domingo, 8 de dezembro de 2019

Uma espécie de poema, antigo, em francês


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Uma espécie de poema, antigo, em francês


Sobre a ponte unindo margens,
o trânsito parado, a Sarah Affonso no museu em espera,
navego lá longe, o espaço etéreo…

Encontro lá no passado,
cifrada a linguagem, matemática, prenhe de símbolos,
uma espécie de poema…

Um dos poemas primeiros vendo a luz,
ah!, já lá vão três dúzias de anos, ah!, o tempo que voa!,
em língua estrangeira, na cidade da luz…

Aqui te deixo,
com uma fotografia, no espaço perdido,
o sítio preciso:



Post scriptum:


Ah!, eis ali a Sarah Affonso,
o seu Almada Negreiros, os retratos, os bordados,
os desenhos para a Sophia…

Eis a Sarah Affonso,
mulher inteira, mãe, diversas as linguagens
em hinos de Poesia…

Dias
de pequenas
coisas...


José Rodrigues Dias, 2019-12-08

sábado, 7 de dezembro de 2019

Candelabro, teatro e vida




Candelabro, teatro e vida


Iluminação do teatro,
como luz no palco da vida,
à noite ou se é escuro…


José Rodrigues Dias, 2019-12-07

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Repleta de luz




Repleta de luz


Acordas, abres os olhos, olhas.
Apesar de tristes os ramos das árvores, despidos,
a manhã rejubila repleta de luz…


José Rodrigues Dias, 2019-12-06

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Quão suave que era




Quão suave que era
  

Da luz a tarde quão suave que era…
As pequenas flores em campânula, amarelas,
bailavam como se ali a Primavera…


 José Rodrigues Dias, 2019-12-05

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Pétalas


Oitavo livro de Poesia (2018).


Pétalas


Pétalas como ideias
se abrindo, se colorindo, se dando,
o vento as levando...

Suave, um perfume
nos ficando,
o sonho nos levando…

2017-05-03

* * * 

in  José Rodrigues Dias, Poemas em tercetos simétricos, diarísticos, Livro II (Abril a Junho, 2017), Ed. Forinfor, 144 pp, 2018.

* * * 

Jrd, 2019-11-25

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Uma sementeira sagrada, ofício de templo


Sétimo livro de Poesia (2017).


Uma sementeira sagrada, ofício de templo

  
Semeei durante a tarde
verdes, variegados,
de estações que hão-de vir
em sentido concreto não figurado

porque se até um poeta precisa de comer
para que possa em si nascer o ainda encoberto
que dizer de mim ou doutro ser qualquer…

Amanhei a terra
e transpirei
(só lhe faz bem, diz o senhor Doutor)
enquanto certas coisas eu as ia pensando
e lembrando de antigas transcendências,

sentindo o sol e a chuva por ali
em pacto entre si respeitado,
breves ou longas intermitências,
como se em discreta oferenda,

dádiva ao homem, pequeno ali,
que os olha, baixando e levantando o olhar
em sinal de respeito, dentro de si,

olhando quase como um tolo
sem nexo, eu sei,
e sem resto de razão,
dir-se-á um homem que se olha grande
mas que nunca na terra
um só grão
um dia só, um só, semeou…

Semeei um canteiro de futuro
quando as sementes
as entreguei quase religiosamente à terra
e as envolvi no seu próprio ventre
de renascimento
com as minhas próprias mãos
sem sombra
como em ofício de um enorme templo.

Sei que o canteiro vai nascer
e ser canteiro de verdes, de futuro,
eu sei que tudo vai renascer!

2013-09-28


in José Rodrigues Dias, Chão, da Terra ao Pão
Ed. Forinfor, 152 pp, 2017.

* * *   

José Rodrigues Dias, 2019-11-27


terça-feira, 26 de novembro de 2019

Coisas do Sol


Sexto livro de Poesia (2017).


Coisas do Sol


Ramos em ossos despidos
pelo tempo que de quente se fez frio,
veios de seiva ressequidos...

E o Sol de volta os amorna,
as nascentes refazem-se em vida nova,
o corpo de folhas se adorna...

E, ei-los, eis os passarinhos
trazendo de volta os campos de flores,
eis nos ramos novos ninhos...

2017-01-23


* * * 

in  José Rodrigues Dias, Poemas em tercetos simétricos, diarísticos (Janeiro a Março, 2017), Ed. Forinfor, 132 pp, 2017.

* * *

Jrd, 2019-11-26

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Retorno


Quinto livro de Poesia (2016)


Retorno



A casa torno,
retorno a casa sempre,

luz renascida,
partida, caído, erguido, chegada,
outra partida,
montanha subida,
maré,
descida…,

pêndulo ritmado
em movimento de atrito no tempo
quase sempre lento
iniciado em sonho de pão
em si entranhado…

Mão de terra,
braço de um pêndulo
em movimento de pão,
paz e guerra…

Braços apertados,
lábios dados,
nascidos, renascidos,
braço de pêndulo
em chegada
esperada…

Outro,
o mesmo,
um camponês,
Penélope urdindo
desurdindo o tempo
longo de retorno
a Ítaca…

O pêndulo,
nós,
o outro indo,
vindo,
nós indo,
vindo,
o retorno,

retorno de suor
de sal e pão
sempre
de terra a mão,

a casa sempre
retorno!

2014-03-04

* * * 

in  José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar, Ed. Forinfor, 178 pp, 2016.

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Jrd, 2019-11-25

domingo, 24 de novembro de 2019

Até o poema...


Quarto livro de Poesia (2016).

Até o poema...


Se tu quiseres, será Primavera
todo o tempo em cada olhar
em todo o lugar desta esfera...

Prepara teus caminhos,
não te preocupes, o cansaço passa
num ombro de carinhos...

De bem semeia então a terra
e do mundo escuro nascerá outro, claro,
sem fome e sem mais guerra...

Rimando ou não, até o poema,
de tão simples, porque colhido do belo,
ficará para sempre como lema...

2016-02-05


in José Rodrigues Dias, Tons e Sons de Primavera(s), Ed. Forinfor, 106 pp, 2016.

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Jrd, 2019-11-24

sábado, 23 de novembro de 2019

Naquele tempo, eu criança, a Luz…


Terceiro livro de Poesia (2015).


Naquele tempo, eu criança, a Luz…


Teria eu doze ou treze anos…
Catorze?... Talvez não…
Não havia luz eléctrica,
a luz era a do Sol, da Lua,
do azeite na candeia, do petróleo
e era a daquela pedra
mágica
no candeeiro
que com água ardia
como ardia em furo de batata crua,

nós, Mãe,
ao lume em espera,
nós, Pai,

a noite longa no olhar…

E era a luz das estrelas, de Guerra Junqueiro…

Assim em Talhas, a minha aldeia,
era assim,
eu, nós, tudo, o tempo todo escuro…

E eis que uma pilha de pequena lanterna
e um pequeno circuito eléctrico construído
de eu o ter no Porto no colégio aprendido,

e eis que uma luz, primeira,
no meu quarto, iluminado,
eu fascinado, luzia, pioneira,

naquele tempo, eu, garoto,
a aldeia com luz de candeia,
eu, assim, tão límpida a luz…

Algum tempo depois
(dois, três anos?...,
talvez, quem sabe…,
se já lá vão cinquenta anos!…),

e eis na aldeia a electrificação
e o momento da inauguração…

Olhei, então, e fixei uma lâmpada,
era ali junto à Igreja,
era a noitinha,
nem se via
nem deixava de se ver,
era noite e era dia…

E eis que a minha lâmpada não se acendeu
(as outras, sim, porque o oh! da gente
logo aí aconteceu,
quente...),
aquela lâmpada, que fizera minha,
ali junto da casa de Deus, não se acendeu
e nunca eu soube o porquê,
logo eu, exactamente…

Que sombra de nuvem negra a teria encoberto,
logo ali, logo naquele momento, aquela minha luz
que no meu quarto eu antes a tinha descoberto?…

Repara,
digo-me agora em templo,
aí tens!

Creio que vem daí
o fascínio do teu olhar
pela coisa da Luz,

de certos encontros
o caminho,
e de desencontros,

à procura da alteridade
em ti, no outro,
em mim, em liberdade…

2015-06-01


in Fiat Lux (no ano da Luz), Ed. de Autor, 90 pp, 2015.


* * * 


Jrd, 2019-11-23