sábado, 13 de março de 2021

Um sorriso, da densidade e da leveza



 

Poema escrito neste dia, em 2020. A foto desta tarde.


Um sorriso, da densidade e da leveza

 

  

Dia de Sol quase de Primavera,

tempo de ginásio aberto em cultivo da terra, mater,

e, depois, das flores, um sorriso…

 

Chão,

ginásio puro, cheiro a flores,

e pão…

 

A densidade de uma fórmula de matemática a nascer

estas coisas não têm, sei, eu sei das fórmulas, mas têm

a leveza sagrada da vida de uma semente a acontecer…

 

2019-03-13


in José Rodrigues Dias, Poemas confinados (2020, Janeiro a Abril), 148 pp, 2020. 


Jrd, 2021-03-13


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sexta-feira, 12 de março de 2021

Palavras quase daninhas

 


Poema escrito neste dia, em 2014.


Palavras quase daninhas

 

 

As palavras nascem

de um olho de semente

pelo toque do tempo aberto

em qualquer terra e sítio

e logo de tão enraizadas

medram naturais

como ervas,

quase daninhas,

intemporais…

 

Das palavras

de que o tempo cuida

e mais das mais bravas

nascem versos

como frutos maduros

para as noites de Inverno…

 

2014-03-12


in José Rodrigues Dias, Da semente, 254 pp, 2018.


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Jrd, 2021-03-12


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quinta-feira, 11 de março de 2021

Semear e colher

 


Poema escrito neste dia, em 2017.


Semear e colher

 

 


Deitar na terra feita um grão,

ser pai e mãe, cuidar, amamentar, sofrer,

ter então uma espiga na mão...


O semear e o colher,

dois momentos no tempo,

nós em dois tempos…


O primeiro, semear,

genesíaco o ser, o primordial,

e só depois o colher…


O semear,

olhar o futuro

a esperar...

 

O colher,

beber do passado

e comer...


Semear

é

esperar…


O colher

é 

um viver…


2017-03-11


in  José Rodrigues Dias, Poemas em tercetos simétricos, diarísticos (Janeiro a Março, 2017), 132 pp, 2017.


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Jrd, 2021-03-11


quarta-feira, 10 de março de 2021

O silêncio do sábio



 

Poema escrito neste dia, em 2014.


O silêncio do sábio

 

Voa livre o pássaro,

a palavra livre voa,

 

livre,

 

o silêncio

do sábio soa…

 

2014-03-10


in José Rodrigues Dias, Emanações do silêncio, 278 pp, 2019.


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Jrd, 2021-03-10


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terça-feira, 9 de março de 2021

Cais das Colunas

 



Continuando a publicar um poema escrito no próprio dia mas num ano anterior e já em livro. Hoje, hesitando, optei por este:


Cais das Colunas

 

  

Ao fundo, o Cristo-Rei

e a ponte de um Abril...

 

Aqui, os passos perdidos

que a água lenta os leva...

 

No cais a entrada 

entre colunas

e a água que lava...

 

As portas de entrada

em terra profana

e em chama sagrada...

 

2016-03-09

 

in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro nove, 9/10 (Janeiro a Junho de 2016), 214 pp, 2021.


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Jrd, 2021-03-09



segunda-feira, 8 de março de 2021

Mulher



 

Poema escrito neste Dia da Mulher, em 2016.


Mulher

  

 

Como seria inteira 

no correr do tempo a história

se a mulher ausente?...

 

A mulher resistente, 

vigilante, constante, memória,

mulher companheira!...

 

Inteira só a história

com a mulher e a companheira

e é com a memória!...

 

2016-03-08


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro nove, 9/10 (Janeiro a Junho de 2016), 214 pp, 2021.


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Jrd, 2021-03-08



domingo, 7 de março de 2021

Palácio de Belém



 

Poema escrito neste dia, em 2020; foto do mesmo dia.


Palácio de Belém



Onde o Tejo é ali em frente,

o rio é quase já mar, o mar é ali ao fundo

à distância de um mergulho...


2020-03-07


in José Rodrigues Dias, Poemas confinados (2020, Janeiro a Abril), 148 pp, 2020. 


Jrd, 2021-03-07


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sábado, 6 de março de 2021

Versos e poemas



 

 Poema escrito neste dia, em 2019; a foto, de hoje.


Versos e poemas

 

  

Milhares de versos
numa flor, num canteiro
milhões de poemas...

 

As palavras

libertam-se das cores e dos odores, e das formas,

das pétalas…

 

Cada dia

veste-se de luz em tons mil de arco-íris

no olhar…

 

2019-03-06

 

in José Rodrigues Dias, Poemas nas ondas dos dias, I (2019, Janeiro a Março), 162 pp, 2019.


Jrd, 2021-03-06


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sexta-feira, 5 de março de 2021

Guerras, bombas, destroços

 



Escrito neste dia, em 2018:


Guerras, bombas, destroços

  

 

No mar 

corpos fugindo, mortos, destroços 

de terra...


Na terra

buracos de morte, destroços

de guerra...


Guerras sem tempo, uns tempos de morte,

cem anos ou seis dias, que importa se de destroços,

e ninguém as começa, dizem a sul, a norte...

 

São as guerras de defesa do bem,

dizem todos, a palavra escrita ou não com destroços,

que começam no começo do mal...

 

E à bomba solta

nada a caça nem pára antes de ser só destroços,

e a bomba mata...

 

Olhar de uma criança:

uma lágrima contida cheia de tormentos

num mar de destroços...

 

2018-03-05


In José Rodrigues Dias, Cadernos Diários de Poesia, Inverno (2018, Janeiro a Março), 118 pp, 2019.


Jrd, 2021-03-05

quinta-feira, 4 de março de 2021

Retorno



Poema escrito neste dia, em 2014: 


Retorno

 

  

A casa torno,

retorno a casa sempre,

 

luz renascida,

partida, caído, erguido, chegada,

outra partida,

montanha subida,

maré,

descida…,

 

pêndulo ritmado

em movimento de atrito no tempo

quase sempre lento

iniciado em sonho de pão

em si entranhado…

  

Mão de terra,

braço de um pêndulo

em movimento de pão,

paz e guerra…

 

Braços apertados,

lábios dados,

nascidos, renascidos,

braço de pêndulo

em chegada

esperada…

 

Outro,

o mesmo,

um camponês,

Penélope urdindo

desurdindo o tempo

longo de retorno

a Ítaca…

 

O pêndulo,

nós,

o outro indo,

vindo,

nós indo,

vindo,

o retorno,

 

retorno de suor

de sal e pão

sempre

de terra a mão,

 

a casa sempre

retorno!

 

2014-03-04



in José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar,
178 pp, 2016.

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Jrd, 2021-03-04



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