sábado, 31 de outubro de 2020

A contracapa do novo livro

 



Ano Novo, caminho de pedras

 

 Eis o teu caminho de pedras

em perpétua continuação!

 

De cada uma

faz uma palavra burilada

numa oficina

de luz

em silêncio suave

de artesão,

 

e, uma a uma,

faz delas tua morada

partilhada,

doce lar,

 

mesmo que morada

por acabar,

mesmo que sempre inacabada

seja sempre um doce lar!

 

2014-12-30


(O último poema do livro, quando o semestre é o segundo do ano, de acordo com o critério definido para o poema da contracapa nesta série de dez livros. Quando o semestre é o primeiro, o poema é o primeiro do ano escrito).


Jrd, 2020-10-31


sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Dez anos depois do primeiro, o vigésimo segundo livro




Apresentação do primeiro livro,

Braços Abraçados

em 2010-10-30, na Biblioteca Pública de Évora (foto da net).
 


* * *


Dez anos depois, no mesmo dia, 

a publicação do vigésimo segundo livro.





Jrd, 2020-10-30

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

A ousadia de começar

 



A ousadia de começar



Faz amanhã 10 anos (30 de Outubro de 2010)...

Foi na Biblioteca Pública de Évora...

De tarde, chovia, chovia...


Braços Abraçados,


foi o meu primeiro livro de Poesia...

A ousadia de começar,

mudar o rumo, de nascer novo dia...


Neste endereço

a notícia da apresentação:


https://intencidadebpe.wordpress.com/2010/10/29/apresentacao-do-livro-bracos-abracados-de-jose-rodrigues-dias/


* * *


Descobrir

(O último poema do livro)



Mestre,

Ideias novas não surgem,

Apesar de tanto pensar!


Apesar de tanto pensar,

Ideias não emergem,

Mestre!


Olho de um e de outro lado, 

Como me tens tanto ensinado,

Olho o caminho já caminhado,

E nada, nada de novo vislumbrado!


Que problema, mestre!


Estou cansado, olhos sem ver, enraivecido,

Quase tudo me parecendo ter esquecido;

Mas lembro-me de ti a dizer

Que solução há-de haver!


Dizes-me que talvez este ainda não seja 

O tempo para o meu fruto colher,

Por tempo ainda o fruto não ter 

Para, naturalmente, amadurecer.

Dizes-me ainda que tranquilo esteja

E a reflexão ao sol deixe a aquecer.


Olhos semi-cerrados,

Abertos e fechados,

Vendo sem ter de ver,

Por profundo saber, 

Em sábio gesto de mundo abarcar 

Dizes-me ainda para descansar e olhar!


Olha!


Olha a borboleta lá fora,

A chamar-te, 

A voar na primavera,

Voando de flor em flor,

Em hino ao amor.


Olha,

Faz isso, vai com ela,

Procura a luz,

Olha o céu, 

Voa, voa, voa,...

E volta,

Tranquilo!


Volta então à tua reflexão.

Fixa bem os pressupostos,

Define bem os objectivos

E parte, decidido, a caminhar,

À procura da certa solução

Que decerto vais encontrar.


Minimiza o duro caminho,

Que é duro o caminho 

E, quantas vezes, difuso,

Em nevoeiro escondido.


Chora quando tiveres que chorar!


Vê os desvios do caminho,

Assinala-os com raminhos de acácia

Mas não te desvies do traçado primordial.


Talvez a eles possas voltar mais tarde,

Quem sabe se para muita sede 

Poderes então saciar em inesperadas fontes 

Que neles poderás então encontrar,

Para novas lágrimas poderes chorar!


Mas não te deixes agora inebriar.

Olha os pressupostos e os objectivos;

Olha apenas o caminho principal,

O caminho principal!


Ao caminhar,

Faz como o vedor,

Mesmo que nele não acredites;

Sente os sinais,

Mesmo que sinais 

Não te pareça encontrar.


Há sempre sinais!


Vai caminhando, 

Pára de vez em quando,

Refresca a mente,

De lágrimas eventualmente,

E sente!


Há sempre sinais!


Sente o pulsar do coração  

E o pular do pensamento!


Caminha e sente,

Que há sempre sinais!


Há sempre sinais!

....

Sim, mestre,

Estou a sentir,

A ver afloramentos,

A fazer acontecimentos,

A descobrir!


Obrigado, 

Mestre!


in José Rodrigues Dias, Braços Abraçados, Ed. Tartaruga, 82 pp, 2010.


* * * 


Jrd, 2020-10-29


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Acordar

 


Acordar


(Lembrando... 

Outro poema do meu primeiro livro de Poesia, quase a fazer 10 anos).



Deixaste o campo abandonado,

Onde bebeste do cálice da Vida

E comeste do Pão com amor semeado.

Deixaste a Luz do Sol, das estrelas, da Lua,

Com seus naturais encantos e mistérios

Em dias límpidos e noites de sonhos livres 

Sem imaginar viver um dia sem o ar da liberdade.


Foste. Livre ou obrigado, foste!


Encontraste-te em cidade sem identidade, perdido,

Em cidade sem sítio onde começa nem acaba.

Procuraste, atarantado, o norte que não descortinaste.

No que te parecia ser o raiar de um novo dia,

Sem saberes por vezes se sonhavas ou deliravas,

Procuraste o nascer do Sol que não encontraste.


Cansado, prostrado, suado, ao fim de cada duro e longo dia,

Procuraste o pôr-do-sol que antes, tranquilo, tanto admiraste!

Agora, enraivecido, em nenhum dia o pôr-do-sol acontecia.

Aquele pôr-do-sol, com que o sonho ainda hoje te adormece,

No findar de cada dia, deleitado, jamais encontraste.

Encontraste espessos mantos sem saberes de quê,

Nem porquê, e que culpa tu tinhas, que mal praticaste,

Envolvendo-te o corpo, cobrindo o universo, 

Enevoando-te o pensar do já perturbado pensamento.

Lembras-te, com intensidade ou apenas só vagamente,

Daquela luz tépida da noite, ora difusa ora intensa,

Em noite de luar, com sombras de nuvens vaporosas

Viajando livres com o vento, soltas no doce luar.


Acorrentado, lembras-te livre em mundos transparentes,

Em noites claras de luar e de estrelas em campos sem findar.

Com suores, olhas a luz dos tiros rasgando noites sem luar

E estremeces no aclarar das noites pelo brutal incendiar.


É hora de acordar!

É a hora de voltar!


in José Rodrigues Dias, Braços Abraçados, Ed. Tartaruga, 82 pp, 2010.


* * *


Jrd, 2020-10-28


terça-feira, 27 de outubro de 2020

Palavras incertas

 



Palavras incertas

(Poema do meu primeiro livro de Poesia, quase a fazer 10 anos)


Este é um amontoado de palavras incertas escritas,

Perdido que estou à procura de justas as encontrar,

Fugindo esquivas as palavras certas não inscritas

Nos livros não sagrados onde as estou a procurar!


Mas, mesmo que certas e justas as palavras encontrasse,

Como poderia eu o seu misterioso enovelado eu desfazer,

Para um doce poema, em sublime harmonia, delas fazer,

Sem ter esquadro e compasso com que bem as alinhasse?


in José Rodrigues Dias, Braços Abraçados, 82 pp, 2010.


* * * 


Jrd, 2020-10-27


segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Caminho

 



O primeiro livro de Poesia, quase a fazer 10 anos!


O segundo poema do livro.

Caminho


Na Filosofia,

Na Psicologia, 

Na análise critica

Por Mestres cedo ensinada, 

Bem assimilada,

Encontrei o prazer da reflexão,

O eu questionando:

Estando eu à janela, 

Poderei eu observar

Na rua o eu a passar?

Foi por aí que comecei,

Divagando!


Foi por aí, pela interrogação,

Que jovem me iniciei.


Na Engenharia,

Na Matemática, 

Na Informática,

Ao sol e com a lua

Estudando, 

Encontrei velhos problemas

E deram-me sabidas soluções;

Depois, com deleite investigando,

Criticamente analisando

Velhos e novos problemas,

Novas soluções encontrei, 

Mesmo soluções certas não existindo,

Apenas certas aproximações inferindo.


Foi por aqui que adulto continuei.

Com a Filosofia,

Com as Ciências,

Vivendo a vida,

O Ser intuindo,

É agora na Poesia

Que sinto encontrar,

Curiosamente,

Finalmente,

As perguntas sem resposta

Do Início e do Fim,

Do Mundo e da Vida

A iniciar e a findar, 

As perguntas essenciais

Sem resposta receber,

Sem resposta fornecer,

Por não haver!

Eis os antigos Mistérios

Perenes a permanecer!


É na Poesia 

Que as perguntas 

Essenciais,

Simples,

Vitais,

Ficam sem resposta!


É na Poesia!


Ou talvez não seja:

Talvez a Poesia seja 

A síntese sublime do Ser

De todas as perguntas

E de todas as respostas

De cada um ser e de se ser!

Talvez a Poesia

Seja 

A síntese do Ser! 


Este é o caminho!



in José Rodrigues Dias, Braços Abraçados, Tartaruga Editora, 82 pp, 2010.


* * * 


Jrd, 2020-10-26


domingo, 25 de outubro de 2020

A roda

 

(Deste último livro)


A roda


Indo descalço no caminho,

o homem pegou

numa pedra tosca

e logo ali a foi rodando

no pensamento

e no tempo,

devagar, devagarinho,

sem qualquer pressa o tempo,

e, por fim, só ele, 

olhando,

a si se disse,

sempre sonhando:

olha, homem, é uma roda,

eureka,

é uma roda!


2014-02-03


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro cinco, 5/10 (Janeiro a Junho de 2014), 264 pp, 2020.


* * * 


Jrd, 2020-10-25

sábado, 24 de outubro de 2020

Sublime o encanto, canto!

 


Sublime o encanto, canto!


Cultivo a terra,

as coisas semeadas, nascidas, 

cuidadas, colhidas,

a vida florida

em terra não esquecida!


No caminho

aconchego a água em cada rego,


frágil 

a vida das coisas

não se pode perder

desde que são semeadas

até que são colhidas,


até que o todo,

tudo, o todo plural, integral,

é um novo fruto…


Olhando,

sublime o encanto,

eu canto!


2014-02-01


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro cinco, 5/10 (Janeiro a Junho de 2014), 264 pp, 2020.


* * * 


Jrd, 2020-10-24


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Poesia, o encanto

 



Poesia, o encanto



Pelo tempo e pelos lugares

nos olhares da gente

sempre virgem

anda a Poesia nua

à espera de quem a queira vestir

com uma veste nova sua

a urdir em seu tear

ao Sol

ou ao luar…


Quanto mais se veste

mais a Poesia atrevida se despe

e o Poeta espicaçado mais a muda

e ela virgem se desnuda…


Nua, virgem,

uma deusa pura

à espera de alguém,


encanto de todos,

de ninguém…


2014-03-22


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro cinco, 5/10 (Janeiro a Junho de 2014), 264 pp, 2020.


* * * 


Jrd, 2020-10-23


quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Hino à criação

 



Hino à criação



As sementes e as terras,

olho-as primeiro em ideias apenas

em esboço de sombras…


De longe e perto

me questiono, interrogando-as

ao sabor da luz.


Preparo as terras, 

peneiro as sementes,

separo os joios, 

as pedras e as ervas.

Olho de novo,

de longe, de perto…


Sondo o Sol, a chuva, a Lua, o vento,

semeio em todo o meu tempo,

cada semente no devido momento…


Como o Poeta, uso ácidos e bases

que diluo no suor que me escorre

em cada sulco que pela terra faço

em cada passo que no tempo dou

no que sou em cada  instrumento

que se ainda o não tenho invento…


Se ao adormecer morro velho 

em mistério de recriação

logo ao acordar renasço novo…


Sorrindo por todo o tempo 

sempre colho, colho sempre

cada fruto em seu momento…


2014-04-05



in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012-2016), Livro cinco, 5/10 (Janeiro a Junho de 2014), 264 pp, 2020.


* * * 


Jrd, 2020-10-22