sábado, 12 de dezembro de 2020

Abrindo o caminho

 


(Escrito neste dia de Dezembro, há sete anos, publicado em livro de 2020; foto, curiosa, de hoje).


Abrindo o caminho


Aprendiz sou

de ser,


sou quem tem de se fazer,

quem tenho que ser

a aprender

abrindo o caminho

descobrindo palavras

novas

e velhas em covas encobrindo!


À noite,

uma luz difusa

e o sabor de uma maçã,

talvez de uma romã,

não de paraíso,

do caminho…


2013-12-12


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro quatro, 4/10 (Julho a Dezembro de 2013), 276 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-12


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sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Nadir, artista

 


Nadir, artista

(Escrito no dia em que faleceu Nadir Afonso)


Artista que parte,

tela que começa

para outro continuar

e assim se impeça

a arte

de parar…


2013-12-11

in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro quatro, 4/10 (Julho a Dezembro de 2013), 276 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-11


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quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Espiritualidades

 



Espiritualidades



Ergo os braços,

te abraço

e fazem-se laços,


de apertados laços

sentida se faz a paz,


a luz interior

suave 

adoça o ardor,


de finos laços

eu relaxo,

de suave a luz 

me refaço…


2014-12-10

in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro seis, 6/10 (Julho a Dezembro de 2014), 188 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-10


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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Retirada

 


Retirada



Retirada da gente em carreiro

ao correr do mar,

carreiro mesmo de formigas

antigas

agora mantido,

formigas mesmo precavidas

no cesto do pão

à cabeça

e na mão,


o coração…,

quem poderá falar da razão de cada um

e do coração todo da gente

em carreiro de retirada

em tarde ou manhã da vida

quando em cada dia

é igual o dia todo

com todos os tons de cinzento

e apenas uma sombra clara de luz

assoma quase envergonhada

de um céu que se esconde…,


e os passos marcados

na areia

logo também eles desfigurados,

figuras instáveis

sem rostos

de grãos de areia fugidia

por entre os dedos

talvez frios de um suor de medos,

um quase nada

em tempo de tudo quase nada,

talvez sinais rasteiros de algum deserto

em caminho com um pequeno oásis perto

onde a alma ainda assim descanse

por fim

liberta

das folhas

de um outono…


2013-12-09


in José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar, 178 pp, 2016.


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Jrd, 2020-12-09


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domingo, 6 de dezembro de 2020

Madiba

 


Nelson Mandela, falecido a 5 de Dezembro de 2013. 
Poema do dia seguinte.


Madiba


Hoje, no terreiro grande,

nesse misto de comoção e festa,

homens de olhares coloridos

te sentem e cantam

livre sem cor

com sorrisos

sem dor

de ti preso nascidos,


é o nosso canto

de encanto

libertando amor

durante a tua sesta,


é comoção

feita quase festa

de humana libertação…


2013-12-06


in José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar, 178 pp, 2016.


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Jrd, 2020-12-06


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sábado, 5 de dezembro de 2020

O sentido do caminho

 



O sentido do caminho

 

 

Caminho,

chamo as palavras

sozinho,

 

assim perto as sinto

e melhor as entendo

e lhes pergunto

tu cá tu lá

como foi o início

e como será

o fim,

o destino,

o sentido do caminho…

 

2015-01-15

 

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Jrd, 2020-12-05


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

O vigésimo terceiro livro...

 



O vigésimo terceiro livro...


Contracapa do vigésimo terceiro livro que acaba de ser publicado com a badana dos livros antes publicados.

O poema da contracapa, por critério definido, é o primeiro deste "Livro sete", o primeiro do ano, contendo os poemas escritos no primeiro semestre de 2015, continuando o "Diário Poético (2012-2016)".

Amanhã, a capa e a badana relativa ao autor.

As capas dos livros anteriores podem ser vistas no lado esquerdo do blog.


Jrd, 2020-12-03


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Sem caminho?

 

  

Sem caminho?

Fá-lo,

fica-te  feito

como este rego

que eu faço

para a água da chuva

não se perder

e ter destino

 

(tu não a sentes, pura,

na terra macia caindo?),

 

cada gota florindo

em seu tempo, todo o tempo,

num fruto maduro…

 

2015-01-02



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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

O poema denso

 



O poema denso

(Escrito neste mês e dia, em 2013, em livro de 2019)


Não haveria tempo nem espaço

nesse instante por começar

de uma singularidade

com traços sem memória

e o poema, então, seria nada e tudo

em que o verbo disperso

seria coração uno

de um vermelho puro

num só ponto infinitamente denso

talvez de um enorme multiverso

contido numa fórmula ainda por descobrir

mas talvez muito simples

antes de se ter escrito o primeiro esboço de verso

deste nosso universo cheio de quase nada

que agora arrefece…


Acontece tudo logo no big bang

quando o poema denso

do buraco negro daquela noite etéreo se abriu

e no mar floriu

em versos de vapor de água leves

mas quase sempre muito breves

no tempo que agora cresce

sem quase prova de anti-matéria

e quase já sem matéria

que logo escorre da palma da mão

como pó fino de areia

ao entardecer

quando o Sol como Poeta vai à procura

dos cabelos da sua sereia

e com a ternura dos homens os acaricia

em momentos de pouca dura

e de nostalgia…


2013-12-02


in José Rodrigues Dias, Avistamentos de mares, Primeira viagem (Trilogia), 216 pp, 2019.


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Jrd, 2020-12-02


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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Olhando Túlio Espanca (e ouvindo Eduardo Lourenço com Florbela Espanca)

 

(Vista parcial dos claustros da Universidade de Évora)

Túlio Espanca, Doutor Honoris Causa (Universidade de Évora, 1990)
Eduardo Lourenço, Prémio Vergílio Ferreira (Universidade de Évora, 2001)



Olhando Túlio Espanca

(e ouvindo Eduardo Lourenço

com Florbela Espanca)


É fim de tarde, quase a noite,

tu olhando ainda pensativo, quase distante,

os claustros da velha universidade,

eu olhando-te…


(Ali ao lado, daqui a um pouquinho,

vai estar o Eduardo Lourenço e nós,

nós, os outros…).


É quase noitinha

mas o branco da cal ecoando pela planície

reflecte ainda tons emergentes da mesma luz

que te guia sempre na busca dos ocultos

para lá da pele difusa dos homens

e das paredes das coisas

dormentes...


Que venha de lá a noite

(digo eu, sozinho, olhando-te)

que a luz ainda assim não se irá,

as letras e as cores não morrerão

nem os números nem as fórmulas

nem em sentido nem em forma

e tu (eu sei) não te vais

(e o Eduardo Lourenço já aí vem…),

tu de rocha

como a tua Florbela,

fino mármore de Vila Viçosa e Estremoz…


(Sabes, ao lado, daqui a nada, na mesma sala,

está quase, quase…,

o Eduardo Lourenço e ela, e nós,

e o neo-realismo e a poesia

e outras coisas que o tempo

nestes momentos sempre nos traz

quando o pensamento se encontra pelos rios 

e pelos afluentes se perdendo…).


(Olha, o Eduardo Lourenço já chegou,

veio e cumprimentou-nos,

vem daí tu também…).


2015-01-30


in José Rodrigues Dias, Fiat Lux (no ano da Luz), 90 pp, 2015.


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Jrd, 2020-12-01


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