sábado, 20 de julho de 2019

Cadernos Diários de Poesia - Inverno



O décimo segundo livro de Poesia, o segundo deste ano, acabado de publicar.



Cadernos Diários de Poesia - Inverno


118 páginas,  86 poemas.

260 tercetos simétricos.

2018, de Janeiro a Março.


Jrd, 2019-07-20

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Desassossego



Chegou agora novo livro, décimo segundo…
Olhando-se, interrogando-se, eu quieto, calado, olhando,
da caminhada repousa um pouco, aloirando…

E amanhã,
ousando, atrevido indo, inteiro se dará
ao mundo…

Sempre um livro
de ser livre
me desassossega…


José Rodrigues Dias, 2019-07-19

Da flor de cebola e do mistério




Da flor de cebola e do mistério


Eleva-se direita
buscando a luz iniciadora do Sol
a flor de cebola…

Filetes, anteras, pólen,
insectos e ventos em caminhos de perpetuação,
óvulos de reprodução…

Mui pequenina, metemo-la na terra, olha agora,
demos-lhe de comer, acarinhámo-la, demos-lhe de beber,
e com o destino interiorizado pôs-se a caminhar…

A caminhar
sempre ainda que lentamente
tempo afora…

Na flor de cebola
essa beleza e essa força sábia da Luz, vê tu,
cheia de mistério…


José Rodrigues Dias, 2019-07-19

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Paz


Mandela, que hoje faria 101 anos.


Paz

(lembrando Mandela)


Gostaria que um dia se dissesse

que os tons da pele dos homens
são iguais nos seus corações
e que neles secasse a inútil fonte

de um mar salgado de milhões
de lágrimas choradas de divisões.

Gostaria que um dia se dissesse
que houvesse paz e que a paz
livre nos corações se fizesse.

Gostaria que um dia se dissesse
que era uma lembrança a guerra
dos tempos da primitiva Terra.


José Rodrigues Dias, 2011-07-18


* * * 

José Rodrigues Dias, 2019-07-18


quarta-feira, 17 de julho de 2019

Nunca




Nunca


Em areia seca, com sóis e ventos com sal,
de um cacto rasteiro uma flor com tanto encanto
que de minha mão não seria obra, nunca…


José Rodrigues Dias, 2019-07-17

terça-feira, 16 de julho de 2019

Lua luz noite dia




Lua luz noite dia


Lua pequena tão grande
Lua longe tão perto
Lua minha
fraterna
Lua tua
Lua luz noite dia
Lua mar lua redonda
Lua terna tão materna
Lua assim tão distante
inteira e mulher
amor amante…

Por isso, decerto foi por isso
que o homem foi conhecer-te
pelos céus disparado, louco,

e ainda que só por um breve instante
ter-te
mesmo que a cambalear, periclitante,

e, por ser o homem um fraco,
a todo o mundo dizer, estandarte na mão,
que tu, oh Lua, que tu és sua…

Oh gentes,
oh Lua,
que ilusão!…

Eu, encostado neste meu naco de terra
ouvindo as rãs cantando à cidade, interrogando-me,
olhar-te-ei, só, o tempo todo que puder…

2014-08-10


in José Rodrigues Dias, Chão, da Terra ao Pão
Ed. Forinfor, 152 pp, 2017.


* * *   

José Rodrigues Dias, 2019-07-16


segunda-feira, 15 de julho de 2019

O menino e o mar




O menino e o mar 


Menino pequeno
crescido
a olhar longe
sentado
sobre o mar,
o que vês?
O que de lá vem,
o que para lá vai que tu vês
que assim te põe a pensar
como se já fosses um sábio
sobre o tempo debruçado,
menino,
que antevês? 

Irás um dia tu?
Voltarás?
Encontrarás pedras no caminho das viagens?
Guardá-las-ás como o Poeta
para o seu castelo de imagens
de quase odisseia?

E a luz,
como é a luz que vês?
Como a água
pura
que o novo cria
ou
outro recria?


2013-10-10

* * * 

in  José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar, Ed. Forinfor, 178 pp, 2016.

* * * 


Jrd, 2019-07-15

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Sem palavras




Sem palavras


Uma flor de... abóbora...
Que palavras?...
Poema ao rés-do-chão...


José Rodrigues Dias, 2019-07-12


quinta-feira, 11 de julho de 2019

A sesta do gato




A sesta do gato


Comido e bebido o gato,
lustroso, de boa gente, encalorado, o Sol se derretendo,
vai fazer uma boa sesta…

O céu,
os pássaros calados,
sereno…

A gente
toda
ausente…


José Rodrigues Dias, 2019-07-11

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Pelo meu rio




Pelo meu rio



Pelo meu rio
entre a beleza dos números
e a leveza das palavras
navego…

Todo o tempo
levo
comigo o pensamento
semeando esperanças e dúvidas,
colhendo pequenos botões escondidos de flores
e cestos grandes de dúvidas nascidas…

Quem este privilégio tem
tendo assim espinhos e sorrisos de amores
num arco-íris de imagens
como as deste meu rio
e de suas margens?
Quem? 

Por isso sorrio
e outra vez me espanto
neste raro encanto
do meu rio!


2014-02-12


* * * 

in  José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar, Ed. Forinfor, 178 pp, 2016.

* * * 


Jrd, 2019-07-10