quinta-feira, 24 de março de 2016

Quinta-Feira Santa


Quinta-Feira Santa


Chegou a noite, cansado,
grande já o dia, Sol alto e grande,
trabalho variado, queimado,
meados de Abril…

Morreu Gabriel García Márquez,
dia de solidão,
Cem Anos de Solidão

Jorge Amado, do mesmo lado do mar,
já tinha morrido…

Cristo morre amanhã
traído,
ceia hoje com os discípulos
em partilha:

 tomai e comei…,
bebei…,

o meu corpo…,
o meu sangue…,

em memória de mim…

 Entretanto, longe, lá muito longe,
é descoberto talvez um gémeo,
ou talvez um vago primo,
desta Terra que dura pisamos,
pó e barro,
água e pedras,
quase do mesmo tamanho,
chamaram-lhe Kepler,
Kepler qualquer coisa,
pode ter nascido planeta vivo…

(Da vida, quem sabe o quê?)

Morreu hoje Gabriel García Márquez…

Cristo morre amanhã, Sexta-Feira Santa.
Ressuscita ao terceiro dia,
no dia de Páscoa,
Primavera…

2014-04-17


José Rodrigues Dias, Tons e Sons de Primavera(s), 2016

domingo, 20 de março de 2016

Equinócio da Primavera




Equinócio da Primavera

  
Maiores vieram as sombras, os negros e as noites
envolvendo as coisas, os homens e a própria luz,
o olhar da gente caído de frio,
cinzento o tempo de solstício.
Assim era!
E assim foi!

Mas, depois, com o tempo do Sol
faz-se um novo tempo,
o dia mais dia,
a noite menos noite…

Os rebentos despertam
com a chegada da passarada
e a manhã apressa-se.

Demora-se a tardinha
no caminho de um olhar
mais caloroso da gente…

2012-03-20


José Rodrigues Dias, Tons e Sons de Primavera(s), 
Forinfor, Março, 2016.

terça-feira, 8 de março de 2016

Mulher


Museu do Aljube, 
Resistência e Liberdade, Lisboa.


Mulher


Como seria inteira 
no correr do tempo a história
se a mulher ausente?...

A mulher resistente, 
vigilante, constante, memória,
mulher companheira!...

Inteira só a história
com a mulher e companheira
e é com a memória!...


José Rodrigues Dias, 2016-03-08

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Vê, Tomé!... (Vê, Einstein!)





Vê, Tomé!...
(Vê, Einstein!)


Entretecendo mil ideias,
tecendo o espaço e o tempo,
o tolo tudo concebendo...

Bastas ideias muito loucas,
postulados e outras coisas mais
como de gradientes e rotacionais,
orelhas um pouco moucas,

viajando de Newton para umas ondas gravitacionais
como as de uma criança atirando pedras a um lago
deslocando umas plumas leves dum pato sossegado,

mas em outras dimensões
e a coisa com outra dimensão,
buracos negros, buracões,

onde a luz se perto passasse
se dobrasse,
caísse
e adormecesse...,

só vendo, como Tomé
(Como?... A luz ali anoitecia?...),
eis a humana conclusão...

Antenas no espaço e no tempo
orientadas como dedos espetados
e eis as plumas em movimento!

Vê, Tomé!...


José Rodrigues Dias, 2016-02-12

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

SNS, o teu poema perfeito


António Arnaut

Parabéns, 
hoje, 28 de Janeiro de 2016, 
dia de aniversário (80 anos).


SNS, o teu poema perfeito

(Pequena homenagem a António Arnaut,
obreiro do Serviço Nacional de Saúde, 35 anos depois)


Teu o poema perfeito

(em tempo: digo quase perfeito
por no tempo se ter retrocedido,
tu triste, magoado, ofendido,
o poema a sentir-se desfeito…),

de ti, luz de vela, o sonho nascido
a régua e a esquadro,
aberto, bem aberto, o compasso,
todos à ordem,
o horizonte largo,

poema verso a verso burilado
em cada letra soletrada em nova palavra
em chão matizado em lavra
de solidariedade,
cada homem um irmão,
qualquer o seu género e a idade,
braços abraçados,
mão na mão,

eis, mundo inteiro,
o poema,
eis a saúde
feita aqui universal
e do homem um direito,
ei-la,
a saúde!

A saúde,
ei-la
em liberdade!

E, assim, Homem,
teu o poema justo e perfeito
na luz iniciado,
a constituição
livro primeiro sagrado!

De ti, poeta e obreiro de oriente,
o poema perfeito
(pelo tempo feito imperfeito)
no peito da gente,

o teu poema decerto preferido
verso a verso construído,

em cada verso um nome,
o nome de cada homem nascido,

não importando
quem é,
a quem pertence o sobrenome,
de que gente é o homem
que ali está dorido
como outro qualquer nascido,

apenas se indagando
com o coração
e as ferramentas na mão,
auscultando...

Senhor, onde lhe dói,
onde começou, quando, como foi,
onde é a sua dor?

Senhor doutor, mas quanto será?

Será o que for,
senhor,
não importa o que custará,
será o que tiver que ser,
vamos é ver
essa dor
e outra dor precaver...

Senhor,
vamos lá ver
essa dor…


José Rodrigues Dias, 2014-09-15

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Nu


Aragão Humberto
Fotógrafo amador brasileiro premiado internacionalmente,
Pai do Prof. Humberto de Aragão (São Paulo).

[Humberto Aragão (A.B.A.F), Nu. 1952.
Fonte: Catálogo do V Salão FCES.]

Outras fotografias e poemas alusivos em:



Nu

Uma nuvem de luz entretecida
a tua cobertura,
tu toda nua,
puro o nu,
a tua face descaída, 
um rosto de ti, 
de ninguém, 
detalhes escassos 
em rasgos 
de nuvem aquecida,
de ti,
de ninguém,

um rosto vago 
pendido
de alguém te mirando,
talvez tu,
tu, 
a ti própria te olhando,
talvez teu braço 
erguido,

um mamilo de nariz empinado despontando 
e um púbis negro vislumbrado,
denso, emaranhado,
lembrando aberta uma mão
tapando um chão descoberto
e a maçã de Adão
clamando o velho pecado…

Sentença perene 
em folha púdica de proibição
em remissão breve de arte
ad hoc
e ao de leve
ainda que definitiva,

mel e fel
e o diabo
de fruto bravo proibido
se fora do seu tempo de maturação
ou se de uma árvore alheia
ele for colhido,
o diabo…

Um nu
quase encoberto
por um manto de sombras
mas quase descoberto
por rasgos de luz,
o olhar perdido,

apenas um nu
de um corpo maduro 
enaltecido
de uma mulher
em primavera
que nascera puro
como tudo que de amor se fizera!

José Rodrigues Dias, 2014-07-18

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Salut, Salu!


Luís Martins, Beato Salu.
(Desconheço a autoria da foto).


Ontem, segurando pedras da cidade, 
encontrei o Amigo Luís. 
Gostei de o rever.

Abraço, Luís!


Deixo, como lembrança, 
um poema publicado em 2011.


Salut, Salu!


Não sei de onde vieste e por que deixaste
Os caminhos por onde novo e outro andaste,
Se outro diferente foste noutros idos dias!
Sei que em caminhos que em Évora alisaste
Comigo sempre a andar longe e perto te cruzaste
Com um sorrido e certo “Olá, senhor Dias”!

Não sei quando o nome eu to disse
Ou como o nome tu certo o soubeste!
Do teu, no teu andar longe e perto,
Nunca o nome tu mo disseste,
Nunca do teu apelido me falaste,
Sempre Salu ficou incerto.

Não sei de onde vieste e por que deixaste
Os caminhos por onde novo e outro andaste,
Se outro diferente foste noutros idos dias!
Sei que pelos apertados carreiros da vida 
Em que se caminha da decisão não partilhaste.
Sabedoria a tua, que desta vida tu já sabias
E outras, muitas outras, cabeças não!

Não sei de onde vieste
E se outro diferente foste.
Sei que vais ficar, que já ficaste
Nas pedras polidas desta Cidade
Junto das outras Pedras vivas já sem idade!

Salut, Salu!


José Rodrigues Dias, Traçados Sobre Nós, Chiado Editora, 2011.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Como obter o livro "FIAT LUX (no ano da Luz)"


Capa

Contracapa


Como obter o livro "FIAT LUX (no ano da Luz)"


Este meu 3º livro de Poesia teve uma edição reduzida.

Caso pretenda adquirir (10 E) um exemplar autografado,
é favor contactar-me, sem compromisso,
por este e-mail do blog:

tracadossobrenos@gmail.com

O envio (incluído) será por correio verde.

Obrigado.


José Rodrigues Dias


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Convite - Apresentação do meu livro Fiat Lux (no ano da Luz)


Contracapa do livro


CONVITE 


Apresentação do meu livro

FIAT LUX

(no ano da Luz)


Dia 4 de Dezembro, sexta,
18 horas,
sede distrital da ASSP, 

Rua Chafariz D'El Rei nº 31,
Évora.

Veja, por favor, mais informações no post seguinte.

Será muito bem-vindo!


José Rodrigues Dias