sábado, 2 de janeiro de 2021

No primeiro dia de Janeiro

 



No primeiro dia de Janeiro


Olho este mundo

no primeiro dia de Janeiro

do cimo ao fundo...


Em concha de terra     

uma manta de água pintada de nuvens 

vagueando no céu...


Olho mãos do homem

em barragem segurando as regas das colheitas 

que rápidas se somem...


Olho as teias de fanatismos tecidas,

oh!, bela é a teia duma aranha à luz do Sol ali rendilhada,

que tanto enegrecem muitas vidas...


E olho os musgos do tempo,

olho coisas, muitas coisas de que pouco entendo,

e olho na terra o entardecer... 


2018-01-02


in José Rodrigues Dias, Cadernos Diários de Poesia, Inverno (2018, Janeiro a Março), 118 pp, 2019.


Jrd, 2021-01-02


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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Ano Novo

 


Votos de um Feliz Ano Novo de 2021.


Ano Novo


De muita espuma

e de lágrimas disfarçadas

em sorrisos na noite de luz ensombrada

(mas que há-de um homem e uma mulher fazer?...)

e de lágrimas corridas debaixo das pontes 

que extravasam,

de outro caminho ressequido 

que em deserto se findou

nasceste tu pequenino em teu caminho

como rebento do tempo em ponto…


Parece-me a margem de um oásis,

talvez seja um oásis,

oxalá seja,

não seja miragem…


2013-01-01


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro três, 3/10 (Janeiro a Junho de 2013), 266 pp, 2020.


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Jrd, 2021-01-01


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quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Outro futuro

 


Votos para todos de um Feliz Ano Novo!

 

Outro futuro


Fim de ano

de meses longos,

longo ano,

sofrido, austero,

nós e os outros…,

sombras, tanto tombo,

fugidia a luz…


Espero porvir duro

de um povo

mas o sonho é noutro barco embarcado

em mar livre sem limite do passado

e num porto colorido de futuro

com farol de luz sapiente

de nobre gente,

novo!


2012-12-31


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro dois, 2/10 (Julho a Dezembro de 2012), 238 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-31


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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Semeador de vida

 


Lua desta noite, quase luar de Janeiro. 
Votos de um Feliz Ano Novo.


Semeador de vida


Se eu te disser

que hoje semeei 

uma coisa na terra

quase vital mas tão banal 

que receio até nomeá-la

com medo, oh deuses!,

que alguma musa se ofenda

(batata, é o que é…),

tu não acreditas,

eu sei,


porque só um louco acreditaria

que eu,

aprendiz de poeta,

semeador de palavras,

tal coisa eu semearia

e logo neste tempo

assim tão cedo,

tão fora do tempo,

mas se eu hoje te digo isto,

neste findar de ano,

é porque, apesar de tudo, de tudo mesmo,

a esperança de ver (re)nascer e ser vida e viver

em tempo de marés tão adversas

e salgadas como estas

e de ser gente sobrevivente

ainda vive em mim

nesta terra

mesmo até ao fim,


e se eu assim to digo,

não acreditas?…


2013-12-30


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro quatro, 4/10 (Julho a Dezembro de 2013), 276 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-30


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terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Debaixo da ponte

 



Debaixo da ponte


Ninguém sobre a ponte se demora,

margens de mundos por cima liga,

mas quem debaixo da ponte mora

sente um mundo que ali se desliga!


2014-12-29


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro seis, 6/10 (Julho a Dezembro de 2014), 188 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-29


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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Doutor

 

(O último poema do livro e do ano de 2015 e, por isso, 

aparecendo na contracapa, em excerto).


Doutor


Fina camisa limpa,

barba aparada, cabelo farto grisalho,

tempo sem idade,


com os óculos olhando, pensando,

cachimbo na mão, o porte subido, 

braço erguido, manga arregaçada


(Tens já uns óculos como um doutor,

não sei se falando sério ou apenas para me consolar,

disse, eu garoto, então o director!)


o olhar dirigido para lá,

meio escondido,

fugindo talvez ele de cá...


Um homem pelo olhar se desvia,

quem sabe de uma lágrima que escorre

ou de um sorriso que se esconde,


quem sabe da morte de um amor,

de um hábito, de um porte, de um monge,

que diz o olhar de óculos, doutor?...


(Menos eu agora vendo,

mantendo daquele tempo os óculos,

bem maiores eles sendo!).


E quantos anos o senhor tem, 

caro Doutor,

de que longos caminhos vem?


Olhando um homem pela posição,

cachimbo nobre na mão ou dentes de pobre diabo,

vendo sua cara ver-se-á o coração?


Aquele olhar de Mona Lisa

de onde vem, de onde veio, artista, mestre,

que o meu olhar paralisa?!...


2015-12-28


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro oito, 8/10 (Julho a Dezembro de 2015), 298 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-28


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domingo, 27 de dezembro de 2020

Notícias do dia

 


Hoje, a vacina como notícia do dia!


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Notícias do dia

(Poema escrito neste dia, em 2015, publicado no último livro, há dias)


Uma luz que entra, a sala limpa, o ar denso,

uma cadeira, um homem sentado, talvez o chefe,

de pé, outro, talvez empregado, porte tenso...


A claridade sobre o jornal do dia,

traços no chão de luz e sombras,

no ar o peso carregado da notícia...


Parece séria,

que coisa

aquela seria!...


De lado e de pé o de negro, sem gravata, 

debruçado sobre as letras da página aberta;

lerá ele, lerá tudo, ou verá só as imagens?


E serão imagens daquela terra,

desgraças, algum objecto voador não identificado,

uma morte, fria a nova guerra?

Talvez seja um prenúncio de Miss Mundo,

talvez um olhar vespertino nordestino,

um assunto do dia mas não, não profundo,


mas nos rostos absortos

quase a legenda:

Gente, como foi possível?


Se o Pai fosse hoje aqui vivo

o que ele deste tempo diria,

se nós assim, o que pensaria?


Que coisas no correr do tempo!

Que outras coisas por aí virão,

que voltas no mundo se darão!...


Virão decerto outros coronéis,

Jorge Amado, jangadas de pedra, fotografia, poesia,

também outros jagunços fiéis...


2015-12-27


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro oito, 8/10 (Julho a Dezembro de 2015), 298 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-27


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sábado, 26 de dezembro de 2020

Procura

 



Procura


Procuro

laços por fazer

de palavras deixadas,

pedaços de palavras,

letras rapadas

como pobre

de braços desabraçados a mexer

nos caixotes da rua 

cheios

de laços coloridos desfeitos,

restos varridos 

da ceia

da Noite de Consoada…


Procuro

também gotas por beber

de fontes 

por nascer

que hei-de ver…


2012-12-26


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro dois, 2/10 (Julho a Dezembro de 2012), 238 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-26


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sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Fio de Luz

 


Votos de continuação de Boas Festas.


Fio de Luz


Sorriso de criança,

fio de Luz

de pura esperança…


2013-12-25


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro quatro, 4/10 (Julho a Dezembro de 2013), 276 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-25


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quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Luz no Oriente

 


Votos renovados de Boas Festas e de Esperança


Luz no Oriente


Observo atento a Luz no Oriente, expectante,

Onde aparece uma Luz de Menino nascido,

Renascido pela força da Estrela Flamejante!

Saboreio nela a sabedoria dos que já partiram,

Sinto a beleza dos sorrisos que nos deixaram

E a ternura dos pequeninos que nos chegaram.


Volto a olhar em ti o simples, o puro e o belo

E fico em profunda Paz contigo, em puro elo,

E em mim fica o fluir do teu incontido sorrir,

Amor comungado em cadeia de união contigo,

Meu bom Irmão, meu sincero e bom Amigo!


(2010-12-24)


in José Rodrigues Dias, Traçados Sobre Nós, 106 pp, 2011.


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Jrd, 2020-12-24


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