sábado, 25 de maio de 2019

Uma taça para ti




Uma taça para ti


Do suor,
uma taça da terra para ti,
uma flor…


José Rodrigues Dias, 2019-05-25

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Ruela de Évora




Ruela de Évora


Ando mais atento
pelo campo e pela cidade.
Ouço mais, falo menos…
Deixei de correr
aquele correr de outra idade…

Reparo só agora naquela velha ruela,
branca senhora altiva contida,
pele pelos dias esmorecida
branca e amarela…

As duas fiadas alongadas
das casas irmanadas da gente
da ruela
em sóbrio arco
abraçadas
pela altura do ombro,
solidárias…

Unidas e fraternas se entrelaçam
as paredes em fiada dos dois lados
daquela velha ruela
de Évora
em sóbrio arco…

Como os homens bons
tranquilos pelo tempo
balançando firmes pelo lenço irmanados,
pele pela planície ondulando tisnada
e olhar no passado duro assentado,
o amanhã sentido florido 
libertado
em tom vivo de papoila cantado…


2012-05-24



in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016) - Livro um, 1/10 (Janeiro a Junho de 2012), Ed. Forinfor, 2018, 280 pp.


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Jrd, 2019-05-24

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Flor de cacto como sorriso




Flor de cacto como sorriso


Tinge-se de tons de Sol
ao entardecer sobre o mar poente
a flor de cacto na praia…

Como o sorriso
que se vai abrindo ao longo do dia
sempre colorido…


José Rodrigues Dias, 2019-05-23

terça-feira, 21 de maio de 2019

Quando…




Quando…

É na plenitude das ausências
que inteiro me encontro,
quando em mim
os rios
e os riachos
em túneis furando encostas
ligando planícies e florestas
se ouvem a correr em silêncio…
E quando em mim saltitam as imagens
de sorrisos de luz
e de sombras
de gente com braços suados
indo de socalco em socalco…

Quando o que é
não é o que fora parece
mas o que dentro me percorre…


2011-12-11

in José Rodrigues Dias, Emanações do silêncio, Ed. Forinfor, 278 pp, 2019.

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Publicado ontem o poema no jornal Diário do Sul, no suplemento dom Quixote, cuja gentileza agradeço.

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Jrd, 2019-05-21

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Trouxe de volta os silêncios




Trouxe de volta os silêncios


Os silêncios voltaram a casa
que aqueles sorrisos em olhos semicerrados
de volta hoje os levei,
que meus não eram…
Como levei mãos que a mão deram
em passos ainda quase trémulos…
E levei sílabas,
sons,
olhares apenas
de coisas…

Trouxe de volta os silêncios
das manhãs,
das tardes,
das noites…

2011-12-12

in José Rodrigues Dias, Emanações do silêncio, Ed. Forinfor, 278 pp, 2019.

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Publicado hoje no jornal Diário do Sul, no suplemento dom Quixote, cuja gentileza agradeço.


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Jrd, 2019-05-20

domingo, 19 de maio de 2019

Partidas com lágrimas




Partidas com lágrimas


Lágrimas, escorrem-lhe dos olhos…
Entra no relvado em tempo de vitória, o dia grande…
Que dor maior lhe invade o peito?…

De um homem,
o seu interior, o teu, o meu,
quem dele sabe?...


José Rodrigues Dias, 2019-05-19

sábado, 18 de maio de 2019

Futebol




Futebol


Sobe e desce e rola
a bola sobre a terra

e ei-los em guerra
(mata-mata)
de vida ou de morte

espicaçados a correr,
suando, gritando todos,
perdidos..., e a sofrer...

Não é de fogo a bola
que no espaço
desce e sobe e rola,

não é o Sol,
é só uma bola
de futebol!...

Nem é de vida nem de morte,
só uma pequena bola
de futebol que ali rola
e talvez golo de azar ou sorte!...


José Rodrigues Dias, 2016-03-09


in Sob Epígrafe, Tributo a Alexandre O´Neill, Editora Temas Originais, 2016.


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Jrd, 2019-05-18

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Lua luz noite dia




Lua luz noite dia


Lua pequena tão grande
Lua longe tão perto
Lua minha
fraterna
Lua tua
Lua luz noite dia
Lua mar lua redonda
Lua terna tão materna
Lua assim tão distante
inteira e mulher
amor amante…

Por isso, decerto foi por isso
que o homem foi conhecer-te
pelos céus disparado, louco,

e ainda que só por um breve instante
ter-te
mesmo que a cambalear, periclitante,

e, por ser o homem um fraco,
a todo o mundo dizer, estandarte na mão,
que tu, oh Lua, que tu és sua…

Oh gentes,
oh Lua,
que ilusão!…

Eu, encostado neste meu naco de terra
ouvindo as rãs cantando à cidade, interrogando-me,
olhar-te-ei, só, o tempo todo que puder…

2014-08-10


in José Rodrigues Dias, Chão, da Terra ao Pão, Ed. Forinfor, 152 pp, 2017.

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Jrd, 2019-05-17


quinta-feira, 16 de maio de 2019

(A)Braço




(A)Braço 


Cresce o braço 
que do céu enrolado
desce tão lasso...

Em azul azul
um ramo em verde fluido
neste sul a sul...

Nesta imensidão do espaço,
ao sabor de nós, de ventos, talvez da fé,
cada ser indo em seu passo...

Talvez de uma fé, de uma convicção,
em solidão ou em fraterna caminhada, abraçados,
tu, eu, sós, ou indo nós em comunhão...


2017-05-16

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in José Rodrigues Dias, Poemas em tercetos simétricos, diarísticos, Livro II (Abril a Junho, 2017), Ed. Forinfor, 144 pp, 2018.


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Jrd, 2019-05-16

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Roda viva a nora




Roda viva a nora


Roda viva a nora.
Enche-se vazio o alcatruz em baixo
na penumbra do dia adormecido
em quase quietude
vigilante.

Vem do fundo da noite
a luz
num alcatruz de água fresca
que subindo cheio
liberta a manhã,
guia o homem
e refresca o dia…

Roda viva a nora,
sempre a nora viva roda…


2012-05-15



in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016) - Livro um, 1/10 (Janeiro a Junho de 2012), Ed. Forinfor, 2018, 280 pp.



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Jrd, 2019-05-15