sexta-feira, 9 de março de 2018

O melro e a canção da chuva




O melro e a canção da chuva


Anunciada, a chuva desce.
Entremeados, uns acordes tristes
de um melro numa árvore...

Um homem, divagando, pensa:
afinal, com esta chuva que se adensa
a charca talvez ainda se encha...

O melro cala-se, grossas as pingas forte lhe batem.
Chove. Chove mais. Agora ainda mais.
Lembro-me dos melros debicando a fruta no Verão...

Se o melro ainda se lembrasse,
imagino eu, estou a vê-lo numa primeira uva madura,
como de contente ele cantaria...

Mas tem razão, é verdade,
a chuva que forte lhe bate, o molha e lhe bate,
pouco ajuda a sua fina voz...


José Rodrigues Dias, 2018-03-09

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