sábado, 21 de março de 2015

Estes tempos de Primavera




Estes tempos de Primavera


Talvez vejas pouco pela tua idade
ou talvez sejas um desempregado
no campo ou em qualquer cidade...

Eu, ainda vendo, os tempos sigo,
mas quase já não me apetecendo
por ver coisas como as vou vendo.
Por isso, como sinto, assim digo:

Tudo se vai enchendo de um vazio,
uma sombra  se vê por todo o lado,
em cada olhar mais sentido o frio...

Querer ser um optimista, louco,
sorrindo ele contente a imaginar
a nova Primavera a desabrochar,
sendo muito, talvez fosse pouco…


José Rodrigues Dias, 2015-03-21

segunda-feira, 9 de março de 2015

Palavras gastas



Palavras gastas


Das palavras restou
sapato gasto sem valor,
sombra, o que ficou!


José Rodrigues Dias, 2015-03-09

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Maria



Maria


Olhar doce
como se voz fosse,

passo de veludo
em tudo,

esguia,
pia!


José Rodrigues Dias, 2015-02-25

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Dora, capitã da areia




José Rodrigues Dias, Boletim da Biblioteca Geral da Universidade de Évora,
nº1, p. 69, 2013, 
neste endereço:


* * *


A propósito do neo-realismo,
de Jorge Amado,
de Capitães da Areia,

do meu livro!...


* * *


Dora, capitã da areia


Cabelos lisos loiros compridos
De pais perdidos e assim meiga
De olhar doce como se uma mãe fosse,
Irmã do seu irmão que a morte
Só nos braços lhe deixou em sorte,
Garota feita capitã,
Mãe de outros garotos
E de outros irmã,
Namorada de Pedro loiro,
Irmã feminina da lua
Feita mulher
No lençol de areia livre ao luar,
Enterrando longe a neblina dorida
Da luta do dia
E da rua
E daquela febre alta dos mortos,
Dos seus e dos outros e depois de si,
À luz das estrelas do céu e do mar…

Estrela, uma delas Dora ela lanterna seria,
Morta de febre a amar no mar ali sepultada
Em toalha toda branca de espuma rendada…


José Rodrigues Dias, Évora, 2013-07-03

* * *


José Rodrigues Dias, 2015-02-01

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O que será do seu cão...


Foto: Pedro Leal Gonçalves


O que será do seu cão...


Quando idoso se for
o que será do seu cão,
onde chorará sua dor
aquele cão seu irmão?

Que casa o acolherá,
que carro o matará?

Quem os dois juntará,
a mesma sepultura
quem depois lha dará?


José Rodrigues Dias, 2014-10-29

domingo, 26 de outubro de 2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A rede e o mar


"A rede e o mar"

Foto de Aragão Humberto, fotógrafo amador brasileiro premiado internacionalmente, Pai do Professor Humberto de Aragão (São Paulo).
Pode ser vista no site:





A rede e o mar


Não é peixe tudo que vem à rede
mas peixe à rede vem e se enleia,
nem poema é tudo quanto se leia
como por aqui se pode ver, vede!

Se a fome a casa ronda e a gente,
conserta o barco, faz tu um barco,
tece a rede, olha, vê que se sente
um ser ser livre, expoente, marco!

Põe a rede no barco, barco no mar,
no mar a rede, espera a meditar,
de versos uma rede cheia se fará,

de peixes teus a fome se matará
dentro de tua casa, dentro de ti,
sem mais choro e ainda se sorri!


José Rodrigues Dias, 2014-10-22

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Mulher da noite




Mulher da noite


A cidade passa indiferente por ti,
És agora mais uma no corredor frio da noite,
Às vezes já do próprio dia na incerteza de cada noite,
E homens de olhar perdido no andar cinzento
Tomam-te como se tomassem um castelo,
Mas não é a ti que tomam os homens…
Eu sei que tu apagas a luz, a tua luz,
E escondes o coração na penumbra do leito
E assim o teu castelo fica a salvo,
Que isso a vida logo to ensinou…
Aliás, nem serão homens
Os que te tomam,
Serão apenas corpos, pedaços de corpos
Que no teu corpo entre gemidos e talvez risos,
Ou talvez choros,
(Choros que tu, 
Acendendo a luz por momentos,
Sossegas então em colo e peito de mulher),
Os que te tomam serão, digo eu, 
Os que querem esconder-se
Dos infortúnios dos combates dos homens
Na transitória ilusão de vitória…

Depois, mulher da noite,
Depois tu voltas a acender a luz
E já não és corpo, serás filha, serás mãe,
És mulher entre gente talvez vendida da cidade…
  

José Rodrigues Dias, Entre o Sono e o Sonho, Antologia de Poesia Contemporânea, vol. III, p. 275, Chiado Editora, 2012.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Saramago




Saramago


No dia seguinte ninguém morreu, disseste,
Livro abrindo;
Morte em intermitência…
Hoje, disseram que morreste,
Notícias abrindo;
Morte em permanência…

Agora, José, que morreste,
(Morreste?)
Que outro mar passaste,
Como que a caminho de outra Lanzarote,
Diz, José, há vida em morte
Como há morte em vida sem sorte?
Ou sem norte?
Há intermitências de vida em morte?
Há dor e amor?
Há Criador?

Morto vivo, renasceste depois de morto.
Hoje, morto?
Morto, manter-te-ás vivo, morto!


J. Rodrigues Dias, Poiesis, Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea, Vol. XIX,  Editorial Minerva, 2010. 

segunda-feira, 3 de março de 2014

Cerimónia de Entrega do Prémio Vergílio Ferreira 2014


Professora Ofélia Paiva Monteiro


Cerimónia de Entrega do Prémio Vergílio Ferreira 2014


Na próxima segunda-feira, dia 3 de março, pelas 15 horas, tem lugar na Sala dos Atos da Universidade de Évora, no Colégio do Espírito Santo, a cerimónia de entrega do Prémio Vergílio Ferreira. Este ano o galardão distingue Ofélia Paiva Monteiro, Professora Catedrática aposentada de Literaturas Francesa e Portuguesa da Universidade de Coimbra.

O júri decidiu atribuir o prémio a Ofélia Paiva Monteiro pelo seu “perfil de grande investigadora e de autora que brilha pela profundidade e subtileza especulativa na sua vasta obra ensaística, que incide particularmente em Almeida Garrett, mas também em outros autores marcantes da literatura portuguesa.”

O Prémio Vergílio Ferreira, instituído pela Universidade de Évora em 1997, destina-se a galardoar anualmente o conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa relevante no âmbito da narrativa e/ou ensaio. Um prémio que pretende homenagear o escritor de “Aparição”, que entre 1945 e 1958 lecionou no Liceu de Évora, período da sua vida que acabaria por influenciar a sua obra


Galardoados com o Prémio Vergílio Ferreira

Maria Velho da Costa (1997); Maria Judite de Carvalho (1998); Mia Couto (1999); Almeida Faria (2000); Eduardo Lourenço (2001): Óscar Lopes (2002); Manuel de Aguiar e Silva (2003); Agustina Bessa-Luís (2004); Manuel Gusmão (2005); Fernando Guimarães (2006); Vasco Graça Moura (2007); Mário Cláudio (2008); Mário de Carvalho (2009); Luísa Dacosta (2010); Maria Alzira Seixo (2011); José Gil (2012); Hélia Correia (2013).

Fonte: UELINE