sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Alice e o canto do órgão




Alice e o canto do órgão


No simbolismo da pedra,
de bruta a polida, caminhos dentro e fora de nós,
a construção de templos…

O canto do órgão nas mãos de Alice,
Alice, rocha menina ainda em estado puro,
afaga arestas até à sublime perfeição…


José Rodrigues Dias, 2019-08-23

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Gosto dos meus pássaros




Gosto dos meus pássaros

  
Gosto dos meus pássaros, livres ao ar livre,
tão inteligentes:
na amêndoa tiram o grão e deixam a casca…

E pelo fresco da manhã
não tenho que escolher a melhor uva:
basta seguir o seu rasto…

Ah, e também eles gostam de figos,
como eu gosto, pele ligeiramente gretada,
pingo de mel, é sinal de bom gosto…


José Rodrigues Dias, 2019-08-29

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

O templo cheio de luz




O templo cheio de luz
  
Cheio de gente o templo,
o templo cheio de luz,
a luz era cheia de música…

Era ali Vivaldi,
as Quatro Estações, deliciados os músicos,
era a harmonia…

E, entretanto, longe,
gritava uma multidão incendiada
em disputa de bola…


José Rodrigues Dias, 2019-08-24

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Bach




Bach


Eleva-se por Bach, 
caindo leve a tarde, céu aberto,
sagrada, a música...


José Rodrigues Dias,2019-08-27

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Em Évora




Em Évora


E nestas velhas pedras já enraizada,
em Évora, no profano, no sagrado, nas gentes, a Cultura
se refaz em novos frutos e sementes…


José Rodrigues Dias, 2019-08-26

domingo, 25 de agosto de 2019

Corpo e alma




Corpo e alma


A coluna suporta o templo,
como em ti.
A luz que ilumina dá vida…


José Rodrigues Dias, 2019-08-25

sábado, 24 de agosto de 2019

Canto de sombra




Canto de sombra


Neste Agosto de Sol em fogo
sob o manto de flores em campânula
um escasso canto de sombra…

Aqui e lá longe:
pulmões ressequidos, da terra, do homem,
tempo que arde… 


José Rodrigues Dias, 2019-08-23

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A música, a poesia e os mistérios




A música, a poesia e os mistérios


Por entre as asas do anjo,
o arcanjo Gabriel em frente da Senhora do Ó,
acariciando o seu ventre,

pelo templo todo
esvoaça leve cada melodia
nascida do órgão…

No silêncio desprendido que ali levita
uma criança aconchega a cabecita no colo da mãe
enquanto o mano o cabelo lhe acaricia…

Na Catedral de Santa Maria
naquele silêncio adornado de melodias
uma criança, então, dormita…


José Rodrigues Dias, 2019-08-22

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A chuva e a hera




A chuva e a hera


Espero a chuva,
que se derrame macia sobre a terra dorida
e que a penetre...

E que, penetrando-a,
a terra de olhar triste, carente,
de novo rejuvenesça...

Como esta hera
que abraça com folhas e flores a pedra nua 
pintando-a bela...


2018-02-26


in José Rodrigues Dias, Cadernos Diários de Poesia, Inverno (2018, Janeiro a Março), 118 pp, Ed. Forinfor, Julho / 2019.


Jrd, 2019-08-22

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Frescura de cravo




Frescura de cravo
  

Mesmo em tempo áspero de calor
há uma frescura de cravo vermelho em flor
que te banha com um suave odor…

Que te importa este calor
se no ar
uma aragem fresca de flor…


José Rodrigues Dias, 2019-08-20

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Do caminho




Do caminho


Caminho:
muitos passos que dás uma onda
os desfaz…

Mesmo assim,
caminha, a peneirar pelo tempo
o mar purifica…


José Rodrigues Dias, 2019-08-20

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Retrato da fita da vida




Retrato da fita da vida


Num cacho de flores, numa só fotografia,
a fita da vida, talvez da tua vida:
nascer, dar flor, fruto e semente, e morrer…

Retrato da vida
que de colorida se faz, repara,
a preto e branco...


José Rodrigues Dias, 2019-08-19

terça-feira, 6 de agosto de 2019

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Jrd, 2019-08-06

A noite do Sol




A noite do Sol


Já vai para a noite
o Sol, talvez se encontre, escondido, com a Lua,
virá só de manhã…

Sei que será só pela manhã
porque quando ele chega
batendo à porta me acorda…

Semicerrados os olhos,
creio que é do peso do tempo,
olho, é o Sol a retornar…

Por vezes pergunto-me
se o Sol não se cansará (mudará de namorada?)
de tanta longa noitada…


José Rodrigues Dias, 2019-08-05

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Cumo quien bai de camino




Cumo quien bai de camino

(Para Amadeu Ferreira, olhando, lembrando-o agora aqui, que, como Fracisco Niebro, traduziu este poema para Mirandês).


Olhando perdido as estrelas de duas terras,
de onde vim e onde há tanto estou,
sem saber já de onde sou,
fraca a vista,
pouca a luz,
cansado já de noites de penumbras
e do que parecendo ser não é,
nem mesmo se querendo,
sentado assim pequeno
na planície enorme
que baixo parece até o céu,
só agora tarde te descobri…

E tu aí,
pelos caminhos,
Cumo quien bai de camino

De desencontro o meu caminho,
minha a escolha
e a culpa,
se culpa,
tu aí…

Mas procurei,
que sempre
um homem procura
e a sombra não perdura,
firme como a rocha
de que um dia da terra brotei…

Encontrei em ti a vida
como gosto dela, colorida,
traçado o caminho
de caminhos
em sons e tons
de rocha cinzelada, polida…

 Cumo quien bai de camino


2012-06-18


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016) - Livro um, 1/10 (Janeiro a Junho de 2012), Ed. Forinfor, 2018, 280 pp.

* * * 

Jrd, 2019-07-29

domingo, 28 de julho de 2019

Fraternas




Fraternas


As romãs
em abóbada azul de Domingo crescendo
fraternas…

Sentindo,
em sonho, nelas,
o mundo…


José Rodrigues Dias, 2019-07-28

sábado, 27 de julho de 2019

Do tempo e dos homens




Do tempo e dos homens


De tão abrasado,
intenso que fora, talvez cansado de suores, o Sol
hoje adormeceu…

Em leve moinha vindo
a chuva
acaricia a terra de fogo…

Um homem, olhando:
é pouco, na terra ainda o fumo,
mas melhor que nada…

E um outro, além:
pena,
a praia hoje foi-se… 
  
Paro, olho os homens:
sei dos cansaços, de suores, sei da terra, sei do mar,
não sei como os julgar…

Lembro o homem
em Ortega y Gasset
e as circunstâncias…


José Rodrigues Dias, 2019-07-27

sexta-feira, 26 de julho de 2019

A argola, o burro e o homem




A argola, o burro e o homem


Deixa-me aqui à grossa argola preso,
dócil pensa consigo o burro, já cansado do homem,
mas o homem é que devia estar preso...


De pé, mirando põe-se a magicar,
lembrando cenas deste e de outros do passado,
que o homem é que não é de fiar...

Na argola ali preso
à porta da casa, o homem livre,
e o burro tão dócil…

2018-01-03


in José Rodrigues Dias, Cadernos Diários de Poesia, Inverno (2018, Janeiro a Março), 118 pp, Ed. Forinfor, Julho / 2019.


Jrd, 2019-07-26

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Dedicatória


Dedicatória

José Rodrigues Dias, Cadernos Diários de Poesia, Inverno (2018, Janeiro a Março), 118 pp,
Ed. Forinfor, Julho / 2019.


sábado, 20 de julho de 2019

Cadernos Diários de Poesia - Inverno



O décimo segundo livro de Poesia, o segundo deste ano, acabado de publicar.



Cadernos Diários de Poesia - Inverno


118 páginas,  86 poemas.

260 tercetos simétricos.

2018, de Janeiro a Março.


Jrd, 2019-07-20