segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Das gotas




Das gotas


Cheias
caem gotas
gordas...

Pressentindo, abre-se o chão
de sedentas as raízes e as sementes
ficando logo a levedar o pão...

Depois, e gota a gota,
de todas as gotas em excesso 
encher-se-á a charca...

Sim, que até as andorinhas
logo pela Primavera em voos rasantes 
gostam de lá molhar o bico...


José Rodrigues Dias, 2017-12-11

domingo, 10 de dezembro de 2017

Espera sentado o pescador



 
Espera sentado o pescador
 
 
Velho mas ainda sonhador,
de cana no ar, na rocha o peixe do mar
espera sentado o pescador...


José Rodrigues Dias, 2017-12-10

Mar em acalmia




Mar em acalmia


Eu nesta acalmia, nesta mansidão,
e tu com todo esse medo de mim
com pedras à porta em prevenção...



José Rodrigues Dias, 2017-12-09

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Mãe, da raiz o rebento




Mãe, da raiz o rebento


Da raiz o rebento no aconchego do coração...
Nem frio nem fome, sem dores, na palma da mão...
Do início da concepção ao voo da libertação...                     


José Rodrigues Dias, 2017-12-08

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Como gotas em taças de vinho




Como gotas em taças de vinho


Tão unidas como gotas
em taças de vinho se abrindo,
pétalas de flores roxas...


José Rodrigues Dias, 2017-12-07

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Madiba




Lembrando Nelson Mandela, 

poema de 2013, aquando da sua morte, incluído neste livro de 2016.

* * *  


 Madiba


Hoje, no terreiro grande,
nesse misto de comoção e festa,
homens de olhares coloridos
te sentem e cantam
livre sem cor
com sorrisos
sem dor
de ti preso nascidos,

é o nosso canto
de encanto
libertando amor
durante a tua sesta,

é comoção
feita quase festa
de humana libertação…

2013-12-06

José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar, Ed. Forinfor, p. 152, 2016

* * *  

José Rodrigues Dias, 2017-12-06

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

As flores e a caverna de Platão




As flores e a caverna de Platão


Bailam sombras na parede
ao sabor da aragem 
brincando com lindas flores...

Ah, estivesse eu preso,
ignorante em caverna de Platão,
como perderia as flores...

Os tons da vida, as cores,
sem nada saber de não ver, apenas sombras,
desterrado, preso em rede...
 

José Rodrigues Dias, 2017-12-05

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Da luz de cada esquina um sonho





Da luz de cada esquina um sonho


Da luz de cada esquina um sonho,
de cada sonho um voo, alto, longe, à luz do tempo,
o sorriso na força que nele ponho...


José Rodrigues Dias, 2017-12-04

domingo, 3 de dezembro de 2017

A Lua, o Sol, tu e a chuva




A Lua, o Sol, tu e a chuva


Deita-se o Sol
a poente, a nascente 
ergue-se a Lua...

Lua de ventre tão cheio
que de enigmas se foi enchendo,
de mistério agora cheio...

De um ramo de uma antiga oliveira
onde com o tempo devagar vou subindo
pergunto-lhe quando traz ela chuva...

De encolher seus ombros,
dos mistérios o seu gesto imperceptível,
senti que nem ela sabia...

E, então, ela naquele enigma doce ali tão perto,
pergunto-lhe se o Sol, seu dual companheiro, saberia.
Diz-me, olhando, que já nem ele sabia ao certo...

Olhos nos olhos: Então, Lua!...
Responde ao meu rosto com o seu:
Olha-te, talvez seja culpa tua...


José Rodrigues Dias, 2017-12-03

sábado, 2 de dezembro de 2017

Árvore da sabedoria




Árvore da sabedoria
 

Lenta aumenta, crescendo, a árvore da sabedoria,
talvez uma antiga oliveira já bem anciã dos princípios do tempo,
tronco rugoso, a pele gretada da vida de cada dia...

Ei-la sempre aqui junto de nós,
tranquila, sábia decerto, sábia tanto que nem sabemos,
mas tão sóbria aquela sua voz...

Tocá-la e subir pelo seu tronco em liberdade,
devagar, conversando com ela, mesmo com palavras,
mas sem egoísmo nem pressa nem ansiedade...

Pelos seus ramos divagando
cada ramo se vai mostrando aos iniciados
e na luz sorrindo vai falando...

Uns bagos de azeitona
no ramo certo maturados para um fio de ouro
lá vão surgindo à tona...

E se, por acaso, escondido encontrares um ninho
lá entre os seus ramos altos, em plumas envolto,
deixa-o, discreto, é o lugar sagrado do passarinho...


José Rodrigues Dias, 2017-12-02