domingo, 25 de fevereiro de 2018

Talvez a Vida seja a Primavera




Talvez a Vida seja a Primavera


Recolhe-se em sua casa, bem dentro de si,
a chuva lava o sujo, o vento leva o seco que já não é vida,
e a semente sente o seu tempo de renascer...

Desço ao interior do poço,
dentro de mim, o tempo é da noite
e é no silêncio que me oiço...

Recolhido, vendo sem ver, a palavra dita baixo,
não há ruído, só eu e o que digo e oiço, só eu,
chuva é uma outra coisa como o silvo do vento...

Chuva, neve e vento
são matéria do tempo limpando pragas,
dentro é outra coisa...

Lembro esse sentido da Quaresma,
da entrega, da morte, do pão, da partilha e da semente
almejando ver a Luz de Primavera...

Saio por momentos de mim, observo:
são rebentos, olha tu, são rebentos de amendoeira
a caminho de ser flor e a flor ser fruto...

Dentro dela, parecendo morta, sem viço,
há uma semente de vida, talvez a Vida seja a Primavera,
e que do interior da noite faz a luz do dia...


José Rodrigues Dias, 2018-02-25

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