sábado, 18 de fevereiro de 2017

Tempos




Tempos


Tempo de Inverno
feito pelo tempo de Primavera.
Tempo de tratar do cultivo da terra.
Tempo do Sol agora em queda.
A casa eu regresso...


José Rodrigues Dias, 2017-02-18

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Querendo eu voar...




Querendo eu voar...


Observei, sem querer, fotografias
que fui tirando pelos dias andando
quando o momento me ia ditando

e é curioso como elas são,
são momentos meus a olhar
pedaços do céu e do chão...

Meus pés no chão
e o secreto desejo a andar
querendo eu voar...


José Rodrigues Dias, 2017-02-03

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Poema triste





Poema triste


Passava e deixou de passar,
nem de automóvel nem de cajado...
Perguntei, foi parar a um lar...

Chorava
quando de lares
se falava...


José Rodrigues Dias, 2017-02-10

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O instante...




O instante...


Paredes de um branco branco
encimando um chão em recanto
sarapintado de flores brancas...


José Rodrigues Dias, 2017-02-13

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

De pão e de vinho...




De pão e de vinho...


Macia, bendigo a chuva
que agora na terra sedenta cai,
levanta-se em rebentos

de pão e de vinho
para a ceia de cada dia
e para o caminho...


José Rodrigues Dias, 2017-02-04

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Évora e os arcos




Évora e os arcos


Lá pelos arcos da cidade
habitam dias e noites quentes de Verão
não cabendo pela planície...

Com aragens passam os dias frios 
libertando-se ainda assim das noites de Inverno
que se vão amenizando nos olhares...

Porém, gente de fora e de dentro
detém-se nos arcos de encantos entranhados
a cada momento de todo o tempo...


José Rodrigues Dias, 2017-02-13

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Película de água




Película de água


Sob fina película de água
medram teias de raízes e delas brotam flores 
como em aridez de fraga...


José Rodrigues Dias, 2017-02-10

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O templo





O templo


Descera uns degraus, 
velho era aquele granito,
e segui-o, não me via.

A porta estava quase fechada, 
enorme, daquelas antigas que o tempo não come,
por pequena frincha se abrira.

Entrara. 
Ali, uns pequenos passos perdidos.
Segui-o.

Fechado o templo,
uma porta leve abrira e nele entrara,
de silêncio o ruído.

Desligo 
o telemóvel.
Segui-o. 

O templo,
vazio, enorme, ali vazio
o templo!

Vi-o de pé a olhar.
Senta-se, então, à entrada,
era ali o ocidente.

Não havia um concreto Sol
nem uma discreta Lua,
não era noite e nem era dia,

não havia árvores nem pássaros
nem frutos proibidos,
chamas também nenhuma se via.

Nenhum rio a correr ali se sentia,
nenhum mar ondulava,
nem pinga de chuva nem aragem,

havia apenas uma luz coada,
não sei que coisa a coaria
mas não era coar de nuvens

nem eram folhas de árvores
nem qualquer tipo de poluição
e também não eram sombras,

era apenas aquela luz coada,
íntima, nem quente nem fria,
era apenas aquela luz tépida

como água de banho limpa
de interioridade
em momento de reiniciação.


José Rodrigues Dias, 2017-02-09

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

No fundo do olhar...




No fundo do olhar...


O belo das coisas à tona da água
no manto reflectido, sereno, límpido, 
como a virtude no fundo do olhar...


José Rodrigues Dias, 2017-02-10

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O ser e o mistério, ad aeternum...





O ser e o mistério, ad aeternum...


Sinto que os olhinhos
das batatas
sob a pele da terra
se vão mexendo,

uns pezinhos
(talvez)
de meninos
em barriga de mãe,

preparando-se lentamente
para o nascer do dia
trazendo alegria
e alimento
a este mundo...

E assim,
nascimento e alimento,
a luz em contínuo chamamento,
alimento e nascimento,
sem fim...


José Rodrigues Dias, 2017-02-08