domingo, 9 de dezembro de 2018

Tempo de mudanças




Tempo de mudanças


In illo tempore, era eu ainda criança,
o cuco cantando anunciava a Primavera;
hoje, fins de Outono, ei-lo a cantar…

Que mudança esta agora:
não sei se ainda não se foi ou se já voltou
ou se sempre já cá mora…

Ou se Primavera
é sempre, é cada dia
que o cuco quiser…

Ou se Primavera
neste tempo de mudanças
já não é o que era...


José Rodrigues Dias, 2018-12-09

sábado, 8 de dezembro de 2018

Como criança em luz envolta




Como criança em luz envolta


Serena,
em silêncio, pura, como criança em luz envolta:
é a flor…


José Rodrigues Dias, 2018-12-08

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Pela calada da noite




Pela calada da noite


Logo aí vem a chuva:
levam-te pela calada da noite
os limpa-pára-brisas…


José Rodrigues Dias, 2018-12-07

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Liberdade aparente




Liberdade aparente


Cruzam os céus em voos,
levanta a gente e aterra, ora triste ora alegre,
a bordo transporta a vida…

O coração aberto para um reencontro,
um abraço, mil beijos, ou talvez sombras, lágrimas,
o coração fechado de um desencontro…

Voando pelos céus,
liberdade sem fim, e a liberdade tão aparente,
à vida a gente presa…


José Rodrigues Dias, 2018-12-06

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Paris, hoje




Paris, hoje


Cresce agora a revolta,
é Paris, Paris de pedras arrancadas, país, países,
estende-se à sua volta…

Arrancadas, pedras lançadas,
chamas, carros incendiados, tintas, destruições,
um Arco do Triunfo insultado…

E a gente daqui vê e ouve aquela gente,
a cara tapada e destapada, feridos e mortos, pedras,
parece este um outro princípio de Maio…

Sim, um novo Maio,
mas talvez com outros sinais, opostos, iguais,
sinais destes tempos…


José Rodrigues Dias, 2018-12-04

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Dois poemas do último livro, no Diário do Sul


Diário do Sul, 2018-12-03


Dois poemas do último livro, no Diário do Sul


* * * 

De nó em nó


Estica-se o laço a um homem
de nó em nó,
cortado que ficou o trilho,
o caminho...

Uma porta
de trabalho, outra porta,
se encerrou...


2012-03-02


* * * 


Mas tu fazes falta


Voltas de novo a dizer-nos,
publicamente,
e logo por escrito,
em tom definitivo,
como se dito em cartório de notário,
que estás a deixar caminhos,
como se a morte os estivesse encerrando!

Vais ficar como só para trás
e o mundo vai continuar,
mal…, dirás,
insensível, indiferente, como de autómatos só,
e tu um número a mais ou a menos,
a menos na Segurança Social,
assim tu o dizes,
um número apenas a mais ou a menos…

Como se isso fosse um consolo,
não sei se para ti se para nós, ou para todos,
dizes tu que viste já muito,
tanto vivido, lido tanto, tanto aprendido,
esquecido ainda mais,
dizes depois em tom resignado
que já não vais à procura de mais futuro…

Mas tu és gente
e fazes falta,

farás falta
quando faltares!

2012-02-27


José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016) - Livro um, 1/10 (Janeiro a Junho de 2012), Ed. Forinfor, 2018, 280 pp.


* * * 

Jrd, 2018-12-04

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Tons de Outono e já de Primavera




Tons de Outono e já de Primavera


Folha de um plátano, palma de mão
sobre um manto de rebentos no chão,
uma morrendo e outros renascendo…

Ela, tons de Outono,
castanha, tombada; eles, de pé, de verde,
tons já de Primavera…

Tempo
contínuo, contínua
a vida…

Morrendo
uns e outros, e em outros,
já vivendo…


José Rodrigues Dias, 2018-12-02

domingo, 2 de dezembro de 2018

Da cidade e do campo




Da cidade e do campo


No céu, à noite, a luz é de estrelas,
as estrelas que o céu da cidade não tem, dos ruídos,
as ruas são uns caminhos de flores…

Caminhos de flores
nascidas também de nós, à luz crescidas no chão,
semente de poemas...


José Rodrigues Dias, 2018-12-02

sábado, 1 de dezembro de 2018

Da beleza de Évora




Da beleza de Évora


Um azul de céu de sul aprofundando o dia,
um candeeiro de rua tornando clara a noite escura
e o belo iluminando o homem em harmonia…


José Rodrigues Dias, 2018-12-01

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Da luz, o poema




 Da luz, o poema


A fachada de um templo, de granito, sóbria,
lembrando Miguel Torga, das raízes a face austera,
a luz certa nela incidindo reflecte um poema…


José Rodrigues Dias, 2018-11-30