terça-feira, 25 de julho de 2017

Lembrando o Beato Salu, o Luís


Luís

Lembrando o Beato Salu, o Luís
(que reencontrei há poucos dias)


Salut, Salu!


Não sei de onde vieste e por que deixaste
Os caminhos por onde novo e outro andaste,
Se outro diferente foste noutros idos dias!
Sei que em caminhos que em Évora alisaste
Comigo sempre a andar longe e perto te cruzaste
Com um sorrido e certo “Olá, senhor Dias”!

Não sei quando o nome eu to disse
Ou como o nome tu certo o soubeste!
Do teu, no teu andar longe e perto,
Nunca o nome tu mo disseste,
Nunca do teu apelido me falaste,
Sempre Salu ficou incerto.

Não sei de onde vieste e por que deixaste
Os caminhos por onde novo e outro andaste,
Se outro diferente foste noutros idos dias!
Sei que pelos apertados carreiros da vida 
Em que se caminha da decisão não partilhaste.
Sabedoria a tua, que desta vida tu já sabias
E outras, muitas outras, cabeças não!

Não sei de onde vieste
E se outro diferente foste.
Sei que vais ficar, que já ficaste
Nas pedras polidas desta Cidade
Junto das outras Pedras vivas já sem idade!

Salut, Salu!


José Rodrigues Dias, Traçados Sobre Nós, Chiado Editora, 2011.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Carreiro de formiga





Carreiro de formiga


Grão a grão um montão,
passo a passo marcado o caminho,
verso a verso um poema...

E grão a grão
o caminho traçado
verso a verso...

No fim, um néctar de vinho,
bago a bago, uva a uva, cesto a cesto,
da luz maturado, em silêncio...


José Rodrigues Dias, 2017-07-24

Lembrando o Senhor do Adeus


Imagem da Net.



Lembrando o Senhor do Adeus...


José Rodrigues Dias, 2017-07-24

domingo, 23 de julho de 2017

Da luz um gole




Da luz um gole


Na luz tépida
a água brilha, pacífica,
mui tranquila...

Nada de vento
nem de lixo,
apenas silêncio...

Um peixe sobe 
e sorve 
da luz um gole...


José Rodrigues Dias, 2017-07-23


sábado, 22 de julho de 2017

Levitando, sei lá, cantando...





Levitando, sei lá, cantando...


Deitado de costas, tu flutuando,
Manta Rota, garotada à volta, in illo tempore, tu sabes...,
em ondas o teu corpo cantando...

Agora, perdido o pé, esta onda
se agigantando tanto,
o teu corpo de nós se afastando...

Levitando, sei lá, cantando,
por enquanto, com uma lágrima, um lenço, uma flor,
nós ainda em terra ficando...


José Rodrigues Dias, 2017-07-22

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Tempo teu que nos foi tão breve...


Prof. António Neto, in memoriam.
(Imagem no FB).


Tempo teu que nos foi tão breve...


Tempo teu que nos foi tão breve...
Marcos da passagem, de lutas, de partilhas...
Uma canção te embalando te leve!

Te embalando te leve
te deixando como em cante,
no ar um sorriso leve...


José Rodrigues Dias, 2017-07-21


http://www.uevora.pt/media_informacoes/noticias/(item)/22790

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Rua dos Mercadores




Rua dos Mercadores


Chegar e por esta rua ficar,
até um dia, ficando, mais abaixo e acima, e pelo meio,
e, hoje, regressar e lembrar...

Dormir, primeiro,
aprender e ensinar, fórmulas, números, depois, sempre,
bits, bytes, tantos...

As mãos dadas,
sim, também,
certa a passada...

E quanta lembrança boa...
Pedras... Não me lembro... Talvez as da calçada...
O caminho não foi à toa...


José Rodrigues Dias, 2017-07-11

terça-feira, 18 de julho de 2017

A luz vista




A luz vista


O que fazer do sexto livro de Poesia?
Que farei, que irei fazer?
Sim, o ponto de partida para o sétimo...


José Rodrigues Dias, 2017-07-18

Quase pranto




Quase pranto


Flores de um viço branco,
o aloendro desafiando o mar,
uma neblina, quase pranto...


José Rodrigues Dias, 2017-07-16

sábado, 15 de julho de 2017

Dalém e daquém-mar




Dalém e daquém-mar


Triste, fico a meditar,
chegam tristes as notícias
dalém e daquém-mar...

Que coisa esta,
que gente ainda somos,
que nos resta?!...

Em cada fala se fala de outra coisa,
chamas, armas sem tempo, vil o metal, inocentes, culpados,
tempo de uma coisa em cada loisa...

Que coisa,
que coisa resta?
Que coisa!


José Rodrigues Dias, 2017-07-13

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Xila


Imagem da Net.
A propósito da Revolução Francesa (hoje, 14 de Julho), 
do meu segundo livro.


Xila


Paris em Maio,
Revolução enfurecida levada impensada
De rua em praça e de praça em rua,
Tão dura e ingénua, tão pura e nua!

De andaime em andaime trepada, em bâtiment,
Mãe franzina, rija, exilada,
Mãe de criança em creche guardada,
Bandeira de sangue deixada no alto, posição bem marcada,
Bandeira por mãe franzina e rija em bâtiment içada,
Em Paris em Maio, bem no alto e bem desfraldada!

Com a terna criança em creche ao fundo,
A força imparável de novo futuro mundo
Em bandeira de sangue jorrado de esperança,
Em amanhecer em dia de fantasia e confiança!

Mares de multidões sempre a rugir,
Sem parar, sem pensar, sem ouvir,
Com marcas de selva de grupo a agir!

Companheiro sorvido em multidões em revoltados mares,
Quase só, sem quase em cama amar,
Com dispersos, loucos e gemidos amares,
Em andares com pouco dormir por muito andar,
Com pesadelos de tortura em mistura com sorriso liberto
De criança nascida de Homem Novo em outros doces ares!

Novos senhores do Mundo, em Maio, Companheiros sonhadores,
Estudantes que ensinam e trabalhadores que aprendem
Em Sorbonnes fechadas em Quartiers Latin em renascidas alvoradas.

Gritos em Nanterre, em bidonvilles, noutros, em outros lugares.

Marx, Lenine e Trotsky na ponta de línguas convictas,
Puras ou adulteradas, como armas usadas bem afiadas.

Em fuga de rua ou praça,
Pedras arrancadas em massa,
Rápidas balas arremessadas.

Organizações perdidas,
Desfeitas e refeitas ao sabor de cada revoltado mar,
Perdidas em ondas incontroladas,
Em movimentos de águas inesperadas,
Com controleiros e infiltrados desfeitos em nada,
Em cada onda de cada alterado mar!

Velhos sonhadores,
Companheiros,
Novos senhores,
Sonhadores!

Xila, voltavas?
Voltava, voltava!
Se voltava, Companheiros!


José Rodrigues Dias, Traçados Sobre Nós, Chiado Editora, 2011.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Poemas em tercetos - a contracapa



Poemas em tercetos
simétricos, diarísticos
(Janeiro a Março, 2017)


A contracapa do livro

Sexto livro de Poesia,
o primeiro em registo diarístico
(Janeiro a Março de 2017),
como se nova experiência
na passagem de fórmulas para versos…

Noventa e seis poemas,
duzentos e cinquenta e três tercetos
simétricos,
o segundo verso como eixo
(de uma simetria não métrica, 
geométrica aqui, perfeita ou quase,
diferente o olhar…).

Por publicar em papel,
quase tudo de um todo imenso,
diarístico,
dos anos de 2012 a 2016 (inclusive),
para além de alguns poemas anteriores,
 quase já perdidos…


José Rodrigues Dias, 2017-07-13

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Poemas em tercetos




Poemas em tercetos simétricos, diarísticos 
(Janeiro a Março, 2017)


A capa...
Livro de Poesia (próxima semana)...
O sexto...


José Rodrigues Dias, 2017-07-12

terça-feira, 11 de julho de 2017

Num relvado de jardim





Num relvado de jardim


Um jornal eu comprando 
e ele falando de armas fugidas
e esta ali se encontrando...

Velho talvez já demais
só empatando o canhão estaria
lá por aqueles arsenais...

Peça de guerra,
o velho canhão, ou lá o que é,
clamando: Paz!


José Rodrigues Dias, 2017-07-11

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Pombas e Paz




Pombas e Paz


Senhor, não fomos nós que nós não somos de guerra...
Vede, sem armas, a consciência leve, livre, as asas abertas...
Molhámos apenas o bico na fonte, nós somos de paz...


José Rodrigues Dias, 2017-07-07

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Cuidados mil, a porta trancada




Cuidados mil, a porta trancada


No ser e sentir a doença que grassa,
humana a condição, frágil, pobre, fragilizada,
por guichets, cadeiras, camas passa...

Uma porta de novo leve se abre
quando a coisa do mal se abate; quando não,
pesada porta em rosto se fecha...

Mil cuidados, a casa assaltada,
armas mil, vírus infiltrados, redes violadas,
cuidados mil, a porta trancada...


José Rodrigues Dias, 2017-07-06

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Janela larga




Janela larga


Ter uma janela larga,
bem rasgada,
o ar a poder circular...

Uma janela larga toda aberta,
largos os campos visuais, sem pontos negros, integrais,
luz do nascer ao pôr-do-sol...

Como as do Poeta,
umas nuvens que do sonho se vão movendo,
pedras no caminho...

Pedra após pedra,
subindo, a coisa lá em cima,
a crescer a escada...


José Rodrigues Dias, 2017-07-05

terça-feira, 4 de julho de 2017

Guerra e Paz




Guerra e Paz


Ah, se fossem apenas braços abraçados
as armas
e as mãos dadas com dedos entrelaçados...

Ah, se fosse numa seara no Verão
o campo de batalha, 
as balas seriam grãos loiros de pão...

Se fosse a batalha num jardim,
as balas, ah, as balas entremeadas de sorrisos
seriam de beijos cachos frescos...

Guerra
seria, então, um dia,
a Paz!


José Rodrigues Dias, 2017-07-04

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Muita arma haverá fugido...




Muita arma haverá fugido...


Não sei o teu nome,
rasteira na aragem do mar, na areia,
mas gosto de te ver...

Passa por ti muita gente,
vestida, quase despida, o Sol subindo, descendo,
ouvirás as coisas que diz...

E decerto já terás ouvido
que de um quartel bem guardado
muita arma haverá fugido...

Não confirmo,
senhor, me desculpe,
nem desminto...


José Rodrigues Dias, 2017-07-03

domingo, 2 de julho de 2017

A natureza desperta me espera...




A natureza desperta me espera...


Acordo, a idade já me acorda mais cedo...
É Domingo, cantou hoje o cuco mais tarde, porque seria?
Saio que a natureza desperta me espera...

Bendigo
a Luz na beleza
que vejo!


José Rodrigues Dias, 2017-07-02

sábado, 1 de julho de 2017

Coisas do silêncio




Coisas do silêncio


Entra em mim,
entranha-se, que coisa estranha
que não se vai...

Fora,
a palavra do tempo incendiada,
fogo...

Sigo, atento,
da fita de rega o cair, como colírio,
de cada gota...

Momentos
duros, martelados,
de silêncios...

Nenhuma granada,
por aqui, por ora, por ora por aqui,
se fez mortandade...


José Rodrigues Dias, 2017-07-01