E agora, José? Este ano a acabar, e agora, José? Ano de poemas todos em tercetos, uns mil, mil e tal... Para o ano que aí já vem como é? Tercetos simétricos, bem vejo, eixo de simetria o verso segundo, simetria geométrica... Ideias, palavras livres e condicionadas, condicionadas mas livres, livres todas dançando, linhas de triângulos isósceles traçadas... Talvez agora um pequeno retiro teu, um retiro de fim de ano, vai, questionando tudo quanto aconteceu... Cada verso irá ser, depois, em cada poema, como ele te disser... José Rodrigues Dias, 2017-12-29
A dança e o poema O palco livre, olho as palavras e digo: então? Então olham-se sem sinal de admiração, olham-me então... Lá salta a primeira, logo depois a segunda, salta logo a terceira... E lá dançam, precisam no palco de outras duas que chamam... E a dança livre lá vai acontecendo, e dançam... E chamam para a dança, com sinais, sons e luz, quantas irmãs precisam naquela dança...
E é assim que cada poema da dança do dia acontece... José Rodrigues Dias, 2017-12-28
Nem chuva nem Sol nem palavra nem poema, moinha Tarde de nem chuva nem Sol: da chuva uma moinha miudinha e assomos escondidos do Sol... Concreta de lá não vem a palavra e o poema por ser difuso não se vai...
O ser que não anda por ser moinha nem deixa de andar... José Rodrigues Dias, 2017-12-27
Sua cabeça partida, o Menino no leito torcido jazia...
Maria e José o olhavam, eu o olhava, a sua cabeça partida, ele pequenino me olhava... Um imprevisto, uma queda inesperada, cabeça partida... Segurei-a com cuidado e ternura e ao corpo com muito jeito e doçura a liguei sentindo que o Espírito respirava... Era o Espírito de Natal que ali se sentia que do Menino emanava... José Rodrigues Dias, 2017-12-25
O Solstício, o Menino e o Rio Lá vai o nosso Rio ora apressado ora lento, é tempo de Sol frio... Não sei para onde ele corre, corre decerto para um fim, no fimum rioem mar morre...
Então, de uma nascente o novo Rio como o Menino de Mãe, o Homem renasce, é num tempo de um outro Solstício... Um ser morre, de dentro do Ser renasce... José Rodrigues Dias, 2017-12-16