domingo, 23 de setembro de 2018

Manhã de Equinócio




Manhã de Equinócio


Bate ainda forte o Sol
na flor de veludo amarelo,
é manhã de Equinócio...


Muito lentamente,
lento é o movimento do tempo,
do dia faz-se noite...


Menor a luz da Natureza,
tempos de poisio, sementes em preparação,
e maior seja a do Homem...


E que a Palavra,
depois, renascendo, brote
límpida, límpida...



José Rodrigues Dias, 2018-09-23


sábado, 22 de setembro de 2018

Ao pôr-do-sol




Ao pôr-do-sol


Nos tons do entardecer,
lendo nos lábios os astros, saber antigo,
vê como vai amanhecer...



José Rodrigues Dias, 2018-09-22

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Flor, do chão ao céu




Flor, do chão ao céu


Nasço do chão,
no chão onde firmes
as raízes estão...

Rompo lençóis de protecção,
rebentam-se águas, abrem-se túneis, gemidos e gritos,
é de uma força de libertação...

Sinto o pão no calor do Sol,
o apelo não escrito da luz, o cheiro das cores,
o sentido do desconhecido...

É a subir, de subida
é o caminho de flor,
a ida sem o destino...

No céu azul
a fala amena, doce, cantante,
de pássaros...


José Rodrigues Dias, 2018-09-21

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Do céu ao chão




Do céu ao chão


Repara, deixa de olhar tanto
o céu, é no chão
que se derrama tanto pranto...

Olha o chão,
deita a semente, o fruto da flor sobe,
sobe ao céu...


José Rodrigues Dias, 2018-09-20

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Sementes de flores e de guerras




Sementes de flores e de guerras


Encontras flores no caminho,
em botão, viçosas, já em cores de Outono
e em semente para as semear...

Como no caminho as guerras...
Mas tu, não, não semeies tu as guerras...
Em vez delas semeia as flores...


José Rodrigues Dias, 2018-09-19

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Sol e Luz




Sol e Luz


Na manhã clara de Sol,
do encontro de Amigo, de certos os valores das coisas,
eis uma manhã de Luz...

A Luz
límpida, macia, doce,
afável...


José Rodrigues Dias, 2018-09-18

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Do frio e do calor




Do frio e do calor


Tremendo a noite
do frio na escuridão, antes na luz o calor
transpirando o dia...

No dia
a vida transpirando,
o suor...


José Rodrigues Dias, 2018-09-17

domingo, 16 de setembro de 2018

Manhã de Domingo




Manhã de Domingo


Este cacho fresco de flores
e estas palavras simples pelas coisas ditas
que eu apenas aqui escrevo...

Colhendo três figos, lembrando a trindade,
olhando a cúpula da cidade, a Sé, o Templo de Diana,
branco e dois pretos, sentindo a igualdade...

Comer com casca a frescura dos figos,
livres crescendo puros, que os pássaros assim gostam,
com a boca sabendo a partilha e a fruta...

E sentir subindo no azul
este cacho matinal de flores amarelas
resistindo ao calor de sul...

As liberto, 
as flores e as palavras, 
em oferta...


José Rodrigues Dias, 2018-09-16

sábado, 15 de setembro de 2018

Amam-se em ternura




Amam-se em ternura


De noite a primeira chuva veio
do Verão que já lá vai ficando, o figo se abrindo,
o Inverno logo depressa vindo...

Logo de manhã, em azáfama,
as formigas em seus carreiros, não sei se terão dormido,
acarrejando para o frio o pão...

Já bem cheia a tulha,
olhando-se, olhando-nos, tranquilas, separado o grão,
amam-se em ternura...


José Rodrigues Dias, 2018-09-15

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Da dimensão do tempo





Da dimensão do tempo


Lá do menos infinito do tempo,
um segundo talvez o tempo de uma oliveira milenar,
até ao tempo efémero duma flor...

Instante de passagem, efémero,
de uma partícula de deus, ou do diabo, alpina, fugindo,
ou de um amor presente, eterno...


José Rodrigues Dias, 2018-09-14