sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Do céu ao chão




Do céu ao chão


Repara, deixa de olhar tanto
o céu, é no chão
que se derrama tanto pranto...

Olha o chão,
deita a semente, o fruto da flor sobe,
sobe ao céu...


José Rodrigues Dias, 2018-09-20

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

De paz cheia a mesa posta




De paz cheia a mesa posta


Pelas ameias das muralhas
um rendilhado sobre o chão de luz e sombra
entretecido na manhã clara…

De paz cheia a mesa posta,
nenhuma cabeça pelas ameias espreita
e fora, viçosa, uma oliveira…

Para que conste,
estes os factos tal como são, juro,
disse o homem…


José Rodrigues Dias, 2019-09-19

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Do quadro ao poema




Do quadro ao poema


Um quadro negro em branco,
uns esboços apertados por nós,
tu vendo na parede o quadro…

Uma folha branca em negro,
uns traços atados por palavras,
tu lendo desenhado o poema…


José Rodrigues Dias, 2019-09-18

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Uma história de flor de hibisco sem moral




Uma história de flor de hibisco sem moral


Que dor
uma mosca picando
uma flor…

Fica como pena
no olhar
em tarde amena…

Da flor sem fel,
amarela e vermelha, macia, de hibisco,
a mosca ao mel…


José Rodrigues Dias, 2019-09-17

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Oliveira, apesar de tudo




Oliveira, apesar de tudo


 Do tempo, dos sóis e dos ventos,
do chão e dos ares, frios, ardentes, apesar de tudo, contigo,
sempre rejuvenesço em rebentos…


José Rodrigues Dias, 2019-09-15

domingo, 15 de setembro de 2019

Imagens de um cair de tarde




Imagens de um cair de tarde


Ouço lá do poente um chamamento:
sinto nuvens de fumo subindo no céu se diluindo,
é um Sol em brasedo ainda ardendo…


José Rodrigues Dias, 2019-09-15

sábado, 14 de setembro de 2019

Para o sorriso




Para o sorriso


Para um sorriso
de frente se abrindo, olhos negros,
uma flor branca…

De um branco macio,
luz acima subindo, a flor é um braçado de flores,
entre o verde e o azul…

A flor branca
como oferta pura, singela,
para o sorriso…


José Rodrigues Dias, 2019-09-13/14

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Obrigado pela ternura




Obrigado pela ternura


Regos, rasgos,
profundos no meu tronco de velha oliveira,
fendas fundas...

Chuvas, sóis, ventos,
os tempos desurdindo no seu tempo lento
em seus movimentos...

Olha, Amigo, sofrida tanta agrura,
que a Terra em mim esqueça a guerra,
Luz e Paz e obrigado pela ternura...


José Rodrigues Dias, 2018-09-13

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Aquela Luz de bagos de azeitona




Aquela Luz de bagos de azeitona


Devagar, caindo cada dia,
os bagos de azeitona
vão aprendendo a ser Luz...

Aquela Luz de candeia
que iluminava, trémula, tão trémula ela que era,
minhas primeiras letras...

E como esquecer
essa coisa simples, mas tão funda, linda, essa Luz
pilar de minha vila...

Talvez mesmo por isso
que plante oliveiras, as vá plantando,
e as olhe ao cair do Sol...

Ao cair do Sol,
a Luz, caindo o dia,
ilumina a noite...


José Rodrigues Dias, 2018-09-12

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Do sentido da vida




Do sentido da vida


Pequeninas, um casal de flores brancas, joviais,
ao rés-do-chão, o chão gretado, leves aragens e abraços
como se namorando na secura agreste do Verão...

São ínfimos sinais,
detalhes mínimos, profundos na dimensão,
do sentido da vida...


José Rodrigues Dias, 2019-09-11

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Laudato si´, a harmonia, diria Francisco





Laudato si´, a harmonia, diria Francisco


Colho os cachos negros de uva madura,
do peso pendem; entretanto, de leves se elevam,
olho flores em cachos claros da frescura…

Um dia assim,
no céu uma suave toalha esbranquiçada,
leve a aragem…

O ver,
laudato si´, a harmonia, diria Francisco,
o ter…


José Rodrigues Dias, 2019-09-10

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Alentejânia




Alentejânia

(Para a Amiga Maria Águeda)


Onde perto
é o céu
e é tão longe…

E tão alto
o azul
tão baixo…

E a lonjura
é um ser perto
da planura…

E onde o ali
do tempo sem tempo
é outro além…

Onde viva a cultura
de povos se faz a cultura de um povo, viva pela rua,
e não tem sepultura…

Onde sob uma azinheira,
à sombra suada, braços dados irmanados,
ecoa o cante da liberdade…

O sagrado
é irmão, lado a lado em cada canto,
do profano…

Onde até do mar
de tão puro, genuíno,
se faz um manjar…

E os rostos de suor
gravados a fogo pelo Sol em sulcos fundos
são rostos de amor…

É a Alentejânia,
Maria, minha Amiga, a terra
é a Alentejânia


José Rodrigues Dias, 2019-09-08


domingo, 8 de setembro de 2019

A negra pega e o clarinho cão




A negra pega e o clarinho cão

  
Negra, a pega
na cadeira; no chão,
clarinho, o cão…

É Domingo.
A pega não palra, o cão não ladra…
A harmonia…

Observo…
Olho os homens. Penso na lição
deste dia…


José Rodrigues Dias, 2019-09-08

sábado, 7 de setembro de 2019

Sombras e rugas




Sombras e rugas

  
Um vaso de flores viçoso
à sombra duma árvore sob o azul ardente de sul
amacia seu tronco rugoso…

À torreira do Sol,
o chapéu de um homem, mesmo de abas largas,
pouco o protege…

O rosto
tisnado, sulcos de suor,
e rugas…


José Rodrigues Dias, 2019-09-07

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Évora, Artes à Rua




Évora, Artes à Rua


De tamanho, não coube no dia o calor do Sol,
estendeu-se e preencheu cada recanto da noite.
Cheia, na praça maior um refresco de música…

De Rebel, de Händel e de Vivaldi,
Orquestra Barroca Casa da Música, Praça do Giraldo,
virtuosismo de Dmitry Sinkovski…

O Sol já deitado,
na noite de música refrescante
o som levantado…

No cimo da planície
a cultura fluindo, alargando-se, espaços abertos e fechados
feitos templos de arte…

Oficiantes:
os Mestres do ritual,
os Artistas…


José Rodrigues Dias, 2019-09-06

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A Bia e a gente




A Bia e a gente


O dia quente…
Resguarda-se, como a gente, no café à sombra,
a negra pega…

Sem quase falar a gente,
também, da idade e do calor,
sem quase palrar a pega…

Traços do outro
em ti e de ti no outro, vida e morte,
de alfa a ómega…


José Rodrigues Dias, 2019-09-05


quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Sementes e livros




Sementes e livros


De sementes,
um dia, esperando, das árvores os frutos
e as sombras…

De livros,
luz, sombras, não,
só frutos…


José Rodrigues Dias, 2019-09-04

terça-feira, 3 de setembro de 2019

O Sol e a noite




O Sol e a noite


Rojo
deita-se
o Sol…

Pequena é a noite
para o Sol de tão quente
se poder refrescar…

A gente
de uma aragem amena no campo
carente…


José Rodrigues Dias,2019-09-03