segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Dedicatória

 



Dedicatória:

 

  

Para vós,

homens e mulheres, de bata, de farda, sem nada,

na frente,

 

enfrentando os longos dias, talvez doentes,

desafiando um medonho adamastor, invisível e tão concreto,

ousando defender e alongar nossas gentes,

 

para vós,

lutando contra o Covid-19, por mim, por nós,

obrigado!

 

 

 in José Rodrigues Dias, Poemas confinados (2020, Janeiro a Abril), 148 pp, 2020. 


Jrd, 2021-01-18


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domingo, 17 de janeiro de 2021

De chumbo e fogo a terra

 



De chumbo e fogo a terra

 

  

Digo por vezes que o céu está azul

mas é uma terra de fogo e chumbo

que vejo

por todo o mundo

quer a norte quer a sul

de um qualquer rio Tejo...

 

Então, quando assim o céu azul o digo,

de chumbo e fogo a terra, é ainda a esperança

que eu me deixo e que partilho contigo...

 

2016-01-17

 


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro nove, 9/10 (Janeiro a Junho de 2016), 214 pp, 2021.


* * *


Jrd, 2021-01-17


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sábado, 16 de janeiro de 2021

Céu azul

 



Céu azul



Sábado,

dia de Inverno,

Janeiro.


Um dia muito límpido

todo cheio de um imenso céu

e sem ser de muito frio...


Copas de árvores no azul

filtrando o Sol de sul

e o rasto claro de um avião


e, além, a Lua

em janela toda aberta, escancarada,

para ver desde o início o pôr-do-sol

a chegar à rua...


2016-01-16


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro nove, 9/10 (Janeiro a Junho de 2016), 214 pp, 2021.


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Jrd, 2021-01-16


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Capa do "Livro nove", o vigésimo quinto de Poesia.

 


Capa do "Livro nove", 214 pp, o vigésimo quinto de Poesia, o primeiro de 2021.


Jrd, 2021-01-16


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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Até onde eu andarei?

 



Até onde eu andarei?



Encontro-me entre versos, versos, versos…

Serão versos?

Poesia?


Perdi-me no tempo entre fórmulas e números

inebriado tantas vezes em tão inefável beleza

tão absolutamente sagrada, origem que era…,

que só alguns deuses e deusas assim a sentiam

em instantes de profunda reflexão concentrada…

E perdi-me também entre tantos bits e bytes

(como haveria aqui de os nomear?),

entre aqueles esqueléticos zeros e uns,

tão esqueléticos e tal a pureza em si que era…

Deixei marcas cinzeladas de vida nascida que senti

enquanto me marcava a sombra vaga de uma nuvem

correndo sobre o homem no chão

e a cor crescendo numa flor

e poder eu apenas então dizer

sim ou não,

apenas isso…,

ou não e sim

em absoluta disjunção,

assim tão, eu tão redutor

vendo a cor a crescer

de uma flor

ou a força 

de uma dor…


Perder-me-ei de novo no tempo

neste outro encontro

fora de tempo?

Até onde eu andarei?


2013-01-15


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro três, 3/10 (Janeiro a Junho de 2013), 266 pp, 2020.


Jrd, 2021-01-15


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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Neste silêncio

 


(Escrito neste dia, há dois anos, em livro de 2019. Foto desta tarde.)

*

Neste silêncio


Rolando na calçada,

não sei de onde o sopro, uma folha seca

acorda este silêncio…


Queda-se, depois,

no relvado, neste silêncio,

aquecendo ao Sol…


Aquecendo

para a noite estrelada

de Inverno…


Vendo a folha

rolando, parando, o Sol também em silêncio,

penso na gente…


E tanta a gente

com Sol, e na sombra, 

a tiritar, calada…


2019-01-14


in José Rodrigues Dias, Poemas nas ondas dos dias, I (2019, Janeiro a Março), 162 pp, 2019.


* * * 


Jrd, 2021-01-14


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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Uma frincha de janela

 


Escrito neste dia 13 de Janeiro, há precisamente cinco anos, integrado neste novo "Livro nove" do "Diário Poético (2012-2016)", o penúltimo desta série de dez, sendo o vigésimo quinto livro de Poesia.


* * * 


Uma frincha de janela


Deixa, deixa a luz vir!

Pelo mesmo caminho em outro sentido

a nuvem lá se há-de ir!


Por uma frincha de janela

um instante se faz de esperança

e tudo na casa é mudança!


2016-01-13


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro nove, 9/10 (Janeiro a Junho de 2016), 214 pp, 2021.


* * *


Jrd, 2021-01-13



terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Notas do Autor

 



Notas do Autor

 

 

Primeiro dia deste novo ano de 2021, ano dos setenta anos, se a Vida, a ela o autor grato, o permitir. Caminhos cheios de actividades variegadas, olhares tensos e de sorrisos, ganhando o pão, dia a dia, vindo lá de longe, as origens entranhadas,  caminhando sempre, o olhar levantado, dos calos do trabalho altivo, livre.

 

Aqui chegado, olhando o tempo, este o décimo primeiro ano de Poesia publicada, de ser Aprendiz de Poeta, aprendiz eterno dos homens, dos caminhos, da Vida.

 

Este o nono livro de uma série de dez, incluindo os poemas escritos ao longo do primeiro semestre de 2016, que o autor decidiu publicar, por semestres,  contemplando o período de 2012 a 2016, inclusive, com o título genérico Diário Poético (2012–2016).

 

O Livro um, constituído por 154 poemas, foi publicado em 2018. Os sete seguintes em 2020 e este no início de 2021. O Livro dois inclui 156 poemas, o Livro três, 173, o Livro quatro,  179, o Livro cinco, 168, o Livro seis, 103, o Livro sete, 110, o Livro oito, 244, incluindo este Livro nove 139, todos os poemas apresentados por ordem cronológica, num total de 1.426 poemas nestes primeiros nove volumes.

Este Livro nove é o vigésimo quinto livro de Poesia do autor (o primeiro em 2010, o segundo em 2011, o terceiro em 2015, dois em 2016, dois em 2017, três em 2018, quatro em 2019, dez em 2020 e este já em 2021).

 

Dos 139 poemas que constituem este volume, 48 já antes haviam sido publicados, estando devidamente referenciados através de um índice.

 

Não se pretendeu introduzir nos poemas já publicados qualquer alteração, salvo algum pequeno pormenor.

 

Escritos há uns quatro ou cinco anos, os poemas ainda não publicados em livro foram agora aqui revistos, não tendo sido, porém, alterados na sua essência, sofrendo apenas uma ou outra pequena modificação. Quis o autor mantê-los como nasceram, no seu próprio contexto. Por outro lado, não foi excluído, tal como nos livros anteriores desta e de outras séries, qualquer poema encontrado, ficando, assim, o olhar integral do autor no período respectivo. Contudo, é possível que algum poema, por não encontrado, tenha sido omitido.

 

Diversos poemas foram sendo publicados no blog de Poesia do autor, Traçados sobre nós, iniciado em  10 de Novembro

de 2011 e que se mantém até hoje, com uma janela aberta para o Facebook, sentindo e respirando outros ares.

 

Exceptuando os dois primeiros livros, é também do autor todo o trabalho de elaboração deste Livro nove, excepto o acto de impressão. Assim, todas as falhas são da sua responsabilidade. Se algum mérito houver, será fruto dos caminhos, diversos, alguns longos, pelo autor percorridos. Juiz, o leitor!

 

Este Livro nove é o primeiro publicado em 2021. É desejo do autor publicar outros, bastantes mais, ousando, deixando registada em livros a sua escrita diarística ao longo destes últimos dez ou onze anos, assim organizados:

 

a)      o Livro dez, o último deste Diário Poético (2012-2016);

b)     dois livros com os poemas ainda não publicados de 2017, integralmente escritos em tercetos simétricos (o segundo verso como eixo de uma simetria visual, geométrica), relativos aos dois últimos trimestres desse ano (os outros dois já publicados, em 2017 e 2018);

c)      três livros, também em tercetos simétricos, relativos aos três últimos trimestres de 2018 (o do primeiro trimestre já publicado, em 2019);

d)     três livros, igualmente em tercetos simétricos, relativos aos três últimos trimestres de 2019 (o do primeiro trimestre já publicado, em 2019);

e)      um livro com os poemas escritos em 2020, também em tercetos simétricos e ainda não publicados;

f)      um livro com os poemas anteriores a 2012 e ainda não publicados;

g)      quatro outros livros, temáticos, com selecção de poemas: um com referências  à sua origem nordestina, a pedra moldando o destino; outro relativo a Évora e ao Alentejo, terra de adopção; outro com poemas tocando temas científicos; e um quarto com poemas envolvendo algum simbolismo esotérico.

 

Seria, assim, neste ano de 2021, como que uma simbólica comemoração dos setenta  anos de vida do autor, ele que nunca comemorou festivamente o seu aniversário, depois de uma vida dedicada a fórmulas e a números, a computadores (hardware e software), ao ensino e à investigação, com traços nestas áreas reconhecidos nacional e internacionalmente, acrescentando-lhe agora este novo caminho, inesperado, tardego, da Poesia.

 

Com uma centena de trabalhos científicos publicados, em Portugal e no estrangeiro, com milhares e milhares de linhas de código de computadores escritas, com este Livro nove o número de poemas diferentes publicados (em livros) atinge já, em números redondos, os 2.360.

 

De números deverá saber o autor, referindo, talvez por isso, tantos! Pela quantidade, e por assim cruamente a referir, que seja perdoado. Da qualidade dos poemas saberá o leitor.

 

 

José Rodrigues Dias, 2021-01-01



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Jrd, 2021-01-12


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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Ergue-se o Sol!

 



Ergue-se o Sol!

 

 

Insinuando-se, vão vindo

e ficando vão-se enrolando em nós

por entre certas sombras,

 

connosco se sentam e deitam

e nos embalam

e num manto nos entorpecem,

 

e eles despertos

numa teia nos urdindo

à volta da cama...

 

Depois de calores, frios,

afiadas as dores das costas aos pés,

os tremores, os calafrios...

 

E o caminho dos dias ali se rompe,

a palavra é um ai repetido abafado,

 

 o verso um gemido monótono deitado,

o poema um ser sem viço nem sentido,

 

a vida de dor ali se renova 

numa eterna interrogação,

 

e da pergunta fica a dúvida

com um sinal de esperança...

 

E em novo dia,

longa a noite, a noite já morrendo,

ergue-se o Sol!

 

2016-01-04

 


(O primeiro poema escrito em 2016 e, por essa razão, o primeiro do próximo livro e, também por isso, sendo o poema da contracapa).


Jrd, 2021-01-11


domingo, 10 de janeiro de 2021

Mais forte que a morte, mais forte…

 



Mais forte que a morte, mais forte…


Mais forte 

que a morte,

mais forte...


Contudo, certo instante

a treva numa fenda

a engole num rompante


e a luz boiando no mar se afunda

como num buraco no espaço negro

e a treva parece que tudo inunda...


Porém, ela é mais forte 

que a morte,

porém, ela é mais forte...


2015-07-07


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro oito, 8/10 (Julho a Dezembro de 2015), 298 pp, 2020.


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Jrd, 2021-01-10


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sábado, 9 de janeiro de 2021

Um ramo de flores

 



Um ramo de flores


Do covid que mata,

para a senhora, Madrinha, Tia Marta,

um ramo de flores!



Jrd, 2021-01-09


sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Morte, como um vírus adormecido?

 


(Um dos vários poemas escritos no dia 8 de Janeiro, já publicados em livros, este escrito em 2014).


*


Morte, como um vírus adormecido?


Quanto caminho por fazer

e tanto por entender,

palavras e sinais,

vidas e vias,

vazios,

dúvidas,

interrogações

até morrer…


E, depois, a morte!


O que é a morte,

onde mora,

dorme, acorda?


Mora em nós

como um vírus adormecido

ainda desconhecido

que um dia acorda

e nos esmurra

bruta

ou nos embala

doce

até dormir?


E, depois, sonho?


2014-01-08


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro cinco, 5/10 (Janeiro a Junho de 2014), 264 pp, 2020.


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Jrd, 2021-01-08


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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Dispersas nos veios das rochas

 



Dispersas nos veios das rochas



Habituei-me aos números e às fórmulas,

ao zero e ao um,

olhando-os

(apesar da beleza de rostos seus

sem palavras de mim sabidas para a dizer,

alguns traços apenas talvez em fractais movediços)

de uma forma bem austera, quase granítica,

se bem que sem nenhuma austeridade imposta,

aí tendo dispersas nos veios das rochas

as minhas raízes à procura das seivas,

aí florindo em alguns frutos…


2013-01-07


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro três, 3/10 (Janeiro a Junho de 2013), 266 pp, 2020.


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Jrd, 2021-01-07


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Dia de Reis

 



Dia de Reis


E lá no alto

uma estrela ilumina 

o caminho...


Sem sonhos, sem brilho,

sem um sinal de Luz

que turvo seria o destino...


José Rodrigues Dias, 2021-01-06


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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Mestre escultor

 



(Poema escrito no dia em que foi atribuido a João Cutileiro o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Évora, a que assisti).



Mestre escultor


Trabalhando só agora a palavra,

tudo há tanto tempo dito

tão forte e tão belo

e escrito

assim tão sábio,


sem viço deverá ser a minha lavra

e o fruto com um sabor já outoniço

ainda que os dias de luz primaveril…


Tu,

mestre escultor,

trabalhando sempre a pedra

que te nasce da terra

e tanto te medra

bela…


2013-10-03


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro quatro, 4/10 (Julho a Dezembro de 2013), 276 pp, 2020.


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Jrd, 2021-01-05


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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Da (des)construção de castelos

 



Da (des)construção de castelos


Pedra a pedra

se faz um castelo, como o teu, devagar se bem feito,

a várias mãos…


E talvez todo  num instante 

se poderá desmoronar, talvez tu dentro,

cada esquina se esboroando…


Escrito

nas pedras de antigos

castelos…


2020-01-04


in José Rodrigues Dias, Poemas confinados (2020, Janeiro a Abril), 148 pp, 2020. 


Jrd, 2021-01-04


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domingo, 3 de janeiro de 2021

A sul

 


A sul


Sento-me a sul, vindo do norte.

Por outros lugares passei,

de ocidente para oriente.

Mãos limpas, brancas,

olho os caminhos,

agora mais em silêncio,

cada vez maior este silêncio,

sentado como devo estar,

na luz certa da condição.

Observo os que me rodeiam,

quem nos guarda, 

quem nos dirige,

os trabalhos,

quem a palavra tem.


Noto que as palavras fluidas se libertam

e como tudo é transitório

excepto a essência já gravada nas pedras…


2012-01-03


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro um, 1/10 (Janeiro a Junho de 2012), 280 pp, 2018.


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Jrd, 2021-01-03


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sábado, 2 de janeiro de 2021

No primeiro dia de Janeiro

 



No primeiro dia de Janeiro


Olho este mundo

no primeiro dia de Janeiro

do cimo ao fundo...


Em concha de terra     

uma manta de água pintada de nuvens 

vagueando no céu...


Olho mãos do homem

em barragem segurando as regas das colheitas 

que rápidas se somem...


Olho as teias de fanatismos tecidas,

oh!, bela é a teia duma aranha à luz do Sol ali rendilhada,

que tanto enegrecem muitas vidas...


E olho os musgos do tempo,

olho coisas, muitas coisas de que pouco entendo,

e olho na terra o entardecer... 


2018-01-02


in José Rodrigues Dias, Cadernos Diários de Poesia, Inverno (2018, Janeiro a Março), 118 pp, 2019.


Jrd, 2021-01-02


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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Ano Novo

 


Votos de um Feliz Ano Novo de 2021.


Ano Novo


De muita espuma

e de lágrimas disfarçadas

em sorrisos na noite de luz ensombrada

(mas que há-de um homem e uma mulher fazer?...)

e de lágrimas corridas debaixo das pontes 

que extravasam,

de outro caminho ressequido 

que em deserto se findou

nasceste tu pequenino em teu caminho

como rebento do tempo em ponto…


Parece-me a margem de um oásis,

talvez seja um oásis,

oxalá seja,

não seja miragem…


2013-01-01


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro três, 3/10 (Janeiro a Junho de 2013), 266 pp, 2020.


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Jrd, 2021-01-01


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