sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

E agora, José?




E agora, José?


Este ano a acabar, e agora, José?
Ano de poemas todos em tercetos, uns mil, mil e tal...
Para o ano que aí vem como é?

Tercetos simétricos,
bem vejo, eixo de simetria o verso segundo,
simetria geométrica...

Ideias, palavras livres e condicionadas,

condicionadas mas livres, livres todas dançando,
linhas de triângulos isósceles traçadas...

Talvez agora um pequeno retiro teu,
um retiro de fim de ano, vai,
questionando tudo quanto aconteceu...

Cada verso irá ser,
depois, em cada poema,
como ele te disser... 


José Rodrigues Dias, 2017-12-29

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A dança e o poema




A dança e o poema


O palco livre,
olho as palavras
e digo: então?

Então olham-se
sem sinal de admiração,
olham-me então...

Lá salta a primeira,
logo depois a segunda,
salta logo a terceira...

E lá dançam,
precisam no palco de outras duas
que chamam...

E a dança 
livre lá vai acontecendo,
e dançam...

E chamam para a dança,
com sinais, sons e luz, quantas irmãs
precisam naquela dança...

E é assim
que cada poema da dança do dia
acontece...


José Rodrigues Dias, 2017-12-28

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Nem chuva nem Sol nem palavra nem poema, moinha




Nem chuva nem Sol nem palavra nem poema, moinha


Tarde de nem chuva nem Sol:
da chuva uma moinha miudinha
e assomos escondidos do Sol...

Concreta de lá não vem
a palavra e o poema
por ser difuso não se vai...

O ser que não anda
por ser moinha
nem deixa de andar...


José Rodrigues Dias, 2017-12-27

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Da palavra o poema




Da palavra o poema


Do impulso a palavra
rebenta incontida
de cada onda mareada...

Nada e ninguém
a contém
no ser indomada...

Onda a onda o mar 
em movimento, em movimento
da palavra o poema...


José Rodrigues Dias, 2017-12-26
 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O Menino




O Menino


Sua cabeça partida,
o Menino 
no leito torcido jazia...

Maria e José o olhavam,
eu o olhava, a sua cabeça partida,
ele pequenino me olhava...

Um imprevisto,
uma queda inesperada,
cabeça partida...

Segurei-a com cuidado e ternura
e ao corpo com muito jeito e doçura a liguei
sentindo que o Espírito respirava...

Era o Espírito de Natal
que ali se sentia
que do Menino emanava...


José Rodrigues Dias, 2017-12-25

domingo, 24 de dezembro de 2017

Um Natal com Saúde, Paz e Pão




Um Natal com Saúde, Paz e Pão


Sem outras palavras, supérfluas,
a macular o tempo:
Um Natal com Saúde, Paz e Pão.



José Rodrigues Dias, 2017-12-23


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Da beleza e do número phi




Da beleza e do número phi


Volto à ideia de belo
através do número phi, phi de Phidias...
De muito lado o olho... 

No triângulo, no pentagrama, por todo o lado,
no sagrado, no profano, na proporção áurea, divina,
e cada vez em sua harmonia o sinto mais belo...

Poema, número phi,
a beleza em enigma de Mona Lisa,
segredo dentro de si... 


José Rodrigues Dias, 2017-12-21

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O Solstício, o Menino e o Rio





O Solstício, o Menino e o Rio

 
Lá vai o nosso Rio
ora apressado ora lento,
é tempo de Sol frio...

Não sei para onde ele corre,
corre decerto para um fim,
no fim um rio em mar morre...

Então, de uma nascente o novo Rio
como o Menino de Mãe, o Homem renasce,
é num tempo de um outro Solstício...

Um ser morre,
de dentro
do Ser renasce...


José Rodrigues Dias, 2017-12-16

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A luz e a entrada do templo



A luz e a entrada do templo


Neste entardecer
só a luz tem as palavras
para o descrever...


José Rodrigues Dias, 2017-12-20


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Janelas de pedra




Janelas de pedra


Lado a lado,
janelas do tempo em pedra,
guerra e paz...

Rija de guerra
a pedra em vigia, em arco
dúctil a de paz...


José Rodrigues Dias, 2017-12-19

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

domingo, 17 de dezembro de 2017

O Templo e a Luz




O Templo e a Luz


Imponente
cada coluna à entrada
do Templo...

Do silêncio da noite 
a Luz revela-se dentro
ainda mais intimista...

E o olhar 
desperta no verbo
nova Luz...

E a Luz amplia
no fluir da interioridade
outros sentidos...

De outros sentidos
e da Luz
novos sentimentos...


José Rodrigues Dias, 2017-12-17

sábado, 16 de dezembro de 2017

Renascimento




Renascimento


Despe-se a árvore 
da roupa velha, 
as folhas amarelas...

Sim, o homem
também se despe de um tempo
que já passou...

Porque é tempo
de um novo tempo, de interioridade,
de renascimento...


José Rodrigues Dias, 2017-12-16

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Espírito de Natal




Espírito de Natal


Erguem-se alegrias
como luz
de tristezas de dias...

De outono os dias,
folhas
caindo de letargias...

Os braços abraçados,
a luz na mesa acesa,
uns poemas cantados...

Outonos e invernos em espírito de Natal
com menos cabeça caída, menos morte, mais vida,
ainda que pecando com alguns doces e sal...

Liberta a alegria
como luz 
que ilumina o dia... 


José Rodrigues Dias, 2017-12-15

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

E, correndo, o cão lá foi




E, correndo, o cão lá foi


À beira-mar passeando, lado a lado, diz-lhe o cão:
vai tu indo, vou dar um mergulho, fazer com ele uma selfie,
só um instante breve, vai tu indo que já te apanho...


José Rodrigues Dias, 2017-12-14
 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O altar e a luz




O altar e a luz


Adornado,
no altar a chama
de uma luz...


José Rodrigues Dias, 2017-12-13
 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O palácio e o vaso de sardinheiras




O palácio e o vaso de sardinheiras


Sardinheiras
dão brilho
a um palácio...

Um palácio com traços de história
ilumina
um vaso de sardinheiras vermelhas...

O todo
é feito na harmonia
de tudo...


José Rodrigues Dias, 2017-12-12

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Das gotas




Das gotas


Cheias
caem gotas
gordas...

Pressentindo, abre-se o chão
de sedentas as raízes e as sementes
ficando logo a levedar o pão...

Depois, e gota a gota,
de todas as gotas em excesso 
encher-se-á a charca...

Sim, que até as andorinhas
logo pela Primavera em voos rasantes 
gostam de lá molhar o bico...


José Rodrigues Dias, 2017-12-11

domingo, 10 de dezembro de 2017

Espera sentado o pescador



 
Espera sentado o pescador
 
 
Velho mas ainda sonhador,
de cana no ar, na rocha o peixe do mar
espera sentado o pescador...


José Rodrigues Dias, 2017-12-10

Mar em acalmia




Mar em acalmia


Eu nesta acalmia, nesta mansidão,
e tu com todo esse medo de mim
com pedras à porta em prevenção...



José Rodrigues Dias, 2017-12-09