sábado, 30 de setembro de 2017

Ponto de encontro




Ponto de encontro


Do encontro de dois trilhos
um ponto de partida, e ei-los indo, seguindo, lá indo,
livres, unidos seus destinos...


José Rodrigues Dias, 2017-09-30

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Ilha




Ilha


Onde o mar 
da terra
é tão perto...

Não assim a minha
que do mar
nem a bruma tinha...


José Rodrigues Dias, 2017-09-29

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Caminho





Caminho


Na Filosofia,
Na Psicologia,
Na análise critica
Por Mestres cedo ensinada,
Bem assimilada,
Encontrei o prazer da reflexão,
O eu questionando:
Estando eu à janela,
Poderei eu observar
Na rua o eu a passar?
Foi por aí que comecei,
Divagando!

Foi por aí, pela interrogação,
Que jovem me iniciei.

Na Engenharia,
Na Matemática,
Na Informática,
Ao sol e com a lua
Estudando,
Encontrei velhos problemas
E deram-me sabidas soluções;
Depois, com deleite investigando,
Criticamente analisando
Velhos e novos problemas,
Novas soluções encontrei,
Mesmo soluções certas não existindo,
Apenas certas aproximações inferindo.

Foi por aqui que adulto continuei.
Com a Filosofia,
Com as Ciências,
Vivendo a vida,
O Ser intuindo,
É agora na Poesia
Que sinto encontrar,
Curiosamente,
Finalmente,
As perguntas sem resposta
Do Início e do Fim,
Do Mundo e da Vida
A iniciar e a findar,
As perguntas essenciais
Sem resposta receber,
Sem resposta fornecer,
Por não haver!
Eis os antigos Mistérios
Perenes a permanecer!

É na Poesia
Que as perguntas
Essenciais,
Simples,
Vitais,
Ficam sem resposta!

É na Poesia!

Ou talvez não seja:
Talvez a Poesia seja
A síntese sublime do Ser
De todas as perguntas
E de todas as respostas
De cada um ser e de se ser!
Talvez a Poesia
Seja
A síntese do Ser!

Este é o caminho!


José Rodrigues Dias, Braços Abraçados, Tartaruga Editora, 2010.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Do caminho em cada trilho




Do caminho em cada trilho


Do caminho em cada trilho
colho simbolicamente flores, nunca se repetem, nem a vida,
nem no meu olhar seu brilho...

Esse brilho que esmorece
com as dores
em que o todo estremece...

E pensar
que haja quem não goste
de flores...


José Rodrigues Dias, 2017-09-27

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Em tons de rosa




Em tons de rosa


Em tons de rosa,
flores alumiando, não vá ele cair, tão velhinho,
o Sol a deitar-se...


José Rodrigues Dias, 2017-09-26

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Das fomes ao pão, da palavra à acção




Das fomes ao pão, da palavra à acção 


Vermelha ou não,
pela tua palavra de acção,
das fomes ao pão...

Tomai e comei,
este é o pão da boca, levantados todos do chão!
Da sede, bebei...

E agora jaz 
deitado teu corpo coberto de bordados de obrigado!
Vai em paz!

Teu corpo vai morto,
emérito
teu espírito fica vivo!


José Rodrigues Dias, 2017-09-24

domingo, 24 de setembro de 2017

Bom dia, Amigos




Bom dia, Amigos


O cimo olhando,
o corpo direito de gente de bem,
a Luz a guiando...

Ainda que muito pequeninas,
eu gosto de todas as flores do caminho,
mesmo que de ervas daninhas...

A que agora trago e te ofereço, o olhar terno,
desta manhã a imagem colhida, o Sol é testemunha,
é de um branco de neve mui tépido, fraterno...


José Rodrigues Dias, 2017-09-24
 

sábado, 23 de setembro de 2017

Rostos de Torgas




Rostos de Torgas


Nascidos em terra dura de granitos,
de cima olhando longe, nos rostos densos de Torgas
há sempre afloramentos de sorrisos...


José Rodrigues Dias, 2017-09-21

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Dias de Equinócio de Outono




Dias de Equinócio de Outono


Vai descendo 
cada dia, do Sol; cada noite, da Lua,
vai subindo...

Vai descendo
por aqui o frio; o medo pelo mundo
vai subindo...

Pontos de equilíbrio
em permanente movimento,
claro o desequilíbrio...


José Rodrigues Dias, 2017-09-22

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Diz-me o caminho…




Diz-me o caminho… 


Estou perdido,
diz-me o caminho, por onde é,
não vês que estou tão perdido?!…
Ontem eu sabia onde estava,
para onde ia, o que me esperava,
os caminhos, os carreiros,
as luas,
conhecia os deuses…
Não vês, agora não sei o que aconteceu,
o que me adormeceu de ontem para hoje
que aqui estou tão perdido e só,
só com os perdidos como eu,

entre novos deuses que não sei quem são
e como assim da noite
sombrios e distantes vieram da escuridão…
Estou perdido, sem luz,
não vês?!…

Diz-me tu o caminho,
estou com medo, por onde devo ir,
por onde faça sentido…

2012-02-01


José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar
pp 170-171, Ed. Forinfor, 2016.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Descanso




Descanso 


Descanso,
no labirinto das palavras
já perdido...


José Rodrigues Dias, 2017-09-20

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O Homem, o Templo e a síntese dos dias




O Homem, o Templo e a síntese dos dias


Ontem, um dia de sombras!
Hoje, um dia de luz!
O Homem, síntese dos dias...

Do negro
ao claro, mosaico a mosaico,
o Templo...


José Rodrigues Dias, 2017-09-19

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O Outono




O Outono


Nas árvores de bagas cheias, as sementes
prontas para ser futuro noutro ponto, em outro lado.
Chega o Outono e o vento para as semear...


José Rodrigues Dias, 2017-09-18

domingo, 17 de setembro de 2017

Parede, sinais do tempo




Parede, sinais do tempo 


Em arco de ogiva
a mão de mestre pedreiro
em parede antiga...

Outra mão o tapou
e depois outra uma porta e uma janela
para a rua as abriu...

Uma outra mão
a porta e a janela dentro do arco
depois as tapou...

Então, uma mão de pintor tudo abriu
na parece branca de cal, de casa quente,
em traço de ocre vivo sem nada abrir...


 José Rodrigues Dias, 2017-09-17

sábado, 16 de setembro de 2017

Catedral de Évora





Catedral de Évora


O Sol ainda a sul, o céu muito azul, entrada a poente,
mão de mestres em pedra sobre pedra, as angulares bem talhadas,
o homem, pequeno, e a Catedral de Évora, imponente!


José Rodrigues Dias, 2017-09-16

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Cassini, a última imagem e coisas da Ciência




Cassini, a última imagem e coisas da Ciência


Chegas hoje ao fim,
morres desfeita em Saturno,
tanto caminho feito...

Sinais enviados, 
imagens, interrogações, anos e anos,
e novas dúvidas...

Por onde andaste, do que tu viste, água, haverá?
E será que um dia, mesmo que lá longe, um dia..., o Homem,
com as suas mãos em concha, dessa água beberá?
 
E ar para respirar, do que viste e do que sonhaste,
e paparoca, talvez uma boa sardinhada, ou uma feijoada,
e um bom vinho a acompanhar, e um café, haverá?

E, Cassini, ao longo do teu longo caminho,
anéis de Saturno, a nova lua, eu sei lá, só tu saberás...,
encontraste alguém, alguma moeda perdida?

Alguma coisa, alguém..., e era conhecido?
Falaram, sisudos, em bits, sim e não, secamente?
Ou acenaram, sorriram, depois um abraço?

Então, então, Cassini,
tu que hoje morreste mas que no céu ficaste,
conta, conta, como foi?...


José Rodrigues Dias, 2017-09-15

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Da originalidade




Da originalidade


Tudo o que vou vendo
me diz, momento a momento,
o que vou escrevendo...

Tudo se repete
na vida, a essência, sim, mas o momento
nunca se repete...

As mesmas letras
mas outro sempre o ritmo do vento, e o cheiro,
e tudo é diferente...


José Rodrigues Dias, 2017-09-14

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Se feitos os leitos de sorrisos




Se feitos os leitos de sorrisos

 
Tranquilos correriam os rios
dentro de nós, mundo adentro, mundo afora,
se feitos os leitos de sorrisos...


 José Rodrigues Dias, 2017-09-10

terça-feira, 12 de setembro de 2017

De seiva, de sangue





De seiva, de sangue


De um braço de árvore serrado
escorrem lágrimas, densas, de seiva, de sangue,
como de um coração amputado...


José Rodrigues Dias, 2017-09-12

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Da noite dos dias



 
Da noite dos dias


Tomba-te uma bomba,
tomba ali uma torre, outra torre além já lá tomba,
até do tempo se tomba...


José Rodrigues Dias, 2017-09-11

domingo, 10 de setembro de 2017

Terra bravia

 


Terra bravia


Mesmo que a terra bravia,
por entre ervas daninhas ou na secura de pedras,
flor, se for, sempre se enfia...

Basta que se veja,
que nos olhos, e dentro de si, em si, se acredite,
basta que flor seja...


José Rodrigues Dias, 2017-09-06

sábado, 9 de setembro de 2017

As palavras, hoje




As palavras, hoje


As palavras, hoje, o Sol as desbotou;
do que dos contornos de algumas letras sobrou,
um forte vento, por fim, logo os levou...


José Rodrigues Dias, 2017-09-09

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A ferrugem do tempo




A ferrugem do tempo


Não foi tremor de terra nem um forte vento
(apesar dos terramotos e tufões que derrubam o mundo),
foi no tronco da árvore a ferrugem do tempo...


José Rodrigues Dias, 2017-09-08

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Do mar e da paz



Do mar e da paz


Balouçando o mar,
um veleiro, solitário o velejador, um peixe voando,
em paz a caminhar...

Nenhuma voz do ser é alterada, 
mui baixa cada voz, quase imperceptível do outro lado,
o caminho todo de interioridade...

A luz, em certas horas,
em certos sítios, o azul mui azul,
ilumina o fundo do mar... 

Dormita, breve,
e o pensamento depois flutua, eleva-se,
tanta a paz, leve...


 José Rodrigues Dias, 2017-09-07

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O gato e a sesta




O gato e a sesta


Olha, homem, vou encostar-me um pouco,
o Sol vai alto, a carne de porco estava boa, a bebida também,
será apenas o tempo de uma pequena sesta...

Vai tu também,
Soares gostava, passando pelas brasas descansava,
só te faria bem...


José Rodrigues Dias, 2017-08-31

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Das guerras e da paz




Das guerras e da paz


Existem, sempre existiram as bombas,
grandes, muitas, velhas e novas, feitas, vendidas, roubadas, traficadas,
são de guerra, não da paz de pombas...

São nucleares, de hidrogénio,

são de gás, são facas, são camiões loucos, de tudo um pouco,
são de água tirado o oxigénio...

Estoirando em qualquer ponto do mundo,

tudo, de imediato, tudo, tudinho, logo tudo rebenta, pum!,
as bolsas, o ar, a gente, tudo vai ao fundo...

Um estrondo e uma palavra dita alto

puxa outra dita ainda mais alto e outro, outro estrondo,
e lá vem grande, enorme sobressalto...

Sujeiras,
cotoveladas, empurrões, caneladas,
rasteiras...

Por isso, caro amigo,
olha um ramo de flores, qualquer a cor e o lugar,
e colhe uma semente...

Então, a terra mui macia,
a mente aberta, as tuas mãos limpas,
cobre de terra a semente...

Nascerá, com esplendor,
algum tempo depois, que tudo precisa de tempo,
um cacho prenhe de flor...


José Rodrigues Dias, 2017-09-05

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Curvas de luz




Curvas de luz


Em curvas de luz
o Sol em reflexos de fogo 
em restos de dia...

Bem alta
a Lua gorda
ali a Sul...

Um coelho fora da toca
sentado sobre as pernas traseiras
já pronto para as couves...


José Rodrigues Dias, 2017-09-04

domingo, 3 de setembro de 2017

Mar, meu mar




Mar, meu mar


Mar, era eu menino
e de ti escrevia sem te conhecer
que eras mui grande...

Eu já escrevia mui grande
porque a gente que ler nem sabia, nem te via, dizia:
oh!, o mar é muito grande...

O mar, dizia a gente, começa,
é chuva, ribeiros, rios, rios de todo o mundo,
oh!, começa mas não termina...

És, quão belo!, espelho do Sol, da Lua,
de estrelas, de glórias e misérias, sorrisos, lágrimas, adamastores, ilhas de amores,
és tudo, dentro de ti nasceu  um mundo...

Lá nos teus fundos poços
potes cheios de tesouros perdidos, escondidos,
mistérios em cinzas, ossos...

E agora, que te ouço e te vejo, oh meu mar,
do mundo nascido um mundo novo nasceu
de lixo em ti a boiar, dentro de ti a te matar...

Mar,
mar de poemas,
mar...

Mar de poemas,
hoje eu sem palavras, apenas estas, banais,
para te bendizer...


José Rodrigues Dias, 2017-08-20

sábado, 2 de setembro de 2017

Do instante inesperado





Do instante inesperado


No chão um galho derreado,
a árvore, a vida, um braço, uma perna partida,
o azar, o instante inesperado...

Ninguém ferido,
só a árvore, infeliz, tão nova, quem diria?...,
um braço partido...

Mas só no caminho,
indo, só de casa saindo, se conhece
da gente seu destino...


José Rodrigues Dias, 2017-08-28

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Dos gatinhos, da solidão





Dos gatinhos, da solidão


No meu caminho
um gatinho sozinho
miando baixinho...

Pergunto-lhe se está triste, e o que sente,
e ele olha-me miando, não sei se miando me responde,
nem sei se me entende, não sei que sente...

Talvez já esteja velhinho,
por isso talvez ele chore, e chore o gatinho
de estar sempre sozinho...


José Rodrigues Dias, 2017-08-31