Cumo
quien bai de camino
(Para
Amadeu Ferreira, olhando, lembrando-o agora aqui, que, como Fracisco Niebro, traduziu este poema
para Mirandês).
Olhando perdido as estrelas de
duas terras,
de onde vim e onde há tanto
estou,
sem saber já de onde sou,
fraca a vista,
pouca a luz,
cansado já de noites de
penumbras
e do que parecendo ser não é,
nem mesmo se querendo,
sentado assim pequeno
na planície enorme
que baixo parece até o céu,
só agora tarde te descobri…
E tu aí,
pelos caminhos,
Cumo quien bai de camino…
De desencontro o meu caminho,
minha a escolha
e a culpa,
se culpa,
tu aí…
Mas procurei,
que sempre
um homem procura
e a sombra não perdura,
firme como a rocha
de que um dia da terra brotei…
Encontrei em ti a vida
como gosto dela, colorida,
traçado o caminho
de caminhos
em sons e tons
de rocha cinzelada, polida…
Cumo quien bai de camino…
2012-06-18
in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016) - Livro um, 1/10 (Janeiro a Junho de 2012), Ed. Forinfor, 2018, 280 pp.
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Jrd, 2019-07-29