrimas
e de silêncios
e noite em certos dias…

Mas se num instante o pé se perde
e do todo vai ficando apenas parte
e depois um aparentemente nada,
o homem, matéria, pequeno parte,

mas indo ainda assim de caminho,
embora outro o caminho, indo sem ir,
indo sem vir, e quase devagarinho…,

e na mão fica aparentemente um nada
mas o tempo sábio pelos ventos perfuma
todos esses caminhos e destinos da arada
onde o Homem inteiro é e não se esfuma…

Sim, niebro tu te fizeste de um nada,
os caminhos de fragas em tua arada…

2015-03-01


José Rodrigues Dias, 2017-10-13

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