sábado, 6 de março de 2021

Versos e poemas



 

 Poema escrito neste dia, em 2019; a foto, de hoje.


Versos e poemas

 

  

Milhares de versos
numa flor, num canteiro
milhões de poemas...

 

As palavras

libertam-se das cores e dos odores, e das formas,

das pétalas…

 

Cada dia

veste-se de luz em tons mil de arco-íris

no olhar…

 

2019-03-06

 

in José Rodrigues Dias, Poemas nas ondas dos dias, I (2019, Janeiro a Março), 162 pp, 2019.


Jrd, 2021-03-06


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sexta-feira, 5 de março de 2021

Guerras, bombas, destroços

 



Escrito neste dia, em 2018:


Guerras, bombas, destroços

  

 

No mar 

corpos fugindo, mortos, destroços 

de terra...


Na terra

buracos de morte, destroços

de guerra...


Guerras sem tempo, uns tempos de morte,

cem anos ou seis dias, que importa se de destroços,

e ninguém as começa, dizem a sul, a norte...

 

São as guerras de defesa do bem,

dizem todos, a palavra escrita ou não com destroços,

que começam no começo do mal...

 

E à bomba solta

nada a caça nem pára antes de ser só destroços,

e a bomba mata...

 

Olhar de uma criança:

uma lágrima contida cheia de tormentos

num mar de destroços...

 

2018-03-05


In José Rodrigues Dias, Cadernos Diários de Poesia, Inverno (2018, Janeiro a Março), 118 pp, 2019.


Jrd, 2021-03-05

quinta-feira, 4 de março de 2021

Retorno



Poema escrito neste dia, em 2014: 


Retorno

 

  

A casa torno,

retorno a casa sempre,

 

luz renascida,

partida, caído, erguido, chegada,

outra partida,

montanha subida,

maré,

descida…,

 

pêndulo ritmado

em movimento de atrito no tempo

quase sempre lento

iniciado em sonho de pão

em si entranhado…

  

Mão de terra,

braço de um pêndulo

em movimento de pão,

paz e guerra…

 

Braços apertados,

lábios dados,

nascidos, renascidos,

braço de pêndulo

em chegada

esperada…

 

Outro,

o mesmo,

um camponês,

Penélope urdindo

desurdindo o tempo

longo de retorno

a Ítaca…

 

O pêndulo,

nós,

o outro indo,

vindo,

nós indo,

vindo,

o retorno,

 

retorno de suor

de sal e pão

sempre

de terra a mão,

 

a casa sempre

retorno!

 

2014-03-04



in José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar,
178 pp, 2016.

* * *

Jrd, 2021-03-04



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quarta-feira, 3 de março de 2021

Natureza

 



Poema escrito neste dia, em 2020:


Natureza

 

 

Sentir a Natureza,

mater, materna, olha, na mão carinho,

uns olhos de seda…

 

2020-03-03


in José Rodrigues Dias, Poemas confinados (2020, Janeiro a Abril), 148 pp, 2020. 


Jrd, 2021-03-03


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terça-feira, 2 de março de 2021

Adeus e depois

 



Poema escrito neste dia, em 2014; a foto de hoje.


Adeus e depois

 

 

Depois de um adeus

de caminhos de sentidos opostos

o resto ainda

de uma centelha viva,

ainda que ténue a réstia de sonho,

 

depois do adeus o encontro

no outro lado do mundo,

num mundo de reencontro,

 

pois todas as rectas,

mesmo as não paralelas

(das paralelas há muito que o sabia

depois daquela coisa da geometria),

todas as rectas se encontram um dia

(talvez lá num ermo longe,

num infinito talvez…),

e já nem falo das coisas curvas,

 

pois a luz dos caminhos

segue os contornos da terra

e a terra que antes parecia plana

é, afinal, redonda

como os grandes oceanos

primeiro circum-navegados

em águas turvas,

 

e redonda é a terra como os olhos

e o cérebro

mesmo que olhando

para um lado só,

teimando como burros ainda mamando

ou já velhos

cansados talvez da carga

ou talvez do dono

sem dó…

 

Mas mesmo nesse lá longe

ou lá onde for,

o reencontro de caminhos

concretos de pedras já buriladas

ou talvez todos esfumados

em lembranças apenas

de alegrias e penas…

 

Pergunto-me, então,

se ainda se reconhecerão

olhando-se

em cada funda ruga…

 

Pergunto-me, ainda,

se na tese

e na antítese

dos seus caminhos

(agora) não se perguntarão

se não terá sido uma fuga

primária a sua,

mútua ou não…

 

2014-03-02


in José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar, 178 pp, 2016.



* * *



Jrd, 2021-03-02


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segunda-feira, 1 de março de 2021

Peregrino

 


Poema escrito neste dia, em 2013:


Peregrino


Peregrino,

por trilhos caminho

para a montanha

tantas vezes só,

tão sozinho...


Devagar,

subo.

Parando, 

olho.

Lá em baixo uivam,

arranham,

ululam…


Por trilhos caminho,

peregrino,

dedilhando 

notas de melodia

no silêncio discreto 

da montanha,

suave a luz 

que me alumia!


2013-03-01


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro três, 3/10 (Janeiro a Junho de 2013), 266 pp, 2020.


* * * 

Jrd, 2021-03-01


domingo, 28 de fevereiro de 2021

O carro e o corpo

 



Poema escrito neste dia, em 2019:


O carro e o corpo

 

 

Lavas o carro:

chia uma porta, comando avariado, lâmpada fundida,

olhas o corpo…

 

Limpas o carro:

tecido com manchas, dedadas entranhadas,

pensas no corpo…

 

Espelhas-te no carro:

deformada, dos riscos do tempo, do tempo já passado,

é a imagem do corpo…

 

2019-02-28

 

in José Rodrigues Dias, Poemas nas ondas dos dias, I (2019, Janeiro a Março), 162 pp, 2019.


Jrd, 2021-02-28


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sábado, 27 de fevereiro de 2021

Mistérios, raízes e pão





Poema escrito neste dia, em 2018: 


Mistérios, raízes e pão

 

 

Respiro e olho,

é o chão que cheira

a terra fresca...


Na semente

o mistério de ser raiz

para ser pão...

 

Também a mente

se alimenta

de raízes e de pão...


2018-02-27

 

 in José Rodrigues Dias, Cadernos Diários de Poesia, Inverno (2018, Janeiro a Março), 118 pp, 2019.


Jrd, 2021-02-27


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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Semente de sorriso

 



Poema escrito neste dia, em 2013:


Semente de sorriso


 

Sinto que as árvores me chamam

e que a terra se aquece

para ser mais mãe…

Pródigas

seguem o seu caminho

como formigas em seu carreiro

e água pelos riachos em Sol de Primavera 

e mulher quando é tempo de florir…

Tudo segue o seu caminho

ou um intrínseco destino

(como se definirá, se até o próprio feijoeiro

se enrola sempre do mesmo jeito?),

mas todos no andar

nos guardamos

em abrigos

e fechamos

em dias de perigo…

 

Porém, nada como uma estaca

ou uma semente e uma enxada

ou, então, um sorriso…

 

Acima de tudo, semente de sorriso

em solos e sóis tristes

para os caminhos que poderão vir…

 

2013-02-26


in José Rodrigues Dias, Tons e Sons de Primavera(s), 106 pp, 2016.


Jrd, 2021-02-26


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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Talvez a Vida seja a Primavera

 


Poema escrito neste dia, em 2018 (a foto de hoje):


Talvez a Vida seja a Primavera

 


Recolhe-se em sua casa, bem dentro de si,

a chuva lava o sujo, o vento leva o seco já sem vida,

e a semente sente o seu tempo de renascer...


Desço ao interior do poço,

dentro de mim desço, o tempo é da noite

e é no silêncio que me oiço...


Recolhido, vendo sem ver, a palavra dita baixo,

não há ruído, só eu e o que digo e oiço, só eu,

chuva é uma outra coisa como o silvo do vento...


Chuva, neve e vento,

objectos do tempo limpando pragas,

dentro é outra coisa...

  

Lembro esse sentido da Quaresma,

entrega, partilha do pão e morte, e da semente

almejando ver a Luz de Primavera...

 

Saio por momentos de mim, observo:

são rebentos, olha tu, são rebentos de amendoeira

a caminho de ser flor e a flor ser fruto...


Dentro dela, parecendo morta, sem viço,

a semente de vida, talvez a Vida seja a Primavera,

que do interior da noite faz a luz do dia...


2018-02-25

 in José Rodrigues Dias, Cadernos Diários de Poesia, Inverno (2018, Janeiro a Março), 118 pp, 2019.


Jrd, 2021-02-25


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