quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Outro futuro

 


Votos para todos de um Feliz Ano Novo!

 

Outro futuro


Fim de ano

de meses longos,

longo ano,

sofrido, austero,

nós e os outros…,

sombras, tanto tombo,

fugidia a luz…


Espero porvir duro

de um povo

mas o sonho é noutro barco embarcado

em mar livre sem limite do passado

e num porto colorido de futuro

com farol de luz sapiente

de nobre gente,

novo!


2012-12-31


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro dois, 2/10 (Julho a Dezembro de 2012), 238 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-31


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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Semeador de vida

 


Lua desta noite, quase luar de Janeiro. 
Votos de um Feliz Ano Novo.


Semeador de vida


Se eu te disser

que hoje semeei 

uma coisa na terra

quase vital mas tão banal 

que receio até nomeá-la

com medo, oh deuses!,

que alguma musa se ofenda

(batata, é o que é…),

tu não acreditas,

eu sei,


porque só um louco acreditaria

que eu,

aprendiz de poeta,

semeador de palavras,

tal coisa eu semearia

e logo neste tempo

assim tão cedo,

tão fora do tempo,

mas se eu hoje te digo isto,

neste findar de ano,

é porque, apesar de tudo, de tudo mesmo,

a esperança de ver (re)nascer e ser vida e viver

em tempo de marés tão adversas

e salgadas como estas

e de ser gente sobrevivente

ainda vive em mim

nesta terra

mesmo até ao fim,


e se eu assim to digo,

não acreditas?…


2013-12-30


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro quatro, 4/10 (Julho a Dezembro de 2013), 276 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-30


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terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Debaixo da ponte

 



Debaixo da ponte


Ninguém sobre a ponte se demora,

margens de mundos por cima liga,

mas quem debaixo da ponte mora

sente um mundo que ali se desliga!


2014-12-29


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro seis, 6/10 (Julho a Dezembro de 2014), 188 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-29


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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Doutor

 

(O último poema do livro e do ano de 2015 e, por isso, 

aparecendo na contracapa, em excerto).


Doutor


Fina camisa limpa,

barba aparada, cabelo farto grisalho,

tempo sem idade,


com os óculos olhando, pensando,

cachimbo na mão, o porte subido, 

braço erguido, manga arregaçada


(Tens já uns óculos como um doutor,

não sei se falando sério ou apenas para me consolar,

disse, eu garoto, então o director!)


o olhar dirigido para lá,

meio escondido,

fugindo talvez ele de cá...


Um homem pelo olhar se desvia,

quem sabe de uma lágrima que escorre

ou de um sorriso que se esconde,


quem sabe da morte de um amor,

de um hábito, de um porte, de um monge,

que diz o olhar de óculos, doutor?...


(Menos eu agora vendo,

mantendo daquele tempo os óculos,

bem maiores eles sendo!).


E quantos anos o senhor tem, 

caro Doutor,

de que longos caminhos vem?


Olhando um homem pela posição,

cachimbo nobre na mão ou dentes de pobre diabo,

vendo sua cara ver-se-á o coração?


Aquele olhar de Mona Lisa

de onde vem, de onde veio, artista, mestre,

que o meu olhar paralisa?!...


2015-12-28


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro oito, 8/10 (Julho a Dezembro de 2015), 298 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-28


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domingo, 27 de dezembro de 2020

Notícias do dia

 


Hoje, a vacina como notícia do dia!


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Notícias do dia

(Poema escrito neste dia, em 2015, publicado no último livro, há dias)


Uma luz que entra, a sala limpa, o ar denso,

uma cadeira, um homem sentado, talvez o chefe,

de pé, outro, talvez empregado, porte tenso...


A claridade sobre o jornal do dia,

traços no chão de luz e sombras,

no ar o peso carregado da notícia...


Parece séria,

que coisa

aquela seria!...


De lado e de pé o de negro, sem gravata, 

debruçado sobre as letras da página aberta;

lerá ele, lerá tudo, ou verá só as imagens?


E serão imagens daquela terra,

desgraças, algum objecto voador não identificado,

uma morte, fria a nova guerra?

Talvez seja um prenúncio de Miss Mundo,

talvez um olhar vespertino nordestino,

um assunto do dia mas não, não profundo,


mas nos rostos absortos

quase a legenda:

Gente, como foi possível?


Se o Pai fosse hoje aqui vivo

o que ele deste tempo diria,

se nós assim, o que pensaria?


Que coisas no correr do tempo!

Que outras coisas por aí virão,

que voltas no mundo se darão!...


Virão decerto outros coronéis,

Jorge Amado, jangadas de pedra, fotografia, poesia,

também outros jagunços fiéis...


2015-12-27


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro oito, 8/10 (Julho a Dezembro de 2015), 298 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-27


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sábado, 26 de dezembro de 2020

Procura

 



Procura


Procuro

laços por fazer

de palavras deixadas,

pedaços de palavras,

letras rapadas

como pobre

de braços desabraçados a mexer

nos caixotes da rua 

cheios

de laços coloridos desfeitos,

restos varridos 

da ceia

da Noite de Consoada…


Procuro

também gotas por beber

de fontes 

por nascer

que hei-de ver…


2012-12-26


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro dois, 2/10 (Julho a Dezembro de 2012), 238 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-26


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sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Fio de Luz

 


Votos de continuação de Boas Festas.


Fio de Luz


Sorriso de criança,

fio de Luz

de pura esperança…


2013-12-25


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro quatro, 4/10 (Julho a Dezembro de 2013), 276 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-25


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quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Luz no Oriente

 


Votos renovados de Boas Festas e de Esperança


Luz no Oriente


Observo atento a Luz no Oriente, expectante,

Onde aparece uma Luz de Menino nascido,

Renascido pela força da Estrela Flamejante!

Saboreio nela a sabedoria dos que já partiram,

Sinto a beleza dos sorrisos que nos deixaram

E a ternura dos pequeninos que nos chegaram.


Volto a olhar em ti o simples, o puro e o belo

E fico em profunda Paz contigo, em puro elo,

E em mim fica o fluir do teu incontido sorrir,

Amor comungado em cadeia de união contigo,

Meu bom Irmão, meu sincero e bom Amigo!


(2010-12-24)


in José Rodrigues Dias, Traçados Sobre Nós, 106 pp, 2011.


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Jrd, 2020-12-24


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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Do tempo, deste tempo...

 

Votos de Boas Festas, com saúde!


Do tempo, deste tempo...

(incluído neste último livro, escrito neste dia, em 2015)


Do tempo, deste tempo,

as areias arranham meus olhos, 

endurecem meus ouvidos as bombas,

a sensibilidade ferida me insensibiliza,

até o próprio pensamento se queda

na impossibilidade que paralisa

ao não avançar o sonho...


Como deveria, não chove,

e, sem chuva, que céu!, nem pura nem impura,

nada que o tempo renove...


Mas quem sabe como o tempo se move?!...

Talvez amanhã, lá pela meia-noite, pelo Natal,

uma chuva fresca nos aqueça, nos molhe!...


Solta, agora só esta palavra

e, já amanhado, este meu arado,

no chão é que o pão se lavra…


 2015-12-23


in José Rodrigues Dias, Diário Poético (2012 - 2016), Livro oito, 8/10 (Julho a Dezembro de 2015), 298 pp, 2020.


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Jrd, 2020-12-23


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terça-feira, 22 de dezembro de 2020

10 anos de Poesia, 24 livros publicados

 


O novo livro


Notas do Autor

 

 

Este Livro oito inclui os poemas escritos ao longo do segundo semestre de 2015, o oitavo livro do Diário Poético que o autor decidiu publicar, por semestres,  contemplando o período de 2012 a 2016, inclusive, num total de dez volumes.

 

O Livro um, constituído por 154 poemas, foi publicado em 2018. Os outros sete, até ao momento, em 2020. O Livro dois inclui 156 poemas, o Livro três, 173, o Livro quatro,  179, o Livro cinco, 168, o Livro seis, 103, o Livro sete, 110, e este Livro oito inclui 244, todos os poemas apresentados por ordem cronológica, num total de 1.287 poemas nestes primeiros oito volumes. Em média, quase nove poemas em cada dez dias ao longo de quatro anos. Curiosamente, enquanto os dois semestres anteriores foram, em termos de número de poemas escritos, aqueles em que foi menor a produção poética, foi este oitavo aquele em que foi maior.

 

Este Livro oito é o vigésimo quarto livro de Poesia do autor (o primeiro em 2010, o segundo em 2011, o terceiro em 2015, dois em 2016, dois em 2017, três em 2018, quatro em 2019 e os restantes dez, com este, em 2020).

 

Dos 244 poemas que constituem este volume, 74 já antes haviam sido publicados, repartidos por cinco livros temáticos do autor, estando devidamente referenciados através de um índice.

 

Não se pretendeu introduzir nos poemas já publicados qualquer alteração, salvo algum pequeno pormenor.

 

Escritos há uns cinco anos, os poemas ainda não publicados em livro foram agora aqui revistos, não tendo sido, porém, alterados na sua essência, sofrendo apenas uma ou outra pequena modificação. Quis o autor mantê-los como nasceram, no seu próprio contexto. Por outro lado, não foi excluído, tal como nos livros anteriores desta e de outras séries, qualquer poema encontrado, ficando, assim, o olhar integral do autor no período respectivo. Contudo, é possível que algum poema, por não encontrado, tenha sido omitido.

 

Este é também  um livro  publicado em tempo da pandemia Covid-19, feroz em segunda vaga, com restrições de índole vária, individual e colectiva. Tempo de dureza negra, um tempo de confinamentos, de distanciamentos, de separações, de penas sentidas, abafadas, choradas… É neste contexto que a presença companheira do outro, lado a lado, dia a dia, assume um significado ainda mais especial, pretendendo a dedicatória disso dar testemunho e reconhecimento. Felizmente, uma luz acaba de acender-se em esperada vacina!

 

Diversos poemas foram sendo publicados no blog de Poesia do autor, Traçados sobre nós, iniciado em  10 de Novembro

de 2011 e que se mantém até hoje, dia a dia (contabilizando, nesta data, mais de 360.000 visitas), com uma janela aberta para o Facebook.

 

Exceptuando os dois primeiros livros, de 2010 e de 2011, é também do autor todo o trabalho de elaboração deste Livro oito, excepto o acto de impressão. Assim, todas as falhas são da sua responsabilidade. Se algum mérito houver, será fruto dos caminhos, diversos, alguns longos, pelo autor percorridos. Juiz, o leitor!

 

Este Livro oito é o décimo publicado em 2020, sendo o último deste ano. Gostaria o autor de ter publicado ainda outros, resultado da sua escrita diarística ao longo destes dez últimos anos, estando já globalmente organizados.

 

Seria, assim, neste ano de 2020, como que uma simbólica comemoração dos dez anos de actividade literária publicada em livro, o primeiro apresentado publicamente em 30 de Outubro de 2010, depois de uma vida dedicada a fórmulas e a números, a computadores (hardware e software), ao ensino e à investigação, com traços nestas áreas reconhecidos nacional e internacionalmente.

 

Com uma centena de trabalhos científicos publicados, em Portugal e no estrangeiro, com milhares e milhares de linhas de código de computadores escritas, com este Livro oito o número de poemas diferentes publicados (em livros) atinge já os 2.275.

 

De números deverá saber o autor, referindo, talvez por isso, tantos! Pela quantidade, e por assim cruamente a referir, que seja perdoado. Da qualidade dos poemas saberá o leitor.

 

 

José Rodrigues Dias, 2020-12-06


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Jrd, 2020-12-22


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