domingo, 7 de julho de 2019

Entre a luz e o silêncio




Entre a luz e o silêncio


Entra suave
a luz nos claustros do templo,
sai o silêncio…

Sem o tempo definido,
o ser por ali vagando, presente e ausente,
entre a luz e o silêncio…


José Rodrigues Dias, 2019-07-07

sábado, 6 de julho de 2019

Criador e criação




Criador e criação


Venho falando pouco…
Ouço mais meus passos
que maduramente interrogo
em silêncios longos de tons facetados
emergentes de cada rebento no seu tempo
de tudo o que agora é e vai sendo
e que por flores se renova
e frutifica
em mistérios de vida
só ao de leve perceptíveis
em certos momentos de luz…

Indizíveis que são
Criador e criação,
indissociáveis que somos
como arquitecto e construção…


2013-04-21

* * * 

in José Rodrigues Dias, Emanações do silêncio, Ed. Forinfor, 278 pp, 2019.

* * *

Jrd, 2019-07-06

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Os símbolos




Os símbolos


Era eu o silêncio…
Era o outro que eu ouvia…
Como podia eu falar se ainda não sabia?
É certo que conhecia já muitas palavras,
as minúsculas todas, as maiúsculas,
números, fórmulas,
símbolos gregos,
até os de vazio e de infinito...
Muitas coisas, diria um homem…
Mas, então, eu ainda não conhecia
aquela dimensão do outro saber
de aprender e ver por dentro
as coisas
e o sentido da palavra
como se entendia
na escola de Pitágoras…

2013-02-03

* * * 

in José Rodrigues Dias, Emanações do silêncio, Ed. Forinfor, 278 pp, 2019.

* * *

Jrd, 2019-07-05

quinta-feira, 4 de julho de 2019

O peso das pedras




O peso das pedras


O peso das pedras
pelas mãos sábias de mestres erguidas
sedimenta teu chão…

E do chão firme,
ainda que por uma só fresta,
se ergue o olhar…

De tamanho peso
no simbolismo da construção
quanta libertação…


José Rodrigues Dias, 2019-07-04

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Coisas de eclipses




Coisas de eclipses


O nosso mar
eclipsou o Sol durante toda a noite
ali no poente…

De cada flor
só o brilho à luz das estrelas e à luz dos homens
e o seu odor…

Dos movimentos
tempos, alternando, intermitentes,
de luz e de trevas…


José Rodrigues Dias, 2019-07-03

terça-feira, 2 de julho de 2019

Flores de cardos




Flores de cardos


Não são de Maio rosas nem de Abril cravos
nem são de Junho espigas joaninas de colheita de pão,
são neste chão seco de Julho flores de cardos…


José Rodrigues Dias, 2019-07-02

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Parando


Jornal Diário do Sul, 2019-07-01


Parando 


Já antes tinhas dito
que agora na tua idade
já pouco esperavas de ti
e do mundo
cheio de frios e compridos números,
de números austeros
sem quase gente dentro,
mundo de solidão,
dramas e olás distantes,
e de tantas apregoadas cores sem vida,
mortas,
como mortas, 
que te magoam já o olhar
e o pensamento
e apertam o coração de qualquer homem
do campo
e até da cidade,
quanto mais o teu!...

Agora dizes quase friamente e distante
que o mundo vai assim continuar
e que tu como estás
estás bem,
e que assim vais parar,
parando…

Ouvindo-te, sinto um nó
que me aperta
como se a morte aí viesse…


2012-02-26


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016) - Livro um, 1/10 (Janeiro a Junho de 2012), Ed. Forinfor, 2018, 280 pp.


* * * 

Jrd, 2019-07-01

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Da Luz, do silêncio e do ser




Da Luz, do silêncio e do ser


Fina, coada pelos vitrais,
a Luz
irradia o ser de silêncios…

Sem um ruído,
o ser
sente-se outro…

Como a Luz,
o ser propaga-se em silêncio
para infinito…


José Rodrigues Dias, 2019-06-26

terça-feira, 25 de junho de 2019

Fronteiras




Fronteiras


Fronteiras,
onde vida e morte em disrupção
acontecem...

Fronteiras,
onde infernos e céus
se separam...

Fronteiras,
linhas pelos homens
semeadas...

Fronteiras,
onde se apagam e acendem luzes
derradeiras...

Fronteiras,
onde em lágrimas se prende ou liberta
um sorriso...


2017-06-25

 * * * 

in  José Rodrigues Dias, Poemas em tercetos simétricos, diarísticos, Livro II (Abril a Junho, 2017), Ed. Forinfor, 144 pp, 2018.


* * * 


Jrd, 2019-06-25

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Colheitas de São João




Colheitas de São João


Semeio tudo e tudo colho
que a terra toda se abre e se dá
sempre,
como boa companheira…

Semeio no tempo atitudes e palavras
mas o tempo muitas mas leva cedo
sem o tempo certo para germinar
como em secura de Verão
que a terra é também dura
e também é dor
e sem tino é a minha mão
em tantos gestos sem fulgor!

É assim que de estação em estação
amacio a ânsia das colheitas cheias
em tempo de fogueiras de São João!


2014-05-29


in José Rodrigues Dias, Da semente, Ed. Forinfor, 254 pp, 2018.


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Jrd, 2019-06-24