domingo, 15 de dezembro de 2019

Sol a nascer




Sol a nascer 


Almoçámos todos,
o céu estava luminoso,
passeámos pelo tempo à beira de mares
até que a brisa mais fresca nos recolheu.
Fraternos, ceámos alguns como em última ceia
sob uma penumbra oscilante de quase luz
com falas entrecortadas de omissões,
com posições reafirmadas
e com veementes negações
em momentos de cristalina verdade.
A fronteira estava agora ali,
tinha a forma de um sim ou de um não,
a altura que parecia pequena
de três letras apenas…

Era de noite,
sentimos sombras,
do escuro tivemos medo
e ficámos,

baixando os olhos
dissemos que não…

Não fomos…
Não indo
não vimos a madrugada,
a Luz
no Sol a nascer…

2012-01-31

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In José Rodrigues Dias, Avistamentos de mares, Primeira viagem (Trilogia), Ed. Forinfor, 216 pp, 2019.

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Jrd, 2019-12-15

sábado, 14 de dezembro de 2019

A costa alentejana, o mar e o amor


Foto da costa alentejana


A costa alentejana, o mar e o amor

A longa costa corre quase tortuosa
em falésias ao longo do mar,
abraçando-o, reduzidas as linguetas
compridas de areias finas.
Nas praias são libertados e deixados livres
em noites de luar
movimentos lânguidos
de corpos quentes se abraçando
que o mar
com os seus braços de água vai refrescando…

Então, enlevado, o mar salgado
beija a costa em gemidos doces
e nela se espraia
derretido
em longos movimentos pausados…

2010-08-19

* * * 

In José Rodrigues Dias, Avistamentos de mares, Primeira viagem (Trilogia), Ed. Forinfor, 216 pp, 2019.

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Jrd, 20019-12-14

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Sagres


(O primeiro poema deste último livro...)



Sagres 

  
Naquela ponta de Sagres, a ocidente,
tão pequenino, embrenhado no sagrado,
olhando o Astro a entrar naquele profundo mar,
como poderia o Homem imaginar a Terra a rodar
à volta do Sol, se ele ali o via, deslumbrado, soterrado,
a entrar no mar da Terra e no outro dia, do outro lado,
de novo o via em amarelo a desabrochar a oriente?...

Quem tal não diria, ali, naquele poente,
ali, naquele místico pôr-do-sol, em queda milenar,
que outra coisa, Galileu, qualquer outro movimento,
não seria uma louca e perigosa heresia?…

Então, qualquer um, lúcido, em paz profunda, ali não via
o que toda aquela santa gente ali sentia,
o que tão simples e puro ali acontecia?...

Só não compreenderia um louco…
Louca a Terra…

Terra louca,
que a Terra roda
quando roda a cabeça de um louco…


* * * 

in José Rodrigues Dias, Avistamentos de mares, Primeira viagem (Trilogia), Ed. Forinfor, 216 pp, 2019.

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Jrd, 20019-12-13

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Avistamentos de mares, Primeira viagem (Trilogia)



127 poemas, 216 pp.

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Avistamentos de mares

Primeira viagem

(Trilogia)

*

O décimo quarto livro de Poesia
(o quarto de 2019).


Jrd, 2019-12-12

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Oásis


Décimo livro de Poesia.

Oásis


Rasgo um rego fundo do mar até este seco
e a água derramando-se vem em verdes e azuis
e a vida espraia-se pelas ondulações dos dias.
Pelo caminho tiro o sal
nas areias coado
e à morte o deixo.
Consulto a sabedoria dos anciãos
nos sinais maiores do Sol e da Lua
e os pormenores na discrição da noite
em estrelas que nos adormecem
ao som intercalado de grilos.

Da construção,
limpo o suor ao chegar da noite
e pelo sono
fecho o dia
e abro devagar o dia seguinte.

De duas palmeiras faço duas colunas
e à entrada as coloco direitas,
como no cais
da cidade maior
das Tágides.

Depois, no sagrado puro
deste chão regado de verdes e azuis
irão habitar os homens…

2012-04-13

in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro um, 1/10 (Janeiro a Junho de 2012), Ed. Forinfor, 280 pp, 2018.


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Jrd, 2019-12-10

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Lavra de palavra


Nono livro de Poesia (2018).

Lavra de palavra

  
Salta quase amedrontada a palavra de lavra feita,
não a conheço de lavra por fazer.
O poeta faz a terra macia
arada após arada
e sempre semeia
embora sem saber bem o quê
em cada dia.
Creio que é semente do que guardou
em cada rasgo avivado
da vida e da morte
e talvez da sorte
que em traço fino de luz
e em derrames de sombras
mais sinais deixou
e em cadinho lento se desfez
e outro do outro rebentou.

Depois, de repente, salta uma palavra
quase justa e quase que perfeita
embora  quase sempre tardia
como uma perdiz amedrontada
de uma seara
ao vento
na Primavera.

2013-09-22


in José Rodrigues Dias, Da semente, Ed. Forinfor, 254 pp, 2018.


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Jrd, 2019-12-09

domingo, 8 de dezembro de 2019

Uma espécie de poema, antigo, em francês


(pdf)


Uma espécie de poema, antigo, em francês


Sobre a ponte unindo margens,
o trânsito parado, a Sarah Affonso no museu em espera,
navego lá longe, o espaço etéreo…

Encontro lá no passado,
cifrada a linguagem, matemática, prenhe de símbolos,
uma espécie de poema…

Um dos poemas primeiros vendo a luz,
ah!, já lá vão três dúzias de anos, ah!, o tempo que voa!,
em língua estrangeira, na cidade da luz…

Aqui te deixo,
com uma fotografia, no espaço perdido,
o sítio preciso:



Post scriptum:


Ah!, eis ali a Sarah Affonso,
o seu Almada Negreiros, os retratos, os bordados,
os desenhos para a Sophia…

Eis a Sarah Affonso,
mulher inteira, mãe, diversas as linguagens
em hinos de Poesia…

Dias
de pequenas
coisas...


José Rodrigues Dias, 2019-12-08

sábado, 7 de dezembro de 2019

Candelabro, teatro e vida




Candelabro, teatro e vida


Iluminação do teatro,
como luz no palco da vida,
à noite ou se é escuro…


José Rodrigues Dias, 2019-12-07

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Repleta de luz




Repleta de luz


Acordas, abres os olhos, olhas.
Apesar de tristes os ramos das árvores, despidos,
a manhã rejubila repleta de luz…


José Rodrigues Dias, 2019-12-06

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Quão suave que era




Quão suave que era
  

Da luz a tarde quão suave que era…
As pequenas flores em campânula, amarelas,
bailavam como se ali a Primavera…


 José Rodrigues Dias, 2019-12-05