Poema escrito neste dia, em 2014:
Estilete
de fogo
Tinta permanente antiga
como
mão apertada
pelo
olhar selada
que
ao vento
não
oscila,
sagrada
a
palavra
como
se gravada
com
estilete de fogo
em
tábua muito antiga…
2014-02-24
(Traçados sobre nós - Traço: José Rodrigues Dias; Blog em remodelação)
Poema escrito neste dia, em 2014:
Estilete
de fogo
Tinta permanente antiga
como
mão apertada
pelo
olhar selada
que
ao vento
não
oscila,
sagrada
a
palavra
como
se gravada
com
estilete de fogo
em
tábua muito antiga…
2014-02-24
Poema escrito neste dia, em 2018, a foto de hoje:
Irmãs, irmãos
No
seco deste chão
entre
agulhas jazendo de pinheiro
nascem
flores irmãs...
E
nascendo iguais,
os
caminhos em mares salgados, ou doces,
crescem
diferentes...
Irmãs
e diferentes, a mesma raiz,
o
mesmo tempo, talvez outro vento ou o sopro,
e
diferentes como bagos de romã...
Retornar
sempre
a
essa primeira e velha coisa de falar
da
vida da gente...
2018-02-23
in José Rodrigues Dias, Avistamentos de mares, Terceira viagem (Trilogia), 226 pp, 2020.
* * *
Jrd, 2021-02-23
Facebook:
https://www.facebook.com/jose.rodriguesdias/
Poema deste dia, em 2020:
O sabor dos frutos, e
dos beijos
Da tua mão árvores plantadas,
nas árvores o sorriso de mãos cheias de flores,
nas flores os beijos de abelhas...
Da tua mão
o sabor dos frutos,
e dos beijos...
2020-02-22
in José Rodrigues Dias, Poemas confinados (2020, Janeiro a Abril), 148 pp, 2020.
Jrd, 2021-02-22
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Hoje, a propósito de uma reportagem num canal de televisão:
Teria a raposa fome?
Vindos
do lado do mar,
já
de noite, a luz a dos homens,
a
noite clara, quase luar...
Apareceu,
saltou para o muro,
felino,
olhar vivo, esguio, e digo-me:
ei-lo,
aqui está o gato da praia...
Mas
não, o gato da praia não, não era,
é
outro, e gato, gato mesmo, também não...
Talvez
um saca-rabos como o de Verão...
Nós
vindo
(seria
uma raposa?...),
o
ser vindo...
Saltando
muros,
parando,
olhando, sentando-se,
eu
fotografando...
Para
casa nós já indo
e
o ser, parando, andando, nos olhando,
e
o ser lá vinha vindo...
Abro
a porta do outro lado,
fechada
a de entrada,
e
logo aparece, fica deitado...
Deitado,
talvez sentado, não sei,
o
focinho afiado, olhos de luz reluzindo,
rabo
engordado, coisa de raposa...
Sim,
virada para mim, meiga, doce,
a
dois metros, não mais, como em pose,
uma
jovem raposa talvez com fome...
Vindo,
modo meigo,
nós
para casa indo, laudato si'!…,
teria
a raposa fome?
2016-11-07
Escrito neste dia, em 2020:
Lágrima de videira
Nascendo do
ramo cortado,
a seiva
escorrendo como sangue branco translúcido,
crescendo em
lágrima densa…
Depois, de
crescer alonga-se a gota,
talvez seja do
peso da dor do meu golpe, fui eu,
caindo como uma
lágrima da gente…
Olho-a com
ternura, é quase de culpa,
sentindo uma
espécie de pena, de a ter ferido,
o corte foi
meu, embora fosse por bem…
Olhando,
digo-lhe:
desculpa, foi
por bem, tu sabes, ficarás mais forte e bela,
amanhã
rejubilarás…
2020-02-20
in José Rodrigues Dias, Poemas confinados (2020, Janeiro a Abril), 148 pp, 2020.
Jrd, 2021-02-20
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Escrito neste dia, em 2012:
Renascendo
Pelos caminhos que percorremos
sempre
um pouco morremos
em pedacinhos dentro de nós
ficando vivas as memórias
de caminhos de vós…
Refazemo-nos renascendo
no primeiro choro de uma criança
que assoma à face da terra
assustada
que se abrindo se rasga
violentamente,
mas que sara,
como num raio de luz crepitada
de uma centelha de fogo
por vós deixada
com amor
se por nós espevitada…
2012-02-19
O novo livro de Poesia, o vigésimo sexto.
* * *
Notas do Autor
Segundo livro deste ano de 2021, a pandemia uivando feroz,
ano dos setenta anos, se a Vida, a ela o autor grato, o permitir. Caminhos
cheios de actividades variegadas, olhares tensos e de sorrisos, ganhando o pão,
dia a dia, vindo lá de longe, as origens entranhadas, caminhando sempre, o olhar levantado, dos calos do trabalho
altivo, livre.
Aqui chegado, olhando o tempo, este o décimo primeiro ano
de Poesia publicada, de ser Aprendiz de Poeta, aprendiz eterno dos homens, dos
caminhos, da Vida.
Este o último livro de uma série de dez, incluindo os
poemas escritos ao longo do segundo semestre de 2016, que o autor decidiu
publicar, por semestres, contemplando o
período de 2012 a 2016, inclusive, com o título genérico Diário Poético
(2012–2016).
O Livro um, constituído por 154 poemas, foi
publicado em 2018. Os sete seguintes em 2020, sendo este e o anterior já em
2021. O Livro dois inclui 156 poemas, o Livro três, 173, o Livro
quatro, 179, o Livro cinco,
168, o Livro seis, 103, o Livro sete, 110, o Livro oito,
244, o Livro nove, 139, contendo este Livro dez 220 poemas, todos
eles apresentados por ordem cronológica, com um total de 1.646 poemas nos dez
volumes. Olhando os números, em média, foram escritos (e publicados) um pouco
mais de nove poemas no período de cada dez dias, ao longo dos cinco anos.
Refira-se, agora que está publicado este último volume, que
foi definido, logo no início, o seguinte critério para o poema de cada
contracapa: se o semestre fosse ímpar, ficaria o primeiro (abrindo o ano); se
fosse par, ficaria o último (fechando-o).
Este Livro dez é o vigésimo sexto livro de Poesia do
autor (o primeiro em 2010, o segundo em 2011, o terceiro em 2015, dois em 2016,
dois em 2017, três em 2018, quatro em 2019, dez em 2020 e, com este, dois em
2021).
Dos 220 poemas que constituem este volume, 42 já antes
haviam sido publicados em três livros temáticos do autor, estando devidamente
referenciados através de um índice.
Não se pretendeu introduzir nos poemas já publicados
qualquer alteração, salvo algum pequeno pormenor.
Escritos há uns anos, os poemas ainda não publicados em
livro foram agora aqui revistos, não tendo sido, porém, alterados na sua
essência, sofrendo apenas uma ou outra pequena modificação. Quis o autor
mantê-los como nasceram, no seu próprio contexto. Por outro lado, não foi
excluído, tal como nos livros anteriores desta e de outras séries, qualquer
poema encontrado, ficando, assim, o olhar integral do autor no período
respectivo. Contudo, é possível que algum poema, por não encontrado, tenha sido
omitido.
Diversos poemas foram sendo publicados no blog de
Poesia do autor, Traçados sobre nós, iniciado em 10 de Novembro de 2011 e que se mantém até hoje, com uma janela aberta para o Facebook,
sentindo e respirando outros ares.
Exceptuando os dois primeiros livros, de 2010 e de 2011, é
também do autor todo o trabalho de elaboração deste Livro dez, excepto o
acto de impressão. Assim, todas as falhas são da sua responsabilidade. Se algum
mérito houver, será fruto dos caminhos, diversos, alguns longos, pelo autor
percorridos. Juiz, o leitor!
Este Livro dez é o segundo publicado em 2021. É
desejo do autor publicar outros, bastantes mais, ousando no caminho, deixando
registada em livros a sua escrita diarística ao longo destes últimos dez ou
onze anos, assim organizados:
a) dois livros com
os poemas ainda não publicados de 2017, integralmente escritos em tercetos
simétricos (o segundo verso como eixo de uma simetria visual, geométrica),
relativos aos dois últimos trimestres desse ano (os outros dois já publicados,
em 2017 e 2018);
b) três livros,
também em tercetos simétricos, relativos aos três últimos trimestres de 2018 (o
do primeiro trimestre já publicado, em 2019);
c) três livros,
igualmente em tercetos simétricos, relativos aos três últimos trimestres de
2019 (o do primeiro trimestre já publicado, em 2019);
d) um livro com os
poemas escritos em 2020, também em tercetos simétricos e ainda não publicados;
e) um livro com os
poemas anteriores a 2012 e ainda não publicados;
f) quatro outros
livros, temáticos, com selecção de poemas: um com referências à sua origem nordestina, a pedra moldando o
destino; outro relativo a Évora e ao Alentejo, terra de adopção; outro com
poemas tocando temas científicos; e um quarto com poemas envolvendo algum
simbolismo esotérico.
Seria, assim, neste ano de 2021, como que uma simbólica
comemoração dos setenta anos de vida do
autor, ele que nunca comemorou festivamente o seu aniversário, depois de uma
vida dedicada a fórmulas e a números, a computadores (hardware e software),
ao ensino e à investigação, com traços nestas áreas reconhecidos nacional e
internacionalmente, acrescentando-lhe agora este novo caminho, inesperado,
tardego, da Poesia.
Com uma centena de trabalhos científicos publicados, em
Portugal e no estrangeiro, em português, francês e inglês, com milhares e
milhares de linhas de código de computadores escritas, com este Livro dez
o número de poemas diferentes publicados (em livros) ultrapassa já os 2.535.
De números deverá saber o autor, referindo, talvez por
isso, tantos! Pela quantidade, e por assim cruamente a referir, que seja
perdoado. Da qualidade dos poemas saberá o leitor.
José Rodrigues Dias
* * *
Jrd, 2021-02-11
Facebook:
https://www.facebook.com/jose.rodriguesdias/
Manhã de luz
Manhã de luz nascida,
flores de Primavera, árvores com promessas de fruto,
um dia inteiro de vida…
2020-02-16
in José Rodrigues Dias, Poemas confinados (2020, Janeiro a Abril), 148 pp, 2020.
Jrd, 2021-02-16
https://www.facebook.com/jose.rodriguesdias/