segunda-feira, 2 de julho de 2018

Digital, máquina apenas



 
Digital, máquina apenas


Digital,

feita de zeros e uns,
do que é e não é,
luz e trevas…
 

Apenas isso,
máquina apenas,
luz e trevas
plenas…

Como poderia entender
um talvez,
uma sombra,
uma lágrima nascida
retida?

Ou umas gotículas de água
num botão de rosa
pela manhã,

uns tons de salmão,

brincando
como crianças
na aragem?


José Rodrigues Dias, 2012-06-30


domingo, 1 de abril de 2018

Páscoa



Páscoa


A Luz irrompe das trevas,
da terra funda
que foi túmulo,
porque a Luz é mais forte
que a morte
e o que a morte inunda…

A Luz rompe a pedra
que a cobre,
irrompe em novo dia
e se eleva…

O pássaro que na noite jazia
no jardim sob um manto de folhas
pressente a Luz
pelo despertar da manhã,
acorda o Sol
e canta a Primavera
e a harmonia!

E canta, canta,
canta
para todos nós!

Passagem a outro tempo
de recriação,

como Luz
em ovo
que se abre
em movimento

(de Alfa para Ómega),

sem sombras os olhares,
os olhos límpidos
de milagres
como a Luz…

2014-04-20


José Rodrigues Dias, Tons e Sons de Primavera(s), Ed. Forinfor, 2016.

sábado, 31 de março de 2018

Sabbatum Sanctum



Sabbatum Sanctum


Dia de espera,
espera
de esperança
de vida
de túmulo nascida…

Quem espera
alcança…

Dia da Senhora da Solidão,
filho no chão,
irmão,
tempo de solidão…

Por que tanto se desespera,
tanta guerra,
irmão?

Tempo de espera,
de solidão...

2014-04-19


José Rodrigues Dias, Tons e Sons de Primavera(s), Ed. Forinfor, 2016

sexta-feira, 30 de março de 2018

Sexta-Feira Santa




Sexta-Feira Santa

 
Crucificado,
traído,
Cristo,
hoje morto…

A morte,
momento de passagem,
três dias,
Páscoa,
uma imagem...

A vida,
todo o outro tempo…

Aqui, noutro império,
crucificados,
traídos,
mutilados,
sem quase próprios pecados,
durante quanto tempo
a passagem?


2014-04-18


José Rodrigues Dias, Tons e Sons de Primavera(s), Ed. Forinfor, 2016.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Quinta-Feira Santa


 


Quinta-Feira Santa


Chegou a noite, cansado,
grande já o dia, Sol alto e grande,
trabalho variado, queimado,
meados de Abril…

Morreu Gabriel García Márquez,
dia de solidão,
Cem Anos de Solidão

Jorge Amado, do mesmo lado do mar,
já tinha morrido…

Cristo morre amanhã
traído,
ceia hoje com os discípulos
em partilha:

 tomai e comei…,
bebei…,

o meu corpo…,
o meu sangue…,

em memória de mim…

 Entretanto, longe, lá muito longe,
é descoberto talvez um gémeo,
ou talvez um vago primo,
desta Terra que dura pisamos,
pó e barro,
água e pedras,
quase do mesmo tamanho,
chamaram-lhe Kepler,
Kepler qualquer coisa,
pode ter nascido planeta vivo…

(Da vida, quem sabe o quê?)

Morreu hoje Gabriel García Márquez…

Cristo morre amanhã, Sexta-Feira Santa.
Ressuscita ao terceiro dia,
no dia de Páscoa,
Primavera…

2014-04-17


José Rodrigues Dias, Tons e Sons de Primavera(s), Edição Forinfor, 2016

quarta-feira, 14 de março de 2018

Dia do Pi




Dia do Pi

(Escrito e publicado aqui no blog há cinco anos)


Hoje será, também, o Dia do Pi, instituído em 1988 (há 25 anos), nos Estados Unidos. Curiosamente, neste dia nasceu também Albert Einstein (1879).

Hoje porque é 3/14 (Março/14) e o valor de Pi é 3,14...

O Pi é a razão constante entre o perímetro de uma circunferência e o seu diâmetro.

É um dos números mágicos, simbólicos, iluminando muitos caminhos, encobrindo mistérios, desafiando deuses...

Uma dezena de anos, aproximadamente, antes de Pi ter o seu dia, passava eu muitos dias à sua volta, namorando-o (ao mesmo tempo que ao "e") em jogos de encontros e desencontros probabilísticos, usando um mini-computador dos primeiros... Um computador com 8 K ou 16 K... Tanto que com ele se fazia...

Desse labor nasceu uma das minhas primeiras publicações, em livrinho, cuja capa apresento, como lembrança, acima. Tem algumas particularidades: iniciou a série "Ciências Exactas" das "Publicações Universidade de Évora", ainda com "Instituto Universitário de Évora" no logotipo, com a respectiva "Pomba", com o azul das Ciências Exactas.

É como elemento quase histórico que hoje o recordo...


José Rodrigues Dias, 2013-03-14

domingo, 31 de dezembro de 2017

E o mundo move-se


Votos de um Próspero Ano Novo!


E o mundo move-se


E o mundo move-se,
esta bola rola, desenrola o novelo que enrola,
nasce-se e morre-se...

Um ano morre,
do movimento, da entropia, do tempo,
e um ano nasce...

De suas glórias e misérias,
morto o ano, RIP, que descanse em paz
e o novo que viva próspero...


José Rodrigues Dias, 2017-12-30

sábado, 30 de dezembro de 2017

Rosa de Dezembro



Com votos de um Feliz Ano de 2018!


Rosa de Dezembro


Ah, rosa de Dezembro
trazendo já odores e cores
do Novo Ano em Maio...

Porque sinais, sentidos,
do tempo
sempre nos entrelaçam...


José Rodrigues Dias, 2017-12-30


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

E agora, José?




E agora, José?


Este ano a acabar, e agora, José?
Ano de poemas todos em tercetos, uns mil, mil e tal...
Para o ano que aí vem como é?

Tercetos simétricos,
bem vejo, eixo de simetria o verso segundo,
simetria geométrica...

Ideias, palavras livres e condicionadas,

condicionadas mas livres, livres todas dançando,
linhas de triângulos isósceles traçadas...

Talvez agora um pequeno retiro teu,
um retiro de fim de ano, vai,
questionando tudo quanto aconteceu...

Cada verso irá ser,
depois, em cada poema,
como ele te disser... 


José Rodrigues Dias, 2017-12-29

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A dança e o poema




A dança e o poema


O palco livre,
olho as palavras
e digo: então?

Então olham-se
sem sinal de admiração,
olham-me então...

Lá salta a primeira,
logo depois a segunda,
salta logo a terceira...

E lá dançam,
precisam no palco de outras duas
que chamam...

E a dança 
livre lá vai acontecendo,
e dançam...

E chamam para a dança,
com sinais, sons e luz, quantas irmãs
precisam naquela dança...

E é assim
que cada poema da dança do dia
acontece...


José Rodrigues Dias, 2017-12-28