segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Tristeza

 


Tristeza

 

 

A tristeza invade a luz

distraída no deleite do louro 

noutro lado intermitente da vida.

Aos poucos, ou muito repentinamente,

ficam agora quase sem sentido as coroas

mergulhadas em sombras de um Sol poente

em mar profundo de purificação de ondas.

A tristeza que anoitece o dia é entrecortada

por soluços contidos

ou mesmo incontrolados

de uma maior tristeza

que empalidece cada olhar.

 

A música de fundo no silêncio pesado

da penumbra

projecta a tristeza

ainda mais

até ao mais infinito,

parecendo o negro

uma absoluta e definitiva certeza.

Negro, negro,

como um buraco negro 

no céu azul!

 

Mas o tempo, depois,

logo depois, quem sabe!...,

traz de novo a luz do Sol

no olhar de um homem bom

que ilumina o caminho.

 

Sempre trouxe

e sempre trará!

 

2012-02-15


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro um, 1/10 (Janeiro a Junho de 2012), 280 pp, 2018.


* * * 

Jrd, 2021-02-15


domingo, 14 de fevereiro de 2021

Enamorados

 



Enamorados



O mesmo caminho, lado a lado,

livres, o mesmo destino, limpo o olhar, límpido,

um casal de patos enamorados...


A aragem

refresca a ondulação do tempo

da viagem... 


2018-02-14


in José Rodrigues Dias, Cadernos Diários de Poesia, Inverno (2018, Janeiro a Março), 118 pp, 2019.


Jrd, 2021-02-14


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sábado, 13 de fevereiro de 2021

Das palavras

 



Das palavras



Tenho o meu canto,

guardo-o como lugar quase sagrado

e nele me resguardo.


Uma velha mesa, um banco duro,

um coto de vela, um copo de água,

uma pena velha, o papiro escuro.


É tempo,

acendo a vela,

sento-me.


À minha frente, em recordação,

o sinal de uma cruz a elevar-se do chão,

passos dados, passos que virão...


Embarco, iço a vela,

largo o barco

e vou ao sabor dela...


Só os ventos, com marés libertas,

saberão do sentido e dimensão das palavras 

recolhidas nas entranhas abertas!


2016-02-13


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro nove, 9/10 (Janeiro a Junho de 2016), 214 pp, 2021.


* * *


Jrd, 2021-02-13



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Vê, Tomé! (Vê, Einstein!)

 


Em 2017, o Prémio Nobel da Física foi atribuído (a três físicos) com base na detecção das ondas gravitacionais, previstas por Einstein, um século antes, a que este poema, de 2016, publicado em 2021, se refere.


* * * 


Vê, Tomé! (Vê, Einstein!)

 

 

Entretecendo mil ideias,

tecendo o espaço e o tempo,

o tolo tudo concebendo...

 

Bastas ideias muito loucas,

postulados e outras coisas mais

como de gradientes e rotacionais,

orelhas um pouco moucas,

 

viajando de Newton para umas ondas gravitacionais

como as de uma criança atirando pedras a um lago

deslocando umas plumas leves de um pato sossegado,

 

mas noutras dimensões

e a coisa com uma outra dimensão,

buracos negros, buracões,

 

onde a luz se perto passasse

se dobrasse,

caísse

e adormecesse...,

 

só vendo, como Tomé

(Como?... A luz ali anoitecia?...),

eis a humana conclusão...

 

Antenas no espaço e no tempo

orientadas como dedos espetados

e eis as plumas em movimento!

 

Vê, Tomé!...

 

2016-02-12


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro nove, 9/10 (Janeiro a Junho de 2016), 214 pp, 2021.


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Jrd, 2021-02-12



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Árvores e frutos



2021-02-11

 

Árvores e frutos



Mudaria alguma árvore que plantei?


De um degrau da escada

onde me interrogo

com uma pergunta

me respondo:

se cresceram e floriram

e se deram frutos 

de que gostei,


errei?


2013-02-11


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro três, 3/10 (Janeiro a Junho de 2013), 266 pp, 2020.


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Jrd, 2021-02-11


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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

A paz na tranquilidade

 



A paz na tranquilidade

 

  

Na diversidade colorida

das flores, ao rés-do-chão, a beleza

com toda a simplicidade…

 

É a paz na tranquilidade

do silêncio orvalhado matinal,

talvez um reflexo do céu…

 

Perto,

tão longe

o céu…

 

2020-02-10


in José Rodrigues Dias, Poemas confinados (2020, Janeiro a Abril), 148 pp, 2020. 


Jrd, 2021-02-10


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terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

O templo

 




O templo

 

 

Descera uns degraus, 

velho era aquele granito,

e segui-o, não me via.


A porta estava quase fechada, 

enorme, das antigas que o tempo não come,

por pequena frincha se abrira.


Entrara. 

Ali, uns pequenos passos perdidos.

Segui-o.


Fechado o templo,

uma porta leve abrira e nele entrara,

de silêncio o ruído.

 

Desligo 

o telemóvel.

Segui-o. 


O templo,

vazio, enorme, ali vazio

o templo!


Vi-o de pé a olhar.

Senta-se, então, à entrada,

era ali o Ocidente.


Não havia um concreto Sol

nem uma discreta Lua,

não era noite e nem era dia,

 

não havia pássaros e nem árvores

e nem frutos proibidos,

chamas também nenhuma se  via.

 

Nenhum rio a correr se pressentia,

nenhum mar ondulava

nem  pinga de água nem aragem,


havia apenas uma luz coada,

não sei que coisa a coaria

mas não era o coar de nuvens


nem eram folhas de árvores

nem qualquer tipo de poluição,

também não eram sombras,

 

 era apenas aquela luz coada,

íntima, uma luz sentida de alma calma,

era apenas aquela luz tépida


como água de banho limpa

de uma interioridade penetrada

em momento de reiniciação.


2017-02-09


in  José Rodrigues Dias, Poemas em tercetos simétricos, diarísticos (Janeiro a Março, 2017), 132 pp, 2017.



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Jrd, 2021-02-09




segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Destes tempos conturbados

 



Destes tempos conturbados

 

  

Na sua face dor de desencanto

com a cirurgia adiada, o medicamento ausente,

o enigma da morte ali presente …

 

Que culpa

tão grande será essa, nessa terra,

a da gente…

 

Procura de cura

em flores simples do campo ondulando

em seu encanto…

 

2019-02-08



 In José Rodrigues Dias, Poemas nas ondas dos dias, I (2019, Janeiro a Março), 162 pp, 2019.



Jrd, 2021-02-08


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domingo, 7 de fevereiro de 2021

O Templo de Diana

 



O Templo de Diana

 

  

O Templo de Diana: o mesmo

e sempre diferente, outros o ângulo e a luz, outros eu e tu,

cada olhar é sempre diferente…

 

Talvez o próprio olhar

dos deuses e das deusas, também o de Diana,

esteja sempre a mudar…

 

2019-02-07

 


 In José Rodrigues Dias, Poemas nas ondas dos dias, I (2019, Janeiro a Março), 162 pp, 2019.



Jrd, 2021-02-07


Aos leitores:

 



Aos leitores:


Ausente algum tempo, devido a uma perturbação nos olhos, melhorando, volto ao convívio dos leitores. Como já vinha fazendo, apresentarei (exceptuando um ou outro caso) uma foto e um dos poemas escritos no respectivo dia mas de um ano anterior, já publicado em livro. 


Jrd, 2021-02-07