sábado, 18 de dezembro de 2021

Senhoras do Ó

 

Senhora do Ó - Sé de Évora



Senhoras do Ó

 

O Sol da tarde enche todo o céu

mas dentro é outra a Luz.

Lou Reed deixa vazio na cidade.

O órgão enche todo o silêncio.

A Senhora tem o ventre cheio

e a mão do coração toda aberta sobre ele,

maiores parecendo os seus finos dedos.

 

Quase a seus pés, 

na nave central, um pouco a oriente,

a senhora, sentada, põe a mesma mão

sobre o seu ventre já em ó grande

e o olha

como a um início de sorriso

e o acaricia

ora em movimentos lentos

com a mão como a da Senhora toda aberta

ora, parando por vezes,

apenas com a ponta dos seus dedos

ligeiramente encurvados, docemente,

como se acariciasse dentro um cabelo

ainda pequenino e frágil…

 

O órgão enche o grandioso templo

e aquela mão do coração todo o tempo

cobre de pura ternura o pequeno templo

gerado em forma de um ovo e de um ó,

poema sagrado aquele momento

de enternecimento,

profana é qualquer palavra…

 

2013-10-27


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro quatro, 4/10 (Julho a Dezembro de 2013), 276 pp, 2020.


* * * 


Jrd, 2021-12-18


sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Mudar a pensar

 

dom Quixote,
Suplemento de Artes e Letras do Diário do Sul, 2021-12-13.


Mudar a pensar

 

Quanto caminho tens por certo a percorrer!

Quanto caminho tens para cair e te erguer,

podendo tal tanto não te acontecer

se tal fosse o teu querer bem querer!

 

Quantos, sentidos fortes como tu, contigo, não serão

os que, como tu caindo, convencidos no caminho,

caindo, nunca mais talvez se levantarão,

porque não sabendo ainda como o fazer poderão!

 

É que, sabes, digo-to eu agora, divertido mas preocupado,

olhos fixos nos olhos e olhos no passado,

grande pode ser o ser físico do teu presente

pujante te parecer;

 mas, medita e acredita mesmo, pequeno poderá ainda ser

o saber do teu inebriado jovem ser, talvez pelo vão poder,

porque tempo não pudeste ainda ter para mais ter!

Muito poderás ainda ter que ver,

calado, ouvindo no silêncio, a pensar,

a interrogar-te, a duvidar,

a pensar muito e a muito aprender,

ouvindo o silêncio a ensinar-te a conhecer,

e a conhecer-te, a apreender!

 

Mais tarde, depois, no iniciar da tarde de um certo dia,

no teu justo e chegado dia, se chegar, se ele te chegar...,

saberás o que bem fazer em cada novo dia!

Não o fazer de força física feito,

que depressa, vais ver, ficará desfeito,

mas o fazer de saber amadurecido em cada dia!

 

Lembra-te, se isso aprendeste e já esqueceste,

ou (ainda) não viveste,

do velho Ancião, imponente, talvez já doente,

talvez tua Mãe, teu Pai talvez,

no seu lugar, que ninguém ousa sequer pensar ocupar,

ausente e presente, a tribo à volta do fogo ardendo,

calado, respeitado, observando, ouvindo, respeitando,

mas, por fim, Sábio, ponderando e justo decidindo,

com a luz do fogo iluminado, iluminando!

 

Sábio, Ancião,

o jovem caído levantando,

com ternura aconselhando,

talvez tu, se olhares,

o Futuro olhando!

 

Talvez tu, tu,

com amargura,

com doçura!

 

Talvez tu!    


in José Rodrigues Dias, Poemas em caminhos do vinho e da vida, 290 pp, 2021.

(Retirado do primeiro livro publicado: Braços Abraçados, 82 pp, 2010).

 

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

A propósito do livro "Poemas em caminhos do vinho e da vida"

 


Ler mais neste link:


https://www.novoslivros.pt/jose-rodrigues-dias-inesperadamente-nasceu-e-fez-se-livro/


A foto foi tirada durante a apresentação de uma comunicação no "III Congresso Internacional Língua, Literatura, Vinho e Território", na Universidade de Évora (Novembro de 2021).


Jrd, 2021-12-16


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Interior a epifania

 



Poema escrito há precisamente 3 anos, incluído no penúltimo livro, sendo a foto desta noite.


Jrd, 2021-12-15


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Mestre construtor

 



Terceto simétrico escrito há precisamente 3 anos, em livro de 2021, sendo a foto da Igreja de S. Francisco (Évora).


Jrd, 2021-12-14


segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Oásis

 



Foto de ontem com um poema de 2019 (do último livro publicado, o 34º).


Jrd, 2021-12-13


domingo, 12 de dezembro de 2021

Meio copo de sonho

 



Terceto simétrico escrito neste dia, há precisamente 5 anos, incluído no penúltimo livro.


Jrd, 2021-12-12


quarta-feira, 1 de dezembro de 2021