segunda-feira, 2 de setembro de 2019

A Bia, a negra pega




A Bia, a negra pega


Entreaberta a porta, entrara, era uma pega…
Pelo chão do café andava, andou, parecia tão familiar
o pássaro de grande rabo, quase toda negra…

Disseram logo que era a Bia,
perguntei se era nova, que não, que era já velha,
que idade, idade não se sabia…

E tirei-lhe um retrato, dois, até mais…
Por ali andou sem debicar, era a Bia, uma velha pega!
Uma senhora dava-lhe na mão o pão…

Poderia ser gralha, era a Bia,
uma pega, do café por fim lá saiu, era uma velha pega,
e de uma mão amiga carecia…

Observo no café o andar pelos dias da gente.
Aqui e além, numa ou noutra mesa, o peso do tempo
e o aconchego do pão fresco em mão carente…


José Rodrigues Dias, 2019-09-02

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