sábado, 12 de agosto de 2017

Rimas de livros




Rimas de livros


Um banco e rimas de livros no largo da igreja,
são estes de pedra, perenes, de mármore;
que a ideia de livros presente ali sempre esteja...


José Rodrigues Dias, 2017-08-12

sábado, 5 de agosto de 2017

Um ramo de vida




Um ramo de vida


Um ramo de vida,
ao alto, vede, em louvor,
a vida agradecida...

Um azul do céu,
a cor do chão nascida na flor,
o amarelo do Sol...

E o nosso pão,
de cada dia, do amor e do suor,
nascido da mão...


José Rodrigues Dias, 2017-08-05

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Harmonia






Harmonia


É apenas, das ruas colhida, uma magia...
Se duvidas, não perguntes, olha apenas.
Renascendo vai-se fazendo a harmonia...


José Rodrigues Dias, 2017-08-02


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Um chão quase mosaico




Um chão quase mosaico


Fiadas de papel entretecido, adornos no céu da rua,
dependuradas, e eis que um chão quase mosaico, dual,
se desenha de sombras, ecos da luz do Sol e da Lua...

Mas o olhar nunca se repete em dualidade,
até a brisa altera os contornos, aguça-os ou amacia-os,
nem a Beleza em sua própria singularidade...

Eis encantamento,
ei-lo, vós todos!, ei-lo!,
a todo o momento...


José Rodrigues Dias, 2017-08-02

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Ruas Floridas de Redondo





Ruas Floridas de Redondo


Borbulha da Beleza quanto gomo!
Rebentos frescos de Primavera em papel de seda!
Entre tanto assomo qual escolho?

Ruas Floridas da vila de Redondo,
dia de Verão quente, Alentejo; do que em mim recolho
como escolho seu melhor assomo?

Assomam de mãos sem cara, gomos
como poemas de mil Poetas sem facebook nem nome
em fino papel de seda, como escolho?

Ali bem à beira,
no rio fresco em dádiva que pura corre,
corre que seiva!...


José Rodrigues Dias, 2017-08-02

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Do amor




Do amor


Gosto do amor que nos faz mover,
o sabor entranhado, maturado pelo tempo,
enquanto o andar não se nos tolher...


José Rodrigues Dias, 2017-07-31

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Sonho de pescador




Sonho de pescador


À entrada da porta,
a Lua ao fundo sobre o mar,
descanso do barco...

As cores
de sal e Sol, e de suores,
e sabores...

Camisa arregaçada
descalço, calça puxada, ali sentado
e talvez já a bolinar...

Peixe na mão
cada dia a sonhar 
sendo seu pão...


José Rodrigues Dias, 2017-07-31

domingo, 30 de julho de 2017

Um piano e um violoncelo




Um piano e um violoncelo


Davam-se as mãos,
carícias entretecidas, Vivaldi no início,
amanhando os sons,

deleitando-se, tranquilo, o tempo
no fresco da noite, apenas uma leve brisa
sem um ruído crepitado de vento...

Uma luz se apagara depois de se acender,
depois apenas ficara a primeira, a da pedra angular,
e aquela Luz que sempre arde sem se ver...

O movimento ali parara,
até o correr da fonte no centro dos claustros
por respeito se quedara...

E mãos se dando no silêncio
em sons, até a velha fonte, olhando, se quedara!...,
enchendo corações sedentos...

E ondas de mãos em início de noite, de fogo fora o dia,
lânguidas de um mar fresco se espraiando, dulcíssimas,
ou rompendo-se numa quase brusquidão, em harmonia...

Um cabelo aparado o dele,
o dela, também jovem, caído
sobre um negro de vestido...

E vénias breves
e
aplausos longos...

As ondas desprendidas da harmonia
daquele convento subindo aos templos no cume da cidade
irradiando lá pela lonjura na planície...

Olho, não ouço a fonte...
Um garoto, sentado, debaixo de um arco, mui atento...
Parece o enebriamento...


José Rodrigues Dias, 2017-07-30

sábado, 29 de julho de 2017

Nem coração apertado




Nem coração apertado


Não há portão fechado
que não deixe 
passar, livres, as flores...

Nem coração apertado
que se feche
ao perfume de amores...


José Rodrigues Dias, 2017-07-29

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Árvores




(Hoje, a propósito do Dia Mundial da Conservação da Natureza).


Árvores


Estas são palavras escritas em folhas
De árvores que te pedi emprestadas,
Por novas serem ainda as árvores
Por mim plantadas.

Um dia, Poeta, a tua poesia verei
Em muitas folhas das árvores
Crescidas que te deixarei.

Então, ao ver-te,
Lá onde estiver,
Um doce sorriso sentirei
E em aragem de folhas
Em manhã primaveril
Te enviarei!


José Rodrigues Dias, Braços Abraçados, Tartaruga Editora, 2010.