quinta-feira, 13 de maio de 2021

Da importância das coisas

 



Dos vários poemas escritos no dia 13 de Maio, este terceto (simétrico) é de 2018. A foto é recente.


Jrd, 2021-05-13


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quarta-feira, 12 de maio de 2021

terça-feira, 11 de maio de 2021

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Fios

 



Um dos poemas escritos no dia 10 de Maio, este em 2015, publicado no livro Fiat Lux (no ano da Luz).


Jrd, 2021-05-10


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domingo, 9 de maio de 2021

O mundo na minha escola primária

 

(Imagem da escola retirada da Net; quando a frequentei, havia apenas um piso, do lado esquerdo)


O mundo na minha escola primária

 

 

Eu gostava muito da porta da minha escola primária: era de cantaria e redonda em cima. Era uma escola só para meninos; havia outra escola só para meninas. Havia muitos meninos e muitas meninas. Alguns andavam descalços. Não havia electricidade na terra e não havia televisão. Telefone havia. Lembro-me do telefone número 4. Havia poucos rádios e eram grandes, da gente rica. Trabalhavam a pilhas. Quando acabavam as pilhas ficavam sem saber as horas certas. Mas as horas eram todas boas. Eram as horas dadas pelo Sol e pela Lua, quando não havia névoas. Quando havia, ou quando chovia muito, que Deus a dava, não fazia diferença. Um dia nascia depois de outro dia e o mesmo acontecia com as noites. Eram sempre alternados. Também havia as horas dadas pela barriga. Essas eram as horas piores, com fome.


Notícias quase não havia em Talhas, nem era preciso. Quando alguém morria tocava o sino. Tocava de maneira diferente consoante o morto era homem ou era mulher. Se o morto era de outra terra, a notícia lá chegava e logo se espalhava.


Era assim o mundo. O mundo estava todinho ali na minha escola, no saber da senhora professora e no mapa dependurado por um fio numa parede da sala de aula ao pé do quadro. Um dia calhou cair com o ponteiro a forçar o Mondego a passar pela terra dos doutores. “Meninos, poucos podem ser doutores, mas têm que estudar todos muito para serem homens”, dizia a senhora professora, nós todos em silêncio. Também lá estava na parede um retrato. Era dum governador, que a gente ali na terra não conhecia bem, que a gente não precisava. Bastava o senhor regedor. As festas eram sempre no verão, o Natal era a seguir à consoada e a Páscoa o senhor Padre dizia, logo a seguir ao Domingo de Ramos. Os ramos eram raminhos de oliveira e era em latim a missa aos domingos e nos dias-santos. Ao entrar na igreja, os homens tiravam o chapéu dos domingos e dias-santos. Benziam-se à entrada com a água benta da pia. As mulheres ficavam na parte de trás da igreja.

 

Água era a das fontes, que era fresca mas pouca no verão, e não se podia gastar muita água para lavar as casas para a festa. E também ficava longe e os cântaros pesavam nos quadris. As necessidades eram feitas na loja dos animais e no campo, tudo muito natural. Era bom o campo, com vinhas e oliveiras. As pitas andavam em liberdade na rua. Quando era o tempo, havia os figos, as alfaces, os pepinos, os feijões, etc. Foi a minha professora que me ensinou a usar o “etc.”. Ensinava-nos muita coisa a senhora professora. Também tinha uma régua. A mão era certinha. Erros ninguém tinha.


Gostei muito da minha escola e da minha professora. Ensinou-me a ler, a contar e a escrever. As contas e os problemas eram muito difíceis. E ensinou-me também a aprender. Tive sorte com a minha escola e com a minha professora. Por acaso eram duas professoras. Gostei das duas. Lembro-me delas.

 

Um dia quis ter uma escola igual à minha. Hoje vendem as escolas.

 

Hoje já não há meninos nem meninas, mesmo todos juntos a brincar juntinhos aos crescidinhos. Nem escolas. Há outras réguas. Também não há gente. Há lixo. Dizem que é da cidade. Tanto campo que havia! Ah, lembro-me também que a senhora professora dizia que havia uma província toda planinha que era o celeiro de Portugal, cheiinha de trigo. Mas dizia a senhora professora também que lá havia fome. Isso eu nunca entendi bem. Mas ela sabia.


Parece que agora quase tudinho mudou. Do Portugal do mapa só vejo um risco grosso junto ao mar. Sem barcos. Ou com outros barcos. Desapareceu quase todinho. Deve ser da minha vista já cansada. É assim a vida.


Só vejo uma coisa que se mantém: o mundo, esse, continua dependurado por um fio. Por outro fio. Cairá?


in José Rodrigues Dias, Braços Abraçados, 82 pp, 2010.


* * * 


Jrd, 2021-05-09



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sábado, 8 de maio de 2021

Elementos e lembranças de garoto

 


(Hoje, a propósito do Dia Internacional do Burro).


Elementos e lembranças de garoto

 

 

Quando eu era garoto, naquele tempo,

quando andava na escola primária

que era a primeira

onde se aprendiam as letras todas e muitas palavras

e os algarismos e os números, incluindo os romanos,

e as tabuadas decoradas e as contas certinhas

com que se resolviam os problemas difíceis

de áreas de terrenos e de volumes

e do custo das coisas

(apesar de por ali ser pouco o dinheiro que havia)

e se aprendia muita história e muita geografia

e muitas outras coisas

para além de muito passo da vida da gente 

pelo mundo dentro e fora

que muita gente dali nunca viveria

como nunca andaria de comboio

nem de longe olharia o mar,

mesmo que fosse com muito cuidado

(havia um Adamastor, dizia-se,

sem saber o que seria)

e menos esperança havia de algum dia

a gente agarrar o mar

(como seria o encanto do diabo

daquele malvado mar

que a uns homens matava

e a outros elevava a heróis,

faróis em ruas e praças de cidades

em acções de graças de outros homens?...),

 

naquele tempo, dizia eu,

garoto nordestino sem mar,

de uma terra em que o inverno vinha cedo

e sempre andava por ali olhando a gente

e cedo se acendia a lareira e a candeia de luz fraca

(sim, foi daí que veio o meu fascínio pela luz

docemente incendiado pela chama do pensamento)

e se ouvia ao lume a fala dos homens mais velhos,

sérios,

(e estou agora a lembrar-me

dos seus velhos sapatos molhados)

a falar de cartas de chamada para o Brasil

(creio que era chamada aquela palavra usada

mas não percebia quem de lá chamava),

e eu não sabia onde era o Brasil e o que lá haveria,

talvez fosse apenas um fim-do-mundo

ou talvez um paraíso sem pecado

porque não se ouvia que quem fosse

um dia depois de lá viesse

(foi para o Brasil…, era só o que se dizia

e era depois aquele silêncio que ficava,

os olhos baixos fitando o lume,

mexendo talvez nas brasas

para aquecer a alma que arrefecia…),


naquele tempo, dizia eu,

voltando à minha escola primária

de entrada de respeito em cantaria,

a primeira de todas onde a gente

se faz gente ou não se faz,

 

naquele tempo,

uma redacção à luz da candeia

que a senhora Professora pedia

sobre os elementos da vida

podia muito bem ser assim

em letra muito certinha,

sim,

como cedo se aprendia:

 

“Os elementos:

 

Os elementos essenciais (ou fundamentais) da nossa vida aqui são os seguintes: a terra, as vacas, o arado e os homens.

A terra é muito nossa amiga porque nos dá o pão e o resto, mas precisa de ser trabalhada e às vezes custa muito. Custa mais no Inverno e no Verão quando faz muito frio ou muito calor.

Há também os bois e os machos ou as mulas e também os burros. Burros há por aqui muitos. Os burros zurram muito!

Há também a charrua onde se põe a relha para lavrar a terra.

Ainda há o carro das vacas ou de outros animais para levar as coisas como, por exemplo, o trigo segado no Verão e a lenha para o lume no Inverno.

O céu às vezes está muito escuro e chove muito.

Há também trovoadas muito grandes. A gente tem medo e reza a Santa Bárbara. Eu tenho medo das trovoadas! Já tem morrido gente!

 

Quando não chove durante muito tempo, o senhor Padre e a gente toda fazem uma novena na aldeia. Lembro-me de uma.

Os homens levam merenda quando vão para o campo porque o trabalho dá fome e é preciso comer para não morrer.

À noite, quando os homens chegam, as mulheres já têm o caldo feito e a gente come depois de acomodar os animais que também precisam de comer.

Eu gosto muito da terra porque nos dá tudo o que a gente aqui precisa!”.

 

 

Nordestes que o mar

e a terra ligaram,

 

terra e mar,

gostos que ficaram,

 

nordestes,

que nos fizestes!...

 

2014-01-30


in José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar178 pp, 2016.

* * *

Jrd, 2021-05-08

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sexta-feira, 7 de maio de 2021

Ternura

 



Um dos vários poemas escritos no dia 7 de Maio, já publicados em livros, este escrito em 2017. A foto foi obtida na Gulbenkian. A obra é de Almada Negreiros.


Jrd, 2021-05-07


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quinta-feira, 6 de maio de 2021

Sentir a luz

 



Dos vários poemas escritos no dia 6 de Maio, este é de 2018, incluído no último livro publicado (recentemente, com os poemas do segundo trimestre de 2018, em tercetos simétricos). A foto é da Catedral de Veneza.


Jrd, 2021-05-06


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quarta-feira, 5 de maio de 2021

Uma manhã de sorrisos

 



Um dos poemas escritos no dia 5 de Maio, este em 2018, incluído no último livro publicado (recentemente, com os poemas do segundo trimestre de 2018, em tercetos simétricos). A foto é de hoje.


Jrd, 2021-05-05


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terça-feira, 4 de maio de 2021

Maio e estes tempos

 



Um dos poemas escritos no dia 4 de Maio, este em 2018, em tercetos simétricos, falando também de corrupção, incluído no último livro publicado (recentemente, com os poemas do segundo trimestre de 2018). A foto é de hoje.


Jrd, 2021-05-04


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segunda-feira, 3 de maio de 2021

sábado, 1 de maio de 2021

Dia do Trabalhador

 



Um dos poemas escritos no dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador, este em 2018, incluído no último livro, recentemente publicado.


Jrd, 2021-05-01


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sexta-feira, 30 de abril de 2021

Beijos da chuva

 



Um dos poemas escritos no dia 30 de Abril, este em 2018, incluído no último livro, recentemente publicado.


Jrd, 2021-04-30


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quinta-feira, 29 de abril de 2021

Um cacho de glicínias

 



Um dos poemas escritos no dia 29 de Abril, este em 2018, incluído no último livro, recentemente publicado.


Jrd, 2021-04-29


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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Paralelo 38

 



Um dos poemas escritos no dia 28 de Abril, este em 2018 (a propósito de um acordo assinado entre as "Coreias"), incluído no último livro publicado, ontem anunciado.


Jrd, 2021-04-28


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terça-feira, 27 de abril de 2021

O novo livro de Poesia, o vigésimo nono

 






O novo livro, o vigésimo nono, o segundo de uma série de quatro relativos à produção poética de 2018.


Jrd, 2021-04-27


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segunda-feira, 26 de abril de 2021

Produção poética de 2017

 



As capas dos 4 livros, com o número de poemas e de tercetos, com a Poesia escrita em 2017, publicados em 2017, 2018 e 2021, acrescentando as Notas do Autor do último livro.


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Notas do Autor

 

 

Decidira o autor, em Junho de 2017, publicar os poemas do primeiro trimestre desse ano com o título Poemas em tercetos simétricos, diarísticos (Janeiro a Março, 2017). No início de 2018, decidira publicar o volume correspondente ao segundo trimestre, com o mesmo título genérico mas acrescentando-lhe Livro II. Já neste ano de 2021, publicara, relativo ao terceiro trimestre, o correspondente Livro III.

 

Este livro, correspondente ao quarto trimestre de 2017, é, assim, o Livro IV desta colecção de Poemas em tercetos simétricos, diarísticos.

 

O primeiro livro desta série de Tercetos, de 2017, é constituído por 96 poemas com 253 tercetos simétricos, o segundo, o Livro II, por 114 com 301 tercetos e sendo o Livro III constituído por  141 poemas com 370 tercetos. Este Livro IV contem 85 poemas com um total de 241 tercetos.

 

No total, durante o ano de 2017, a produção poética traduziu-se em 1165 tercetos num conjunto de 436 poemas (em média, quase 2.7 tercetos por poema e 1.2 poemas por dia).

 

Todos os poemas estão integralmente escritos em tercetos simétricos (o segundo verso como eixo de uma simetria visual, geométrica), constituindo como que um exercício rigoroso de manuseamento de palavras, sem translineação, encaixando-se como se em jogos de ideias definindo poemas.

 

A adopção de tercetos assim geometricamente definidos (com base no tipo de letra adoptado), o primeiro e o terceiro versos rimando muitas vezes, vem na sequência de experiências anteriores com o haiku, embora aqui essa designação não tenha sido adoptada, em particular por questões de rigor métrico.

 

Se unidas, as extremidades dos três versos definem triângulos isósceles, incluindo os equiláteros, com o simbolismo que se queira imaginar.

 

Não se quis excluir nenhum poema do período respectivo, querendo o autor dar a exacta medida da produção havida. Também não se quis introduzir nenhuma alteração significativa nos respectivos poemas, mantendo, assim, a essência e o contexto temporal em que apareceram, associados ao olhar quotidiano do autor, tentando passar, muitas vezes, de um simples pormenor para uma visão mais global, integradora de experiências de vida interiorizadas.

 

Dos 85 poemas que constituem este volume, 15 já antes haviam sido publicados em três livros temáticos do autor, estando devidamente referenciados através de um índice.

 

Diversos poemas foram sendo publicados no blog de Poesia do autor, Traçados sobre nós, iniciado em  10 de Novembro  de 2011 e que se mantém até hoje, com uma janela aberta para o Facebook, sentindo e respirando outros ares.

 

Exceptuando os dois primeiros livros, de 2010 e de 2011, é também do autor todo o trabalho de elaboração deste Livro IV de Tercetos simétricos, excepto o acto de impressão. Assim, todas as falhas são da sua responsabilidade. Se algum mérito houver, será fruto dos caminhos, diversos, alguns longos, pelo autor percorridos. Juiz, o leitor!

 

Aqui chegado, olhando o tempo, este o décimo primeiro ano de Poesia publicada, de ser Aprendiz de Poeta, aprendiz eterno dos homens, dos caminhos, da Vida.

 

Este é o vigésimo oitavo livro de Poesia e o quarto publicado em 2021. Gostaria o autor, ao longo deste ano, de publicar outros, diversos, ousando no caminho, deixando registada em livros a sua escrita diarística ao longo destes dez ou onze anos, assim organizados:

 

a)      três livros, também em tercetos simétricos, relativos aos três últimos trimestres de 2018 (o do primeiro trimestre já publicado, em 2019);

b)     três livros, igualmente em tercetos simétricos, relativos aos três últimos trimestres de 2019 (o do primeiro trimestre já publicado, em 2019);

c)      um livro com os poemas escritos em 2020, também em tercetos simétricos e ainda não publicados;

d)     um livro com os poemas anteriores a 2012 e ainda não publicados;

e)      quatro outros livros, temáticos, com selecção de poemas: um com referências  à sua origem nordestina, a pedra moldando o destino; outro relativo a Évora e ao Alentejo, terra de adopção; outro com poemas tocando temas científicos; e um quarto com poemas envolvendo algum simbolismo esotérico.

 

Seria, assim, neste ano de 2021, como que uma simbólica comemoração dos setenta  anos de vida do autor, ele que nunca comemorou festivamente o seu aniversário, depois de uma vida dedicada a fórmulas e a números, a computadores (hardware e software), ao ensino e à investigação, com traços nestas áreas reconhecidos nacional e internacionalmente, acrescentando-lhe agora este novo caminho, inesperado, tardego, da Poesia.

 

Com uma centena de trabalhos científicos publicados, em Portugal e no estrangeiro, em português, francês e inglês, com milhares e milhares de linhas de código de computadores escritas, com este Livro IV o número de poemas diferentes publicados (em livros) ultrapassa já os 2.710.

 

De números deverá saber o autor, referindo, talvez por isso, tantos! Pela quantidade, e por assim cruamente a referir, que seja perdoado. Da qualidade dos poemas saberá o leitor.

 

 

José Rodrigues Dias, 2021 / Abril


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Jrd, 2021-04-26


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domingo, 25 de abril de 2021

A liberdade dos livros

 



Um dos vários poemas escritos (já publicados) no dia 25 de Abril, o dia dos cravos, este em 2012.


Jrd, 2021-04-25


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sábado, 24 de abril de 2021

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Dia da Terra

 



Um dos vários poemas escritos (e já publicados) no dia 22 de Abril, este em 2020 (em tercetos simétricos). De hoje a foto incluída.


Jrd, 2021-04-22


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quarta-feira, 21 de abril de 2021

Nas bordas as flores

 



Um dos vários poemas escritos (e já publicados) no dia 21 de Abril, este em 2020 (em tercetos simétricos).


Jrd, 2021-04-21


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