domingo, 25 de setembro de 2016

Tronco de oliveira




Tronco de oliveira


Só mil tempos fazem rugas
e sulcos e chagas com funduras assim...
Que sóis, líquenes, chuvas!...

Mas, apesar de todos os males, mesmo assim,
pelo tronco corroído circula essa seiva vital
de que se faz um azeite genuíno e dele uma luz...

Esse azeite em que se molhava a torrada
e na candeia uma frouxa luz que na aragem oscilava
mas que as primeiras letras me iluminava...


José Rodrigues Dias, 2016-09-25

sábado, 24 de setembro de 2016

Outonos




Outonos


Sim, é verdade,
uns cabelos vão-se sumindo
como se folhas ressequindo,
sim, será idade...

Mas, firmes de pé, no jardim,
as árvores vão-se ajeitando ao tempo
enfrentando novamente frios e vento
até uma outra primavera, sim...


José Rodrigues Dias, 2016-09-22

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Partir e não chegar...




Partir e não chegar...


Se do pelotão se perde
um de nós, o trilho inesperado,
o coração se nos parte...


José Rodrigues Dias, 2016-09-22

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Equinócio do Outono




Equinócio do Outono


Menores as noites
e nos olhos talvez sombras,
quase tudo se vendo com a luz do tempo
como as pequenas coisas de nada
e até os pequeninos seres decrescentes
e mesmo a fraqueza dos homens
em sorriso frágil 
disfarçada 
para além dos corpos estendidos
com a desnudada beleza
ao Sol…

Depois do colorido tempo
ressequido
outro tempo vem quase monótono
em tons e sons
e a senhora dona Lua de face prateada
ao Sol dourado clama por igualdade;
as árvores desfrutadas começam a adormecer
com o prenúncio de ida nas entranhas marcada
em voos de retorno anual
da passarada…

Por fim, não demora a tardinha a chegar
no caminho de um olhar da gente
talvez menos luminoso
e menos quente…


José Rodrigues Dias, 2012-09-25

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Sementeiras




Sementeiras


Mês de Setembro,
meados já de Setembro,
tempo de aguçar os bicos dos arados
e escolher as sementes,
disso me lembro!...

Outro tempo...
Hoje,
o meu tempo...

Semeei a primeira leira...
Sem chuva caída do poço reguei
como se terra sequeira...

Semear depende mais de mim
mas colher não, depende,
há o canto e o desencanto dos ventos
que tempo não se vende,
depende, ver-se-á só lá no fim...

Colher o fruto maduro
é fácil, difícil é preparar a terra,
olhar o dia seguinte nos céus, lançar a semente
sentindo a vida renascer e a crescer lentamente,
o tempo todo longo em espera...
Sem fruto, mais duro!...


José Rodrigues Dias, 2016-09-18

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Capa




Capa


Desta fotografia
a capa de um livro, o quinto,
meu, de Poesia...


José Rodrigues Dias, 2016-09-17

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O canto da beleza




O canto da beleza


Falam de beleza
no café facebook, sexta-feira,
a uma sua mesa...

O ter de ir embora
e fechar então a loja,
algum tempo fora...

A luz agora aqui mui tranquila,
Setembro a meio, olhos abertos sem dor,
reforça a ideia que o ser anima...

Inteira a luz, integralmente transparente,
céu azul muito azul, nem longe nem perto, possível,
os ramos verdes dos arbustos mui verdes...

E já nem falo de outras cores e de sons
porque a beleza é um integral multiplamente indefinido 
incluindo todos os homens e seus tons...

De nada
o canto da beleza
em tudo!...


José Rodrigues Dias, 2016-09-16

domingo, 18 de setembro de 2016

Contracapa




Contracapa


Desta fotografia
a contracapa de um livro, o quinto,
meu, de Poesia...


José Rodrigues Dias, 2016-09-17

sábado, 17 de setembro de 2016

Beleza





Beleza


Num cacho de flores,
numa pedra bruta, na serra, em nascente,
em toda a natureza,

há sempre um ângulo, um modo de olhar,
talvez ingénuo como o de criança
ou peneirado, de sábio como o de ancião,

de onde jorra,
límpida como luz iniciática,
a pura beleza...


José Rodrigues Dias, 2016-09-06

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

É quase meia-noite...




É quase meia-noite...


É quase meia-noite,
cansado já lá vai o Sol,
outro dia de trabalho no fim...;
cheia de lá vem a Lua,
já lá vai o meio-dia...


José Rodrigues Dias, 2016-09-16