sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Mãe, da raiz o rebento




Mãe, da raiz o rebento


Da raiz o rebento no aconchego do coração...
Nem frio nem fome, sem dores, na palma da mão...
Do início da concepção ao voo da libertação...                     


José Rodrigues Dias, 2017-12-08

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Como gotas em taças de vinho




Como gotas em taças de vinho


Tão unidas como gotas
em taças de vinho se abrindo,
pétalas de flores roxas...


José Rodrigues Dias, 2017-12-07

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Madiba




Lembrando Nelson Mandela, 

poema de 2013, aquando da sua morte, incluído neste livro de 2016.

* * *  


 Madiba


Hoje, no terreiro grande,
nesse misto de comoção e festa,
homens de olhares coloridos
te sentem e cantam
livre sem cor
com sorrisos
sem dor
de ti preso nascidos,

é o nosso canto
de encanto
libertando amor
durante a tua sesta,

é comoção
feita quase festa
de humana libertação…

2013-12-06

José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar, Ed. Forinfor, p. 152, 2016

* * *  

José Rodrigues Dias, 2017-12-06

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

As flores e a caverna de Platão




As flores e a caverna de Platão


Bailam sombras na parede
ao sabor da aragem 
brincando com lindas flores...

Ah, estivesse eu preso,
ignorante em caverna de Platão,
como perderia as flores...

Os tons da vida, as cores,
sem nada saber de não ver, apenas sombras,
desterrado, preso em rede...
 

José Rodrigues Dias, 2017-12-05

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Da luz de cada esquina um sonho





Da luz de cada esquina um sonho


Da luz de cada esquina um sonho,
de cada sonho um voo, alto, longe, à luz do tempo,
o sorriso na força que nele ponho...


José Rodrigues Dias, 2017-12-04

domingo, 3 de dezembro de 2017

A Lua, o Sol, tu e a chuva




A Lua, o Sol, tu e a chuva


Deita-se o Sol
a poente, a nascente 
ergue-se a Lua...

Lua de ventre tão cheio
que de enigmas se foi enchendo,
de mistério agora cheio...

De um ramo de uma antiga oliveira
onde com o tempo devagar vou subindo
pergunto-lhe quando traz ela chuva...

De encolher seus ombros,
dos mistérios o seu gesto imperceptível,
senti que nem ela sabia...

E, então, ela naquele enigma doce ali tão perto,
pergunto-lhe se o Sol, seu dual companheiro, saberia.
Diz-me, olhando, que já nem ele sabia ao certo...

Olhos nos olhos: Então, Lua!...
Responde ao meu rosto com o seu:
Olha-te, talvez seja culpa tua...


José Rodrigues Dias, 2017-12-03

sábado, 2 de dezembro de 2017

Árvore da sabedoria




Árvore da sabedoria
 

Lenta aumenta, crescendo, a árvore da sabedoria,
talvez uma antiga oliveira já bem anciã dos princípios do tempo,
tronco rugoso, a pele gretada da vida de cada dia...

Ei-la sempre aqui junto de nós,
tranquila, sábia decerto, sábia tanto que nem sabemos,
mas tão sóbria aquela sua voz...

Tocá-la e subir pelo seu tronco em liberdade,
devagar, conversando com ela, mesmo com palavras,
mas sem egoísmo nem pressa nem ansiedade...

Pelos seus ramos divagando
cada ramo se vai mostrando aos iniciados
e na luz sorrindo vai falando...

Uns bagos de azeitona
no ramo certo maturados para um fio de ouro
lá vão surgindo à tona...

E se, por acaso, escondido encontrares um ninho
lá entre os seus ramos altos, em plumas envolto,
deixa-o, discreto, é o lugar sagrado do passarinho...


José Rodrigues Dias, 2017-12-02


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Profano e sagrado




Profano e sagrado


Fundo, azul o céu
do Sol
sem nenhum véu...

Dia feriado profano...
Um sino ecoa no branco do campanário, branco,
a lembrar o sagrado...


José Rodrigues Dias, 2017-12-01

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Critica


 
(A propósito do Dia Mundial do Professor)


Critica


Não, não escrevi no título “Crítica”, o que sempre gosto de fazer, olhos nos olhos, letras certas no sujeito, que assim mo ensinou o Mestre que mais recordo e mais a vida me marcou: o de Filosofia. Ele formava, ensinando a perguntar sempre. Por quê? Ou porquê? Sempre perguntando! Era um Mestre. Então adolescente, nunca lhe disse isto. Seria um atrevimento para um aprendiz. Hoje, já ontem, gostaria muito que isto ele soubesse, onde quer que esteja, talvez recreando-se depois do trabalho justo e perfeito.

Assim esse Mestre me formou e assim me formei. Talvez por isso, curiosamente, optei pela objectividade dos circuitos e dos números. Ou melhor, pela crítica da objectividade do quantitativo. Aí, apareceu o talvez, em mistura do indefinível e do subjectivo! O provável! Aqui, a relatividade das palavras e da sua posição, da sua paragem e da sua continuação. Ontem, a explosão feita da incerteza da posição! Einstein, 1905. Hoje, a inclusão e a exclusão. O preto e o branco. A síntese. Aqui, agora, as leis que temos. Em todo o lado, e já ontem, as leis como as temos. As leis que, aqui incertas, não legislam certo.

Quando, pela primeira vez, olho um aprendiz, aprendiz como eu, que nem sempre há muitos, que quase todos somos logo mestres, digo-lhe: critica! Quando penso que seja a última vez, repito-lhe: critica!

A crítica séria não é pão hoje. Mas amanhã só haverá pão se hoje houver crítica. Sério, critica, então. Teremos amanhã pão!

Sabes, o rei vai nu! Mesmo nu, não te parece?


José Rodrigues Dias, Traçados Sobre Nós, Chiado Editora, 2011.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Bosão de Higgs, a partícula de deus e do diabo



(A propósito de outro Prémio Nobel de Física, 2013)


Bosão de Higgs, a partícula de deus e do diabo



Tu, que és muito feminina,
quase mulher,
bela, altiva, fugidia,
o homem esbaforido atrás de ti
pelas montanhas alpinas escondida
em jogo de gato e rato
de enamorados,
enguia,

tu, assim muito feminina,
capa de revista,
a senhora do ano…,
partícula de deus
costela
feiticeira do homem,

buraco grande negro enorme
e aquele vácuo,
um vácuo em catástrofe 
do diabo,

um nada muito feminino
escondido
conferindo massa e volume e contornos
e talvez uma certa harmonia
ao coração e a tudo,
fugindo,

mas num dia de stress muito alto
talvez a instabilidade
e o colapso
no tempo e no espaço
do homem inteiro
perseguindo em todos os infinitos
o além,

como louco, loucamente,

por subtis veredas
de luz
e sombras

que ora são de salvação efémera
em noite de exaltação de mestre
ora de total destruição, perpétua,

de deus…,
oh partícula
do diabo!,

paixão do homem, 
maçã de Adão…

2014-09-10

José Rodrigues Dias,  Poemas daquém e dalém-mar, Ed. Forinfor, 2016.