domingo, 10 de novembro de 2019

O tempo e o belo




O tempo e o belo


De dias cinzentos
a um tempo
de uns céus azuis...

Olhar lavado,
o belo aparece
mais límpido...


José Rodrigues Dias, 2019-11-10

sábado, 9 de novembro de 2019

Rest in peace




Rest in peace


Leve a luz na noite se apaga
de madrugada
no corpo que da morte pára…

Fora ela,
essa que tanta vida
arrebata…

Agora ali o corpo jaz,
memórias da vida perdidas, o dia triste, chove,
que descanse em paz…


José Rodrigues Dias, 2019-11-09

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Burilando




Burilando


O chão,
chão com pedras, tu, burilando,
e o céu…


José Rodrigues Dias, 2019-11-08

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Momentos





Momentos

  
Apesar de frios e ventos,
sabendo de azuis para lá das nuvens,
uma flor ergue-se e sorri…

Vê, é de manhã,
levanta tu esse olhar triste da noite,
sorri e caminha…


José Rodrigues Dias, 2019-11-07


quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Mar, gota a gota (lembrando Sophia, hoje)




Mar, gota a gota
(lembrando Sophia, hoje)



Gota a gota, infinitesimal,
de menos a mais infinito, caminho indefinido,
feito o todo, integral, mar...


Olho bem longe:
o olhar, nascido ou o Sol posto,
perde-se no mar…


José Rodrigues Dias, 2019-11-06

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Carícia de gotas de água




Carícia de gotas de água


Com a carícia de gotas de água
como beijos doces matinais na face prolongados
crescem as couves para o Natal...


José Rodrigues Dias, 2019-11-05

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Da fonte, do conhecimento e da Universidade


Universidade de Évora



Da fonte, do conhecimento e da Universidade


Na fonte
do saber o refresco contínuo
da mente…

O correr
de dentro, melhor talvez em silêncio,
do saber…

Em silêncio melhor o movimento
talvez sentido, percebido, em ti, dentro,
de qualquer gota de conhecimento…

Mesmo que o dia
ou a própria gota, poluída,
tenha cor sombria…

É da fonte
que, gota a gota ou jorrando, brota a resposta
ao porquê


José Rodrigues Dias, 2019-11-04

domingo, 3 de novembro de 2019

Olhar triste




Olhar triste


Preso, olhar triste de cão
como, talvez, o de um homem
vagueando livre sem pão...


José Rodrigues Dias, 2019-11-03

sábado, 2 de novembro de 2019

Defuntos-mortos


Lembrando...


Defuntos-mortos


Todos um dia defuntos são neste dia dos defuntos.
Há defuntos que, mortos, nunca mais vivos são;
Há outros que, mortos, em vivos hoje vivos estão;
E há outros que, defuntos, nunca mortos ficarão!

Da vida de uns, quantos…, nada, nada restou
Que, negra, a morte negra tudo em pó queimou;
Outros, muitos, bem vivos, em vivos hoje estão;
Bem poucos, os outros, que a vida não deixou,
Nunca, fraca, a impotente morte daqui os levou!


in José Rodrigues Dias, Traçados sobre nós
Chiado Editora, 2011.


Jrd, 2019-11-02


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

O poema supremo


Sala dos Actos, Universidade de Évora
(hoje, 2019-11-01, Dia da Universidade).



O poema supremo
(olhando a Sala dos Actos da Universidade de Évora)


Longos os caminhos,
corredores, degraus, de pedra trabalhada a sabedoria,
saberes indo subindo...

Claustros de reflexão,
silêncios, ruídos do tempo, passos dados,
alargada a meditação...

Ao fundo a planície…
E numa aragem fresca, tua, a palavra refrescada
a viajar pelo mundo...

Eis o eterno movimento
do poema supremo, nele tu e eu,
e sempre em construção...


José Rodrigues Dias, 2019-11-01