domingo, 30 de abril de 2017

Ajardinando...




Ajardinando...


Ajardinando verdes
cachos personalizados de flores
em deleite de azuis...

Em mutação eterna
azuis dos céus e coloridos da terra,
comunhão fraterna...

Porque, apesar de tudo
e de mares cheirando a chumbo,
o todo é de todos e uno...


José Rodrigues Dias, 2017-04-30

sábado, 29 de abril de 2017

As amêndoas...





As amêndoas...


As doces e as amargas,
as amêndoas, como mel e fel,
como a luz e as trevas...

Como o azul azul
do céu seguindo os ventos
e um negro negro...

Provada a amarga
que bem, que bem que sabe
uma doce docinha...

Como o homem caído
revirando-se do tombo, dos tombos,
do chão a levantar-se...


José Rodrigues Dias, 2017-04-29

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Meditar...





Meditar...


Até o Facebook à noite mo disse, que hoje choveria...
Porque em algo tenho que acreditar, não reguei a hortaliça...
Já não entendia o mundo, agora nem a meteorologia...

Sim, sinto e vejo as folhas e as ramagens, está vento...
As ideias certas, sim, não choveu, hoje ainda não choveu...,
as certezas para um longe as leva nas nuvens o vento...

Mas, assim, em que poderei confiar?
Vejo e creio, penso e existo, sinto, creio eu...
Crendo nisso, fico comigo a meditar...


José Rodrigues Dias, 2017-04-28

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Luz de Primavera





Luz de Primavera


Luz de Primavera, que força a sua!...
Acalenta raízes frias entre mãos quentes,
fluidifica seivas, corre como sangue...

Folhas e flores,
das flores os frutos,
filhos e amores...

A sebe cheia de flores
cresce, cresce cheia de luz de Primavera
e a mão cheia de dores...

Espinhos 
da rosa como da luz
sombras...


José Rodrigues Dias, 2017-04-27

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Olho nos pássaros a harmonia...




Olho nos pássaros a harmonia...


Acorda-me cedo a passarada, bem cedo,
por entre a folhagem fresca ao abrolhar do dia...
E tão feliz que a sinto, livre e sem medo...

Talvez esteja já de peito feito afinando o bico
para os primeiros figos lampos, oh, que saudade!...,
que ali sente, ainda que verdes, sabendo a mel...

E eu, acordado, sentindo o dia,
vislumbrando mares bravos, incendiados,
olho nos pássaros a harmonia...


José Rodrigues Dias, 2017-04-26

terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril...




25 de Abril...


Esvoaçando de oliveira em oliveira
uma ninhada de passarinhos chilreando
com sua mãe abraçando a liberdade...


José Rodrigues Dias, 2017-04-25

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Liberdade, Abril...




Liberdade, Abril...


Foi por aqui noite e que longa...
Fez-se a madrugada e bom dia se fazia...
Olho, sinto vir de lá a tardinha...


José Rodrigues Dias, 2017-04-24

domingo, 23 de abril de 2017

Olhos claros...




Olhos claros...
(e vão quatro...)


Hoje me digo, olhos claros,
que por ti existe e persiste o verde 
como existe a luz nos azuis...

E que, livres, nos azuis do céu
os pássaros voam e sempre voarão 
levando sementes de liberdade...


José Rodrigues Dias, 2017-04-23

sábado, 22 de abril de 2017

Nesta paz esta flor branca...




Nesta paz esta flor branca...


Enquanto por aí jogais à bola, cânticos de morte,
verde o relvado, regado, verde de verde, bem aparado,
eu sou nesta paz esta flor branca e cheia de sorte...

A aragem sabendo a sal
docemente me afaga e me embala,
macia, sem sinal de mal...

Aqui vivo sem amargura
com seres na areia puros e sóbrios como eu
mesmo que nesta secura...


José Rodrigues Dias, 2017-04-22

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Colar de flores




Colar de flores


Sobre a praia ao sabor do vento
um colar de flores 
sem palavra atinada para o dizer...


José Rodrigues Dias, 2017-04-21

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Dias de atritos...




Dias de atritos...


Dias de atritos,
de riscos, de gases malditos, de tiros,
de mil conflitos...

Mesmo um caracol se esconde
agachado em sua concha dentro de um túnel cavado
entre os espinhos de um cacto...

Que razão
abre / fecha
o coração?...


José Rodrigues Dias, 2017-04-19

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Começar, a terminar...




Começar, a terminar...

(Começar, obra de Almada Negreiros
no átrio da Gulbenkian)


Começar,
o número e a Geometria
a terminar…

Tudo aqui
na razão divina,
símbolo f...

Partenon na Acrópole, Phídias, harmonia...
Pentagrama, delta, Olho, Oriente, Arquitecto...
Gioconda, da Vinci, Pitágoras, Geometria...

Coelhos, natureza,
sequência de Fibonacci, limite,
seres, vida, beleza...

f,
número de ouro,
F...

E tudo aqui
no número irracional phi, 
f ou F, phi...

Harmonia,
fF, logotipos de livros meus 
de Poesia...


José Rodrigues Dias, 2017-03-25

terça-feira, 18 de abril de 2017

Cantam as rolas...




Cantam as rolas...


Olho as flores e o mar
do cimo da minha falésia.
Fico-me a contemplar...

Não há bombas...
Entre os cheiros da natureza
cantam as rolas...


José Rodrigues Dias, 2017-04-18

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Carreiro de luz




Carreiro de luz


Carreiro de luz
vindo lá de poente,
o Sol já se indo...

Do mar a luz em ondas,
tons dourados, inebriantes,
a falésia por ali subindo...

Eu ali assim mais pequenino,
o olhar no mar se me afundando
lembrando-me de ser menino...

Longe, então menino
sem nenhum mar de água perto
ainda mais pequenino...

Foi pela luz
que cada mar de breu
se fez de luz...


José Rodrigues Dias, 2017-04-17

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Quinta-Feira Santa



Quinta-Feira Santa


Chegou a noite, cansado,
grande já o dia, Sol alto e grande,
trabalho variado, queimado,
meados de Abril…

Morreu Gabriel García Márquez,
dia de solidão,
Cem Anos de Solidão

Jorge Amado, do mesmo lado do mar,
já tinha morrido…

Cristo morre amanhã
traído,
ceia hoje com os discípulos
em partilha:

 tomai e comei…,
bebei…,

o meu corpo…,
o meu sangue…,

em memória de mim…

 Entretanto, longe, lá muito longe,
é descoberto talvez um gémeo,
ou talvez um vago primo,
desta Terra que dura pisamos,
pó e barro,
água e pedras,
quase do mesmo tamanho,
chamaram-lhe Kepler,
Kepler qualquer coisa,
pode ter nascido planeta vivo…

(Da vida, quem sabe o quê?)

Morreu hoje Gabriel García Márquez…

Cristo morre amanhã, Sexta-Feira Santa.
Ressuscita ao terceiro dia,
no dia de Páscoa,
Primavera…

2014-04-17


José Rodrigues Dias, Tons e Sons de Primavera(s), Edição Forinfor, 2016

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Irmanados...





Irmanados...


Encontrei um passarinho,
tinha uma perna presa, piava, piava,
libertei-o mui devagarinho...

Devagarinho com cuidado
libertei o passarinho, devagarinho,
não fosse ele ficar aleijado...

Libertado
voou, livre eu voo,
irmanado...


José Rodrigues Dias, 2017-04-11

terça-feira, 11 de abril de 2017

Pelo mar...




Pelo mar...


Nasci sem mar,
só de terra os caminhos
e apenas trilhos...

Por passos de sonho 
caminhei, horas da noite iluminei,
cheguei junto ao mar...

Fundo, olho daqui esse mar 
e sinto que ao início um dia voltarei,
o mundo redondo, pelo mar...


José Rodrigues Dias, 2017-04-10

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O pato




O pato


Todos foram saindo
do anfiteatro,
só o pato resistindo...

O pobre do pato
na esparrela do espectáculo
até ao fim caindo...


José Rodrigues Dias, 2017-03-23

domingo, 9 de abril de 2017

Alegria, Almada Negreiros?


Almada Negreiros, Gulbenkian.


Alegria, Almada Negreiros?


Alegria agora não, Almada, tempos de filmes negros, não...
Olham tristes os olhos, em explosão a loucura pelo mundo...
Os teus agora de alegria cheios só se uma tua provocação...


José Rodrigues Dias, 2017-03-23

sábado, 8 de abril de 2017

Da terra o pão...





Da terra o pão...


Eram curtos os dias
e que longos, azuis, agora são,
dias de sol e cultivo...

São dias de Primavera
e das sementes lançadas à terra
frutos que a terra gera...

Sim, é a terra mas é a mão
que tudo faz, até o tractor encaminha,
para da terra nascer o pão...


José Rodrigues Dias, 2017-04-08

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Paz




Paz


Gostaria eu de ter palavras
que silenciassem as armas, de dor e de morte,
ou saber onde as encontrar...

Mas não, talvez que nem existam tais palavras...
Eu até as compraria pelo que fosse, se pudesse...
Mas não, são as armas que abafam as palavras...

Não sei, tenho medo, talvez um dia
as armas calem todas as armas, de dor e de morte,
e da noite brote pura a palavra paz...


José Rodrigues Dias, 2017-04-07

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Rosto de quase morta...




Rosto de quase morta...
(Art street)


Senhorita triste no postigo da porta
esperando quem não passa, olhando o chão,
desesperando, rosto de quase morta...


José Rodrigues Dias, 2017-04-06

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Depois da recreação...





Depois da recreação...


Olho o meu campo,
tudo neste tempo de sol crescente
olhando me chama...

É a relva crescida,
as alfaces, eu sei lá..., as favas,
a boca ressequida...

É a água que nas condutas se perde,
ainda que gota a gota,
cada gota faz que cada coisa medre...

Depois da recreação
o tempo dos instrumentos
do trabalho na mão...


José Rodrigues Dias, 2017-04-05

terça-feira, 4 de abril de 2017

Até o mar...




Até o mar...


Até o mar em fúria
se desfaz em paz, 
límpida sua espuma...

Até o mar em fúria
num recanto se resguarda 
para poder sossegar...

Abraço,
um chá de ervas,
um colo...


José Rodrigues Dias, 2017-04-04

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Madeira, tornar e retornar...






Madeira, tornar e retornar...


Tornar a esse outro tempo neste lugar
quase quatro décadas depois
e nascida depois nesse tempo uma flor...

E retornar a este meu quotidiano
deste tempo que foi agora de dádiva,
de flor nascida, fruto amadurecido...

Da mulher a flor,
do fruto maduro flores
com odor a amor...


José Rodrigues Dias, 2017-04-03

domingo, 2 de abril de 2017

Colunas na entrada do templo...




Colunas na entrada do templo...


Colunas na entrada do templo,
sagrado, sóbrio, passado, presente,
e dentro o ser em recolhimento...


José Rodrigues Dias, 2017-04-02

sábado, 1 de abril de 2017

Oliveiras




Oliveiras


Oliveiras nascidas, longe, aqui, antigas,
Cristo, Jerusalém, Alqueva, Madeira, jardins,
de Alqueva levadas para terras amigas...


José Rodrigues Dias, 2017-04-01